Trabalhadores já treinam robôs com IA a substituir seus próprios empregos Resumo Na Índia, milhares de trabalhadores estão sendo pagos para gravar, em primeira pessoa, como fazem tarefas manuais do dia a dia - do corte de material em fábricas ao empacotamento em armazéns. Esse tipo de vídeo vira matéria-prima para treinar robôs com IA, num movimento que ajuda a tecnologia a avançar, mas também coloca no centro uma pergunta incômoda: quem ensina a máquina pode estar acelerando a própria substituição. O que rolou? *Trabalhadores em diferentes regiões da Índia estão usando câmeras presas à cabeça (e, em alguns casos, luvas e sensores) para registrar com detalhe como as mãos executam tarefas repetitivas e delicadas, segundo reportagem da Bloomberg. *A ideia é alimentar sistemas de IA usados em robótica com vídeos do ponto de vista de quem faz, algo raro até pouco tempo porque ninguém tinha motivo para filmar esse tipo de rotina. *Segundo a Bloomberg, empresas e laboratórios correm para juntar esse material porque robôs ainda tropeçam no mundo real: o que funciona em demonstração bonita nem sempre funciona num galpão, numa casa ou numa linha de produção. *A disputa envolve nomes como Tesla, Figure AI e Agility Robotics, além de fabricantes chineses; e também empresas de tecnologia que querem acelerar robôs e IA física, como a Nvidia. *Startups e plataformas de trabalho sob demanda na Índia estão virando intermediárias: equipam pessoas com câmeras, organizam as gravações e vendem o material (muitas vezes já rotulado, com cada ação descrita) para quem treina robôs. *O dinheiro extra pode ser relevante para quem grava: há relatos de trabalhadores que passaram a guardar uma parte da renda para objetivos como a escola dos filhos. IAgora? *A corrida por dados do mundo real mostra que, para robôs virarem funcionários de verdade, não basta ter um cérebro digital: eles precisam de um repertório enorme de situações, como uma pessoa que aprende vendo alguém fazer. E hoje a Índia virou uma espécie de "escola prática" global para isso. *O risco é repetir um velho roteiro da economia digital: quem fornece a matéria-prima (neste caso, a experiência humana filmada) pode ficar com a menor fatia do valor - e ainda encarar, lá na frente, a automação chegando justamente nos trabalhos que ajudou a ensinar. E teve mais isso... 1) IA demite funcionário em loja experimental nos EUA O que rolou? *Uma loja experimental em São Francisco, a Andon Market, registrou um caso em que uma IA de gestão chamada Luna recomendou demitir um funcionário por problemas de pontualidade. *Segundo o Business Insider, a IA apontou que o trabalhador se atrasou em 17 de 23 turnos e sugeriu "seguir caminhos separados". *A decisão não foi totalmente automática: a equipe humana revisou a recomendação e executou o desligamento. IAgora? *Mesmo quando a palavra final ainda é humana, a IA já começa a virar filtro de decisões sensíveis. Isso muda a discussão: não é só sobre robôs substituindo tarefas, mas sobre algoritmos influenciando regras e punições no trabalho. 2) Anthropic vê risco da IA subir e segura próximo modelo O que rolou? *A Anthropic afirmou que não pretende lançar externamente um modelo interno chamado Model 2, que parece mais poderoso do que seu modelo de ponta, o Mythos. *Segundo a Axios, no relatório de risco a empresa elevou sua estimativa geral de risco de "desalinhamento" (quando a IA foge do que deveria fazer) em situações críticas para "baixo", acima do "muito baixo" de antes, citando incidentes recentes de cibersegurança. *A empresa também disse estar vendo sinais de aceleração na capacidade de modelos fazerem pesquisa e desenvolvimento de forma mais automatizada - algo que pode ajudar inovação, mas também pode ser usado de forma errada. IAgora? *Quando uma empresa diz "não vou soltar esse modelo", ela está admitindo que medir risco ficou mais difícil do que era. Para o público, isso é um lembrete de que a corrida por modelos mais fortes não é só sobre responder melhor: envolve segurança, fraude e ataques digitais. 3) Spotify lançou um produto de IA que não tem nada a ver com música O que rolou? *O Spotify lançou o Xirp, um app para macOS que ajuda a gerenciar agentes de IA que escrevem código (como Claude Code, Codex e Gemini CLI) lado a lado, sem perder contexto. *A ferramenta nasceu dentro do Spotify para organizar o uso de IA por milhares de engenheiros; a empresa diz que mais de 1.300 pessoas já usaram o sistema internamente, em dezenas de milhares de sessões. *Agora o Xirp virou beta público, gratuito e, por enquanto, só para Mac. IAgora? *A tendência aqui é simples: com IA ajudando a construir software mais rápido, ferramentas internas podem virar produto de prateleira com muito menos esforço. O que antes ficava escondido dentro das empresas pode começar a aparecer como novos negócios até distantes do core principal da companhia, como no caso do Spotify. 4) Vibecoding lota a App Store - e a Apple pode ganhar (ou se enrolar) O que rolou? *Segundo o The New York Times, ferramentas de IA estão facilitando tanto a criação de apps que a App Store viu uma enxurrada de novos lançamentos. *Estimativas da Sensor Tower apontam que novos apps cresceram 30% no ano passado (para cerca de 600 mil) e, no primeiro semestre deste ano, teriam dobrado em relação ao mesmo período do ano passado (para cerca de 560 mil). *Mesmo com mais apps, os downloads não dispararam: teriam subido 3% no ano passado e 2% no primeiro semestre, o que alimenta a dúvida se há "vida nova" ou só mais entulho digital. IAgora? *Quantidade (e facilidade de criação) não é qualidade. Para a Apple, o desafio é manter qualidade e segurança sem travar o fluxo - e, para quem baixa apps, o risco é navegar num mar de opções que muita gente usa uma vez e abandona. As últimas da coluna "IAgora?" IAgora Marca d'água no Claude gera revolta e abre margem para "IA mais burra" Leia mais IAgora Zuckerberg e Musk finalmente saem do Z4 da IA (e botam pressão nos líderes) Leia mais IAgora O que Mark Zuckerberg realmente quer com megamanifesto sobre futuro da IA Leia mais Dica de IA na prática: use a IA para simular uma decisão antes de tomá-la Como fazer? Quando uma decisão envolve muitas variáveis, é comum pedir à IA uma recomendação direta: "O que você faria?". O problema é que isso transforma uma situação complexa em uma resposta única. Uma alternativa mais interessante é fazer a IA simular como a decisão pode evoluir ao longo do tempo. Comece fornecendo o contexto: "Estou avaliando esta decisão: [descreva a decisão]. Estas são as informações que tenho hoje: [contexto, restrições, recursos e objetivos]. Quero entender como essa decisão pode evoluir nos próximos 6 meses." Depois peça que ela construa três cenários: "Crie três cenários: otimista, provável e pessimista. Para cada um, explique o que pode acontecer, quais fatores determinam esse resultado e quais eventos poderiam fazer o cenário mudar de direção." O passo mais interessante é transformar a simulação em algo que você possa acompanhar na vida real: "Agora identifique os sinais que eu deveria observar nas próximas semanas para descobrir em qual desses cenários estou entrando. Para cada sinal, explique o que ele indicaria e qual decisão eu deveria reconsiderar." Você pode, então, voltar à mesma conversa conforme novos fatos aparecem e atualizar a simulação. A ideia não é pedir para a IA "prever o futuro", mas usar diferentes possibilidades para se preparar melhor para ele. O que isso muda pra você? A IA deixa de ser apenas uma ferramenta que responde "o que eu devo fazer?" e passa a ajudar você a pensar "o que pode acontecer depois que eu fizer isso?" Isso é especialmente útil para decisões com consequências de médio ou longo prazo: lançar um produto, mudar uma estratégia, contratar alguém, escolher uma tecnologia ou fazer um investimento. O maior benefício é tornar explícitas as condições que normalmente ficam escondidas na nossa cabeça. Você passa a enxergar não apenas o resultado desejado, mas também o que pode fazer uma decisão dar errado — e, principalmente, quais sinais podem revelar isso antes que seja tarde demais. A simulação não substitui a decisão nem transforma a IA em uma bola de cristal. Ela serve para ampliar o número de cenários que você consegue considerar antes de escolher um caminho. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.