O Discord desativou temporariamente seus recursos de transmissão ao vivo no Brasil após determinação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). A medida preventiva ocorreu em resposta à transmissão do suicídio de uma adolescente de 13 anos na plataforma e à falta de comprovação de mecanismos suficientes de proteção a menores. O caso motivou investigações policiais sobre grupos virtuais e gerou um aumento expressivo nas denúncias contra a empresa.
Tópicos abordados:
* Empresa: Discord
* Produto/Tecnologia: Recurso de transmissão ao vivo (Go Live) e comunicação por vídeo
* Tendência/Assunto: Regulação de plataformas digitais, segurança infantil na internet e conformidade com o ECA Digital
Discord desativa função de transmissão ao vivo após pedido do governo
Resumo
Discord desativou os recursos de transmissão ao vivo no Brasil após determinação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).
O que aconteceu
O prazo dado pela ANPD para a plataforma suspender as "lives" no país terminou. A ordem foi emitida na semana passada, depois do caso de uma menina de 13 anos que teve o suicídio transmitido ao vivo nas redes sociais.
Em comunicado, o Discord diz que cumpriu o determinado pela ANPD e suspendeu todas as funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real. "Estamos dialogando ativamente com a ANPD em busca de uma solução que permita restabelecer esses recursos para nossos usuários no Brasil", diz a empresa em nota. A companhia ainda ressaltou que o recurso de vídeo é "parte importante e muito valorizada da experiência" da plataforma, "permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares".
Seguimos comprometidos em trabalhar com formuladores de políticas públicas no Brasil para ajudar a criar uma experiência online mais segura para todos, tanto no Discord quanto em toda a internet.
Discord, em nota
O que a ANPD determinou
A suspensão atinge apenas as transmissões ao vivo, como a ferramenta Go Live, e não um bloqueio total da plataforma. Na semana passada, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, chegou a defender o bloqueio completo do Discord.
A ANPD afirma que a medida é preventiva e foi tomada após reuniões com representantes da empresa. Segundo o órgão, o Discord não comprovou ter mecanismos suficientes de proteção e monitoramento, como prevê o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital.
Na semana passada, a empresa afirmou que investe em segurança e citou que o episódio envolveu atividade criminosa. O Discord disse que o caso continuou em outras plataformas depois que a empresa baniu o servidor em que a garota era incentivada a se machucar.
Menina morreu após contato com grupo investigado
A adolescente morreu em 22 de julho, em Naviraí, e o caso foi transmitido durante 45 minutos pelo Discord. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga as circunstâncias da morte e a atuação de integrantes de um grupo virtual.
Investigação aponta que o grupo procurava crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional. Segundo a polícia, os suspeitos conquistavam a confiança das vítimas e depois as submetiam a isolamento, humilhações, coação e desafios de violência crescente.
A menina teria sido submetida a desafios antes de morrer. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, integrantes do grupo a incentivaram a matar um animal e, posteriormente, a transmitir o próprio suicídio pelo Discord.
Operação mirou adolescentes em cinco estados
O caso deu origem à Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio do Ministério da Justiça. A ação cumpriu sete mandados em cinco estados e resultou na apreensão de cinco adolescentes investigados.
Polícia busca saber se há mais vítimas e integrantes do grupo. Equipamentos apreendidos serão periciados, e a análise das evidências digitais já levou à identificação de uma segunda vítima, que teve a identidade preservada.
Governo também questionou a demora para retirar o material do ar. Em 4 de agosto, o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, afirmou que conteúdo relacionado ao episódio continuou disponível após a morte. O governo determinou a exclusão do material e a suspensão dos servidores usados pelo grupo.
Denúncias sobre o Discord cresceram
Levantamento da Safernet aponta aumento de 54% nas denúncias envolvendo o Discord de janeiro a julho deste ano. Foram 406 registros no período, contra 264 no mesmo intervalo de 2025, segundo a organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet.
A Safernet diz que esta é a maior média mensal da série histórica, iniciada em 2017. O órgão também lista países em que o Discord está banido, como Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Camboja.
Segundo a Safernet, Rússia e Turquia bloquearam o Discord em 2024 por descumprimento de ordens judiciais para remover conteúdos ilegais.
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