VÍDEO: Diretores da Caio e Busscar explicam estratégias comerciais para os lançamentos Apache Vip 6, eApache Vip 2, El Buss 325 FT, El Buss 325 L e o 410 Publicado em: 18 de agosto de 2026 Foco é realizar entregas a partir do início de 2027. Aproveitamento de peças entre modelos e gerações, peças mais leves e tornar o eApache um elétrico nato foram respostas ao mercado ADAMO BAZANI Colaborou Vinicius de Oliveira A Caio e a Busscar, empresas do mesmo grupo, querem, com os lançamentos de modelos de ônibus urbanos e rodoviários, oferecer qualificação e evolução dos veículos, tanto estéticas como funcionais, mas sem tirar os pés do chão. Afinal, são veículos comerciais e precisam, acima de tudo, gerar capital com redução de custos e facilidade de manutenção. Também agradar aos clientes finais, no caso os passageiros e tomadores de serviços, em especial as versões de fretamento e turismo, nos quais a escolha do modelo do veículo é direta pelo usuário. Em entrevista coletiva somente a jornalistas profissionais, da qual o editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, participou na feira especializada do setor, Lat.Bus, o diretor industrial da Caio, responsável pelos urbanos, Maurício Lourenço da Cunha, e o diretor comercial da Busscar, que responde pelos rodoviários e de fretamento, Paulo Corso, detalharam as estratégias de vendas e produção dos lançamentos. A Caio apresentou o Apache Vip 6, o eApache Vip 2 para chassis de ônibus elétricos de piso alto, o bMillennium para chassis e motores a biometano e a gás natural e modernizações no Millennium a diesel. A Busscar, por sua vez, apresentou o El Buss 325 FT, El Buss 325 e o Panorâmico 410, sendo este último com bagageiros que comportam uma carga semelhante à de caminhões de pequeno porte. Todos ampliam a gama da família de produtos NB1. Entre as apostas estão, tanto nos rodoviários como nos urbanos, a utilização de materiais resistentes, porém mais leves, que facilitam a manutenção e reduzem o peso geral dos ônibus e, com isso, o consumo e o desgaste de peças. Os veículos apresentados passarão por ajustes finais antes da produção em linha. As primeiras entregas devem ocorrer no início de 2027. Sobre conjuntura de mercado, Caio e Busscar projetam para este ano de 2026 uma queda de vendas, não apenas para as marcas, mas em todos os segmentos de ônibus. O mercado externo é uma aposta do grupo, em especial para a Busscar. EVOLUIR SEM FAZER A GARAGEM COMEÇAR DO ZERO A estratégia apresentada pelos dois executivos mostra que parte das mudanças das novas gerações foi pensada para ser percebida não somente pelo passageiro, mas principalmente dentro das garagens. No caso da Caio, Maurício Lourenço da Cunha explicou que a passagem do Apache Vip 5 para o Apache Vip 6 preserva componentes da geração anterior justamente para evitar que a mudança de produto obrigue as empresas a refazerem estoques de peças e procedimentos de manutenção. “Tem vários componentes do VIP 5 que foram aproveitados no VIP 6”, afirmou. Segundo o executivo, a redução de peso também faz parte do desenvolvimento, mas a fabricante estabelece um limite para não comprometer resistência, durabilidade, segurança e conforto. Cunha ressaltou que não se trata de uma redução da ordem de 10% do peso total e explicou que retirar material indiscriminadamente de estrutura, aço, alumínio ou fibra pode comprometer o desempenho do ônibus durante sua vida útil. A estratégia é buscar materiais, processos produtivos e componentes que proporcionem ganhos graduais sem transformar redução de peso em perda de robustez. EAPACHE VIP 2 JÁ NASCE COMO ELÉTRICO Uma das mudanças conceituais mais importantes está no eApache Vip 2. A primeira configuração do produto surgiu como uma adaptação às novas plataformas elétricas de piso alto. Na segunda geração, segundo Cunha, a Caio partiu de outra lógica de desenvolvimento. “Esse já foi concebido como um carro elétrico, não foi uma adaptação do Vip”, explicou. O modelo passa a ter projeto específico para os componentes e características de uma plataforma elétrica de piso alto, embora compartilhe elementos com a família Apache Vip. A comunização continua sendo importante. Componentes traseiros são intercambiáveis com itens da família Apache, enquanto o posto do motorista foi redesenhado e os anteparos internos passaram a utilizar vidro inteiriço. A estratégia permite à Caio atender um mercado que, segundo Cunha, ainda possui grande potencial no Brasil justamente porque a maior parte dos passageiros brasileiros continua sendo transportada em ônibus de piso alto. “Eu imagino que ele tem um bom potencial. Por quê? Porque a imensa maioria do Brasil é transportada por veículos de piso alto. Então, eu entendo que o potencial é grande”, afirmou. A fabricante, entretanto, não apresentou uma projeção de volumes para o novo modelo. APACHE VIP 6 MANTÉM COMPONENTES E MUDA IDENTIDADE O Apache Vip chega à sexta geração aproximadamente 25 anos depois do surgimento da primeira versão. Entre as principais alterações estão o novo desenho frontal, conjunto óptico Full LED, luzes diurnas DRL, mudanças na traseira, acabamentos internos e novos padrões para as poltronas. A Caio também apresentou como opcional o sistema denominado “Flor da Pele”, no qual as portas permanecem alinhadas ao plano lateral da carroceria quando estão fechadas. O objetivo é melhorar acabamento e aerodinâmica sem alterar a proposta principal do Apache Vip, de aplicação predominantemente urbana e em chassis de piso alto. Ao mesmo tempo, a fabricante procurou manter elementos da geração anterior. Essa opção está diretamente relacionada ao discurso de Cunha sobre custos de manutenção: uma nova geração não necessariamente precisa significar a substituição de todo o estoque existente nas garagens. FICHA TÉCNICA – CAIO APACHE VIP 6 A Caio divulgou oficialmente características como Full LED, modularidade, portas alinhadas e foco em manutenção, mas não apresentou uma ficha dimensional fechada específica para o Apache Vip VI. FICHA TÉCNICA – CAIO eAPACHE VIP 2 A própria Caio não informou bateria ou autonomia porque estes dados dependem da plataforma elétrica que receberá a carroceria. BIOMETANO GANHA UMA CONFIGURAÇÃO PRÓPRIA NA FAMÍLIA MILLENNIUM Outra novidade é o bMillennium. Neste caso, a mudança não é apenas visual. A Caio diz que a estrutura foi desenvolvida considerando desde o projeto a instalação de cilindros e demais componentes necessários para plataformas movidas a gás. A disposição destes equipamentos interfere em peso, distribuição de cargas e estrutura, o que levou a fabricante a criar uma configuração específica da família. O biometano aparece entre as principais aplicações pretendidas. Na Lat.Bus, uma das combinações que materializaram esta proposta reuniu carroceria da família Millennium e chassi Scania K 280 4×2 desenvolvido para gás natural e biometano. A Scania informa potência de 280 cv, torque de 1.350 Nm, transmissão automática ZF EcoLife 2 e autonomia entre 300 km e 350 km. O sistema utiliza quatro cilindros de fibra de carbono do Tipo 4, instalados no teto, com capacidade total de armazenamento de 220 metros cúbicos. A configuração apresentada pela Scania em parceria com a Caio possui 13 metros e capacidade para 88 passageiros, enquanto o chassi permite carrocerias de até 14 metros e configurações de piso normal ou baixo. FICHA TÉCNICA – CAIO bMILLENNIUM / CONFIGURAÇÃO A GÁS E BIOMETANO A ficha do conjunto a gás foi complementada com os dados oficiais divulgados pela Scania para o veículo desenvolvido com a Caio. EMILLENNIUM TAMBÉM É ATUALIZADO O eMillennium, desenvolvido especificamente para plataformas elétricas, não surgiu agora. A carroceria foi apresentada originalmente em 2022, mas recebeu na Lat.Bus 2026 atualizações que procuram aproximar sua identidade visual dos demais integrantes da atual família Millennium. As laterais ganharam saias raiadas e foram modificados revestimentos, tecidos, texturas, cores das poltronas e a passadeira interna. O sistema de portas alinhadas à carroceria também faz parte desta atualização. Na linha regular da fabricante, o eMillennium pode chegar a 23 metros de comprimento, dependendo da plataforma, com largura externa de 2,55 metros. FICHA TÉCNICA – CAIO eMILLENNIUM ATUALIZADO As dimensões gerais da linha eMillennium constam do portfólio oficial da Caio; a atualização apresentada em 2026 mantém configuração dependente da plataforma utilizada. BUSSCAR LEVA A COMUNIZAÇÃO DE PEÇAS PARA A FAMÍLIA NB1 Se na Caio a palavra-chave é evitar um “trauma” nos estoques de peças entre gerações, na Busscar o conceito aparece com ainda mais força na expansão da família NB1. Paulo Corso disse que peças empregadas em diferentes modelos poderão ser intercambiáveis, permitindo a uma empresa que opere mais de uma carroceria da família utilizar componentes comuns. “Nós acreditamos muito na economia operacional e de manutenção dos produtos nas garagens com essa transformação que nós fizemos”, afirmou. As poltronas também seguem esta lógica. Segundo Corso, os novos assentos foram desenvolvidos de forma a possibilitar utilização em diferentes integrantes da família, dependendo do padrão de serviço escolhido pelo operador. A Busscar informa ainda que os novos modelos têm faróis e lanternas modulares em LED, para-choques divididos em três partes e central elétrica instalada em compartimento frontal de acesso facilitado. A lógica é simples: se apenas uma parte for danificada, não é necessário trocar todo o conjunto. Além disso, a entrada foi ampliada, a porta ganhou maior superfície envidraçada e o posto do motorista recebeu alterações para melhorar espaço e ergonomia. Em material oficial divulgado após a feira, a Busscar denomina os três novos integrantes da expansão da NB1 como El Buss FT, EB 325 e EB 325L. O Panorâmico 410, por sua vez, já havia sido apresentado anteriormente em Santa Catarina, mas, segundo Paulo Corso explicou durante a entrevista, teve seu lançamento oficial realizado na Lat.Bus. A produção das novas configurações dos El Buss deve começar em dezembro de 2026. FICHA TÉCNICA – BUSSCAR EL BUSS FT NB1 A Busscar informa oficialmente largura de 2,60 metros para o El Buss FT e relaciona os novos NB1 a soluções de manutenção, iluminação modular e múltiplas configurações. FICHA TÉCNICA – BUSSCAR EB 325 NB1 A fabricante apresentou estas características como comuns aos três novos integrantes da família e não publicou, no comunicado consultado, uma ficha dimensional individual para o EB 325. FICHA TÉCNICA – BUSSCAR EB 325L NB1 O material oficial da Busscar confirma a denominação EB 325L e as características compartilhadas com o restante da nova linha, sem fornecer ficha dimensional completa individualizada. PANORÂMICO 410: BAGAGEIRO DE ATÉ 26,5 M³ O Panorâmico 410 ocupa uma posição diferente nesta sequência de novidades. O modelo havia sido mostrado pela Busscar anteriormente em evento do segmento de turismo e fretamento em Santa Catarina, ocasião acompanhada pelo Diário do Transporte, mas Paulo Corso explicou que o lançamento oficial ocorreu na Lat.Bus. Um dos principais argumentos comerciais é a capacidade para bagagens. A Busscar informa oficialmente volume de até 26,5 metros cúbicos e assoalho totalmente plano. Durante a entrevista, os executivos fizeram uma comparação ainda mais direta com a realidade das empresas. “Só uma curiosidade do 410, porque ontem eu ouvi de um cliente que esses 27, 28 metros cúbicos, para vocês terem uma ideia, é um caminhão baú dos 709 da Mercedes”, contou Cunha. Corso ressaltou, entretanto, que o volume físico não significa liberdade para transportar qualquer peso. A distribuição da carga e os limites legais por eixo continuam precisando ser respeitados. O ar-condicionado foi levado para a traseira, permitindo manter a altura total do veículo em 4,10 metros sem retirar espaço do bagageiro. A carroceria também pode receber retrovisores digitais, internet Starlink e um sistema de copiloto virtual denominado Sobrinho. FICHA TÉCNICA – BUSSCAR PANORÂMICO 410 NB1 Os 26,5 m³ de bagageiro, a altura de 4,10 metros e as tecnologias disponíveis constam da apresentação oficial do Panorâmico 410 feita pela Busscar. MERCADO MAIS FRACO E EXPORTAÇÃO COMO ALTERNATIVA As novidades chegam, entretanto, em um cenário que os próprios dirigentes consideram mais difícil. Para os urbanos, Cunha disse que o segundo semestre começou retraído, com juros elevados, dificuldades de financiamento, aumento da inadimplência e pressão do diesel sobre o caixa das empresas. A expectativa da Caio é tentar repetir o resultado do ano anterior, mas o executivo admitiu que, caso o desempenho não se recupere, a queda pode ficar em torno de 5% ou um pouco mais. Nos rodoviários, Corso disse ter percebido redução mais forte da demanda nas semanas anteriores à feira. A avaliação é de que o segundo semestre não deverá repetir o desempenho de 2025 e de que a fabricação de rodoviários tende a cair. Questionado sobre uma estimativa, apontou uma possível retração entre 5% e 10%. Diante deste ambiente, a exportação ganha importância especialmente para a Busscar. Corso informou que aproximadamente 15% das vendas da fabricante já são destinadas ao exterior e citou Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai entre os mercados que podem oferecer possibilidades de expansão. DIÁRIO DO TRANSPORTE ACOMPANHOU OS LANÇAMENTOS DESDE A APRESENTAÇÃO O Diário do Transporte realizou cobertura presencial da Caio e da Busscar durante a Lat.Bus 2026. No primeiro dia da feira, a reportagem registrou os novos Apache Vip VI, eApache Vip II, bMillennium e eMillennium, além dos produtos da Busscar, mesmo diante da pouca disponibilidade inicial de informações técnicas. Posteriormente, após a Caio encaminhar os dados oficiais dos veículos à imprensa, o Diário do Transporte publicou uma reportagem detalhando as mudanças de cada integrante da nova família urbana. A cobertura também mostrou separadamente a ampliação da família NB1 da Busscar e acompanhou o Panorâmico 410 desde sua primeira apresentação pública em Santa Catarina, antes do lançamento oficial realizado na Lat.Bus. A entrevista a seguir complementa esta cobertura com as explicações dos diretores Maurício Lourenço da Cunha e Paulo Corso sobre desenvolvimento dos produtos, manutenção, mercado, produção e estratégia comercial. A reportagem do Diário do Transporte sobre os lançamentos da Caio registrou que as informações oficiais detalhadas só foram disponibilizadas posteriormente à apresentação inicial na feira. ENTREVISTA NA ÍNTEGRA MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Os 80 anos que são da Caio e também da Busscar, né, Paulinho? Por coincidência do destino, para nós é um motivo de muito orgulho nós podermos estar conduzindo essas marcas, fazendo essa comemoração. São duas marcas extremamente fortes. Não esqueço uma frase do Paulo quando veio trabalhar conosco, que o recall da marca Busscar, principalmente no rodoviário, depois de seis anos fechada, ainda era muito forte. Qual a empresa que você lembra do rodoviário? Marcopolo e Busscar. Marcopolo e Busscar. E a empresa fechada há seis anos. E a Caio também, a Caio passou por um período de crise longa, uma agonia longa, mas sempre foi uma marca forte. Quando nós retomamos a produção, os clientes responderam bem e gradativamente cada vez melhor. E hoje, nesses 80 anos, nós estamos comemorando a liderança isolada do mercado de urbanos com mais de 60% de market share. É muito trabalho com marcas boas e equipe dedicada. PAULO CORSO: E sobre os rodoviários, já fazem três anos que começamos com a família NB1, lançamos na primeira ocasião o Vista Buss 345, Vista Buss 365. Na sequência, lançamos o Panorâmico DD, da família NB1 também. Esse ano estamos lançando aqui o Panorâmico 410 e também o El Buss 325 e o El Buss Fretamento, que é o FT. Então, a família está quase completa, ainda falta alguma coisinha para terminar a família, mas a gente pretende que ano que vem a gente encerre a família NB1 e aí é só seguir a vida. A Busscar também vem sofrendo, como todas as empresas hoje, com a pouca demanda hoje de rodoviário, principalmente, mas estamos nos virando e estamos crescendo gradativamente. ENTREVISTADORA: Eu queria perguntar para você sobre o mercado, então a gente está nesse cenário que tem as taxas de luz elevadas, o crédito escasso, a inadimplência alta, agora acabou o incentivo. Como é que vocês estão vendo isso? Tem vários lançamentos, tem parcerias com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com a Scania no a gás. Quais são as projeções? O que vocês estão traçando para esse ano? É possível estimar um crescimento? Você está acompanhando o mercado, deve cair? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Olha, a nível de urbano, a minha bola de cristal anda um pouco opaca, mas nós esperamos que o ano seja igual ou um pouco melhor do que o ano passado, mas esse fechamento vai depender do desempenho do segundo semestre. O segundo semestre não começou muito bem, o mercado está bem retraído por conta do que o Paulo falou, juros altos, o financiamento não está fácil, pode até ter linhas de crédito, mas você tem que ter garantias para poder comprovar isso e a inadimplência vem crescendo muito no mercado, infelizmente no próprio setor de transportes que isso não acontecia. O óleo diesel tem atrapalhado bastante porque consome muito caixa das empresas, essa alta do óleo diesel e depois, como tempero final, a insegurança política, porque é eleição presidencial, de governadores, congresso, então tudo isso desestimula momentaneamente o investimento. Então, a nível de urbano, nós esperamos atingir o patamar do ano passado, mas ainda vai depender do desempenho agora do segundo semestre. ENTREVISTADORA: Dá para falar em volume? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Eu não arriscaria, se não tiver o mesmo desempenho do ano passado, pode ser que tenha uma queda de uns 5%, um pouco mais talvez. PAULO CORSO: No rodoviário, nós estamos sentindo uma queda bem significativa a partir de agora, a partir desse momento, de 15, 20 dias para cá, acabou o financiamento e nós começamos a sentir que deu uma parada. Nós não entendemos que o mercado de ônibus rodoviário vai ser igual ou maior que o ano passado, vai ser menor e para tanto nós já estamos nos preparando. Nós, quando eu falo, nós e os outros também, as outras montadoras também estão se preparando, porque não vai ser, na minha avaliação até agora, não vai ser um segundo semestre tão bom quanto o ano passado. Então, teoricamente, nós vamos ter uma queda na fabricação de ônibus rodoviário. Aliado a tudo que nós já falamos, juros altos, crédito difícil, política que ninguém sabe o que pode acontecer. Então, todas essas coisas que estão acontecendo vai fazer nós termos um mercado de rodoviário um pouco menor. ENTREVISTADORA: Quantos por cento? PAULO CORSO: Eu não sei também, porque é agora que a gente começou a sentir a queda. Uns 5%, 10%, eu acredito. ADAMO BAZANI: Agora falando especificamente sobre os produtos lançados. Foram 4 lançamentos da Caio, 3 da Busscar, o 410 que tinha sido apresentado oficialmente aqui. Além das mudanças estéticas, quais são as mudanças funcionais de cada um desses lançamentos e o que vão trazer de vantagem para o operador em relação a manutenção, economia e também para o usuário final? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Bom, nos urbanos, no Apache VIP 6, nós fizemos uma mudança de geração, como você falou, mudanças fortes do ponto de vista estético, mantendo vários componentes para que não haja um trauma muito grande nas garagens quanto ao nível de almoxarifado, estoque de peças de reposição. Então, tem vários componentes do VIP 5 que foram aproveitados no VIP 6. E, além disso, nós temos mudanças que vão impactar a nível de peso, troca de tecnologia, de fabricação de componentes que vão resultar em alguma redução de peso. Mas, a redução de peso que nós fazemos na Caio e também na Busscar, ela tem um limite. Por quê? Porque nós nunca abrimos e nunca vamos abrir mão da durabilidade, segurança e conforto. Então, os produtos têm tido uma evolução a nível de materiais e componentes. Estamos apresentando uma família nova das poltronas estofadas que ainda estão em desenvolvimento. Esta poltrona que está aqui é uma poltrona protótipo, que ainda está em validação em campo, para aí podemos virar a chave para ser um item normal de produção. Os outros produtos, o eApache 2ª geração, com um aprimoramento do produto, que foi feita uma primeira adaptação quando surgiu a primeira geração. E agora, como nós estávamos atualizando a 2ª geração do VIP, também já fizemos um produto de ponta a ponta desenvolvido para o elétrico de piso alto. ADAMO BAZANI: E nasceu genuinamente elétrico. MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Isso, esse já foi concebido como um carro elétrico, não foi uma adaptação do Vip. E depois, fizemos inovações, tanto no lançamento do B-Millennium, do biometano, no caso aqui junto com a Scania, e da família do E-Millennium, com itens que melhoram a estética do produto, com a saia um pouco raiada, materiais novos de acabamento, vinil, taraflex e tudo mais. E a padronização, no caso dos elétricos, da porta alinhada com a lateral. No caso dos urbanos, é um opcional, vai depender da vontade do cliente. Então, esses são os principais impactos do produto novo. ADAMO BAZANI: Antes do Corso, essa redução de peso, claro, depende da configuração, mas já se tem mais ou menos quantos por cento? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Nós ainda não quantificamos, começando a série que nós vamos poder quantificar, mas não é nada estrondoso. Por quê? Porque nós não vamos comprometer. Onde você reduz muito peso? Estrutura. Aço. Duas coisas que mais pesam: o aço, o alumínio e a fibra de vidro. Se você começa a reduzir muito o aço, você vai comprometer a resistência e durabilidade do produto. Se você começa a reduzir muito a fibra de vidro e o alumínio, você vai comprometer a estética visual e até a durabilidade, porque a fibra começa a movimentar e é a morte do produto. Então, a gente tem limitações. Não é nada reduzindo 10% no peso do carro, nem perto disso. PAULO CORSO: Bom, no caso do rodoviário, nós então estamos complementando mais uma parte da família NB1, que então é o Panorâmico 410, que nós tínhamos levado na feira de Santa Catarina, mas oficialmente estamos lançando ele aqui. O El Buss 325 e o El Buss FT. No caso do El Buss 320, do El Buss 325 e do El Buss FT, eu queria deixar claro para vocês que nós vamos produzir esse carro a partir de dezembro. Por quê? Como tinha a feira Lat.Bus, nós damos uma acelerada nos protótipos para trazer e mostrar os carros aqui. Como fizemos no DD no passado, a gente lançou e depois teve um tempo para adaptar a empresa, adaptar as linhas de montagem para produzir esse produto. Então, nós vamos produzir ele a partir de dezembro. Agora, nós estamos mostrando o carro. Por enquanto, a gente está fazendo o nosso El Buss 325 e o El Buss FT atual. A partir de dezembro entra a configuração nova. O que esses produtos trazem de diferencial do que nós temos hoje? Primeiro que ele se enquadra na família NB1, com muitas peças comunizadas. Alguma coisa nos El Buss, algumas coisas no 400, que tem nos VB 365 e 345, que têm no Panorâmico DD, muitas coisas comunizando. E isso o que traz? Traz um benefício para o frotista, que se ele tiver uma gama de produtos de toda a linha, ele pode usar peças intercambiáveis. Outra coisa é o conforto do produto. Nós redesenhamos todas as poltronas, inclusive agora dos carros mais baixos, dos El Buss. Então, todas as poltronas são comunizadas também. Pode servir para um DD que queira um carro mais simples, pode servir para um 400 mais simples, pode servir para um VB. Então, tudo isso é intercambiável. Nós acreditamos muito na economia operacional e de manutenção dos produtos nas garagens, com essa transformação que nós fizemos. O carro está aí, vocês viram, está muito bonito e tem o que vai ser um sucesso, marcando os 80 anos da Busscar e seguindo a nossa família NB1. ENTREVISTADORA: Queria só que vocês falassem sobre os itens de segurança que foram acrescentados nesses modelos de lançamento. PAULO CORSO: Para nós, para o Rodoviário, os itens de segurança são as normas que a gente tem que cumprir, que vem da legislação do governo. Então, são sistema de elevador para deficiente com segurança, todos os equipamentos de segurança, são para o motorista as questões de segurança, ruído, essas coisas todas que a gente tem que cumprir as normas. Tudo isso a gente faz mediante a especificação do produto que vem do governo. Eles cumprem todas as normas de segurança. MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: No caso dos urbanos é a mesma coisa. Todos os nossos produtos são homologados, todas as poltronas são testadas. O exemplo que eu dei dessa poltrona, ela já foi feita o teste dela, atende às normas tanto brasileira como europeia que nós usamos para exportação. E agora ela está em validação de campo porque nós não fazemos mudança de itens de impacto, tanto na qualidade como na percepção de qualidade pelos passageiros principalmente, pelos operadores, sem uma comprovação de campo. Então, agora eles estão em fase de comprovação, mas todos já atendem e vão continuar atendendo todas as normas de homologação e de segurança. PAULO CORSO: Bom, nós temos começando na Família NB1 pelo Panorâmico DD. O Panorâmico DD tem dois mercados bem distintos, vamos dizer assim. Um que é as linhas rodoviárias que estão utilizando muito o DD para cumprir as suas rotas e outro é o turismo. Então são duas linhas diferentes, mas com o mesmo produto, com variações de poltrona, de características às vezes um pouco diferentes uma da outra. O Panorâmico 410 é um produto que serve para três tipos de serviço. O serviço de linha, onde você demanda muita encomenda, bagagem no caso. O serviço de fretamento que nós chamamos de compras, que hoje existe muito aqui no país. O turismo de compras, vamos chamar assim, que é um produto que tem um bagageiro super grande com 28, 27 metros cúbicos de bagageiro, é o maior do mercado. É o maior do mercado, inclusive. Então serve para isso e também serve para o turismo. O turismo normal também se utiliza desse produto. Os produtos VB365, 345 já foram lançados pela nossa Família NB1. Esses são produtos estritamente de linha rodoviária, mais curtas, algumas longas, mas atendem esse serviço. E esses motores dianteiros, esses sim, esses atendem o fretamento, que são as fábricas, e também atendem às linhas curtas, de pequenas distâncias, as intermunicipais, linhas de até 100 quilômetros, 120 quilômetros, atendem muito bem com esse produto. Então esses são os nossos produtos e atendendo essas especificações. Além disso, com os produtos mais sofisticados, os DDs e os 365, 345, nós atendemos muito a exportação, que é o mercado nosso latino aqui. Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, estamos vendendo bem hoje, nós já temos um bom percentual de venda para eles. E alguma coisa que também a gente vende ainda muito pouco na África, mas que já estamos começando a colocar os produtos lá dentro da África. MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Só uma curiosidade do 410, porque ontem eu ouvi de um cliente que esses 27, 28 metros cúbicos, para vocês terem uma ideia, é um caminhão baú dos 709 da Mercedes. PAULO CORSO: Isso tudo a gente tem capacidade de carregar, de carga, essas coisas. Essa lei da balança mesmo. O cara tem que atender a lei da balança. Tem que atender a lei da balança. Ele pode carregar e vai correr o risco de ter problema. Pode ser uma carga de travesseiro, pode ser uma carga de chumbo, depende do que ele carregar. As empresas hoje têm alguns softwares que eles mapeiam onde colocar a carga no bagageiro. ENTREVISTADORA: Sobre o Apache Vip, qual a evolução dessa geração para a primeira? Quais foram as evoluções? E eu queria também que você trouxesse um pouco do mercado, o potencial do mercado para esse modelo. Já que hoje tem Mercedes, tem Volks usando, o que vocês veem como potencial? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Olha, o que nós trouxemos de novo para ele é como eu comentei. É um produto que foi desenvolvido e não adaptado. Então, algumas coisas que nós queríamos melhorar como montagem, principalmente montagens inferiores. A montagem que não se percebe por fora. Nós aprimoramos nesse produto para ele ter uma distribuição de carga melhor, uma configuração melhor. Essas foram as principais mudanças. E depois as outras foram mais estéticas para diferenciar um produto do outro que realmente é um produto um pouco mais selecionado. ENTREVISTADORA: Mas nessas mudanças estruturais, esse veículo atende o Mercedes? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Atende, atende. Vai mudar um pouco a bateria no Scania ou no Volkswagen, dependendo do comprimento, vai mudar um pouco. Nesse chassi novo da Mercedes, pode mudar. Mas aí é o ajuste de carroceria que nós já fazemos. Quando você encarroça um 1721 da Mercedes-Benz, é diferente do que você encarroça um 17210 da Volkswagen. ENTREVISTADORA: E como você vê o mercado? Principalmente agora que a Mercedes lançou o eCity. MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: O mercado que eu vejo é o seguinte. Eu imagino que ele tem um bom potencial. Por quê? Porque a imensa maioria do Brasil é transportada por veículos de piso alto. Então, eu entendo que o potencial é grande. ENTREVISTADORA: Vocês vislumbram o volume? MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: Não, não dá. ENTREVISTADORA: O percentual de exportação, porque é uma saída, acaba sendo uma saída. PAULO CORSO: Nós ainda estamos, na exportação ainda estamos começando, mas nós já temos em torno de 15%. ENTREVISTADORA: E a ideia é aumentar para quanto? PAULO CORSO: Nós gostaríamos de aumentar. Vamos ver como a gente consegue e aonde a gente consegue aumentar. Acho a Argentina um bom potencial, apesar da crise que também passa a Argentina, mas acho um bom potencial, o Chile um bom potencial, o Peru um bom potencial, Paraguai, Uruguai um pouco menor, mas também a gente consegue e acho que é por aí. E mais os outros países. MAURÍCIO LOURENÇO DA CUNHA: A exportação do rodoviário é mais equilibrada e constante. ENTREVISTADOR: Assim como a concorrente, vocês têm produtos de prateleira? PAULO CORSO: Nós temos, a gente acabou não trazendo para cá porque iria conflitar com os nossos lançamentos. Então a gente deixou na fábrica, mas nós estamos aqui com uma lista de produtos e estamos oferecendo para o pessoal. São produtos que a gente fabrica, no caso do rodoviário, urbano não pode fazer isso, mas o rodoviário a gente faz, produtos prontos para vender. Double Decker, o 410, o FT, todos nós temos a pronta entrega. Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes