São Paulo prevê R$ 7,35 bilhões em subsídios aos ônibus e R$ 2,19 bilhões para eletrificação, R$ 500 milhões para veículos a biometano e gestão em 2027 Publicado em: 1 de outubro de 2026 Valor para subsídios proposto para 2027 é 18% maior que o previsto para 2026. Orçamento apresentado contempla ainda ônibus gratuitos aos domingos e prevê R$ 13,96 bilhões para a Secretaria de Mobilidade; valores dependem de aprovação da Câmara ADAMO BAZANI A Prefeitura de São Paulo propõe reservar R$ 7,35 bilhões para compensações tarifárias do sistema de ônibus em 2027, além de R$ 2,19 bilhões para eletrificação da frota e melhoria da gestão do transporte coletivo e R$ 500 milhões para renovação com veículos movidos a biometano. O projeto de orçamento encaminhado à Câmara Municipal contempla a continuidade dos ônibus gratuitos aos domingos e destina R$ 13,96 bilhões à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. A proposta também prevê recursos para BRTs, corredores, terminais, transporte aquático, Bonde São Paulo, atendimento a pessoas com deficiência, ciclovias, segurança viária e acessibilidade. Os subsídios ganham destaque diante da expansão dos aportes públicos: os valores informados pela SPTrans passaram de aproximadamente R$ 2,9 bilhões em 2017 para R$ 7,12 bilhões em 2025, crescimento nominal de 145,5%, enquanto a inflação pelo IPCA entre o fim de 2017 e o fim de 2025 foi de 50,6%. As diferenças contábeis entre os relatórios exigem cuidado nas comparações, mas a expansão reforça a importância de associar financiamento público a eficiência, fiscalização e qualidade para os passageiros. Os valores para 2027 constam do projeto de Lei Orçamentária Anual publicado no Diário Oficial da cidade nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026. São previsões sujeitas à análise dos vereadores e a alterações durante a tramitação e a execução do orçamento. O levantamento do Diário do Transporte considera tanto as dotações da Secretaria de Mobilidade como ações relacionadas aos deslocamentos da população distribuídas por outras áreas da Prefeitura. Os valores apresentados por ação não devem ser simplesmente somados ao orçamento da secretaria, porque parte deles já está incluída nesse total. Também é necessário distinguir despesas para manter os serviços, investimentos em infraestrutura e fontes de financiamento. Subsídios somam R$ 7,347 bilhões, com recursos contabilizados em Mobilidade e Educação A proposta reserva exatamente R$ 7.347.161.964 para a ação “Compensações Tarifárias do Sistema de Ônibus”, considerando o conjunto do orçamento municipal. Desse montante, R$ 7.244.158.849 estão na Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e R$ 103.003.115 na Secretaria Municipal de Educação. Essa distribuição explica por que a consulta apenas ao orçamento da Mobilidade apresenta um valor inferior aos R$ 7,35 bilhões do total municipal. O demonstrativo também separa os recursos por natureza da despesa. Assim, os R$ 7,35 bilhões não estão integralmente registrados como custeio corrente da operação. A ação de compensações contempla uma parcela de capital, que deve ser acompanhada separadamente durante a execução. A dotação de R$ 2,19 bilhões para eletrificação e melhoria da gestão é outra ação orçamentária. Portanto, não corresponde aos R$ 862,18 milhões de capital registrados nas compensações tarifárias. Previsão dos subsídios para 2027 é 18% superior à dotação original de 2026 O orçamento original de 2026 reservou R$ 6.225.023.714 para compensações tarifárias. A proposta de R$ 7.347.161.964 para 2027 representa uma diferença de R$ 1.122.138.250, equivalente a aproximadamente 18%. Essa comparação envolve dotações iniciais. O valor originalmente aprovado para 2026 pode ser modificado por suplementações e outras alterações ao longo do exercício. Em relação aos R$ 7,12 bilhões informados pela SPTrans para 2025, a proposta de 2027 é aproximadamente 3,2% maior. Nesse caso, a comparação envolve um valor histórico informado e uma previsão futura. O fechamento da execução de 2026 será necessário para estabelecer quanto efetivamente foi destinado ao sistema neste ano. Evolução desde 2017 mostra expansão dos subsídios; diferenças contábeis precisam ser consideradas Os documentos oficiais apresentam compensações por diferentes critérios, como competência, recursos recebidos e desembolsos. Também registram pagamentos feitos em um ano para despesas de exercícios anteriores. No regime de competência, a despesa é associada ao período em que ocorreu. Já o registro de recursos recebidos acompanha a entrada do dinheiro. Os dois critérios podem produzir valores diferentes para um mesmo ano. Por isso, a variação publicada em determinado relatório nem sempre pode ser reproduzida dividindo os valores arredondados apresentados em documentos distintos. A tabela reúne os valores encontrados nos relatórios e demonstrativos oficiais. Na coluna de variação, foram mantidas comparações identificadas no respectivo documento ou em uma mesma base de referência. Fonte: relatórios da SPTrans e demonstrativos oficiais da Prefeitura. Valores em reais correntes. Os percentuais publicados pela SPTrans utilizam as bases dos respectivos relatórios, não necessariamente os valores arredondados exibidos na tabela. Em 2022, a distinção é especialmente relevante. O demonstrativo comparativo publicado no relatório de 2023 identifica R$ 4,891 bilhões em “Compensações Tarifárias do Sistema Ônibus” para o exercício anterior. Valores próximos de R$ 5,1 bilhões também aparecem em documentos daquele período, mas abrangem um conjunto maior de recursos municipais recebidos. Tratar os dois montantes como se fossem a mesma rubrica produziria uma comparação anual incorreta. O valor de R$ 4,891 bilhões na classificação específica também aparece em documentação do Tribunal de Contas do Município. Os relatórios registram ainda que, em 2023, foram pagos R$ 157,9 milhões referentes a 2022. Em 2024, houve pagamento de R$ 237,8 milhões referentes a 2023. Essas diferenças de calendário ajudam a explicar por que recursos recebidos, despesas do exercício e pagamentos realizados não são medidas idênticas. A expansão mais intensa aparece no período posterior a 2021. Depois de aproximadamente R$ 3,3 bilhões naquele ano, a rubrica específica alcançou R$ 4,891 bilhões em 2022 e R$ 5,3 bilhões em 2023. O relatório de 2024 informa crescimento de 26,2%, seguido de mais 6,9% em 2025. Alta nominal de 145,5% supera IPCA de 50,6% entre dezembro de 2017 e dezembro de 2025 Tomando os valores informados de aproximadamente R$ 2,9 bilhões em 2017 e R$ 7,12 bilhões em 2025, a expansão nominal foi de R$ 4,22 bilhões, equivalente a 145,5%. Para comparar os níveis de preços no fim desses dois anos, o cálculo do IPCA utiliza a composição das taxas de 2018 a 2025. O resultado é aproximadamente 50,6%. A inflação não é calculada pela simples soma dos percentuais anuais. Cada taxa incide sobre o nível de preços já atualizado pelo ano anterior. Fonte: IBGE. A taxa de 2017 é apresentada para consulta, mas não entra no cálculo entre dezembro de 2017 e dezembro de 2025, porque já está incorporada ao nível de preços da data inicial. Por essa referência, R$ 2,9 bilhões no fim de 2017 corresponderiam a aproximadamente R$ 4,37 bilhões no fim de 2025. O valor informado para 2025, de R$ 7,12 bilhões, fica cerca de 63% acima desse montante corrigido. Cálculos do Diário do Transporte com os valores históricos informados e as taxas anuais do IBGE. A comparação indica a dimensão do crescimento, considerando as diferenças contábeis entre documentos. A correção utiliza preços de fim de ano, não preços médios de cada exercício. O IPCA mede a inflação ao consumidor e serve como referência geral. Ele não reproduz exatamente a estrutura de custos dos ônibus, que envolve salários, combustíveis, energia, pneus, peças, manutenção, veículos e condições contratuais. Assim, crescer acima do IPCA não comprova, isoladamente, desperdício. Ao mesmo tempo, a expansão exige que a administração explique os fatores responsáveis e demonstre os resultados entregues à população. Subsídios sustentam tarifa acessível e benefícios, mas precisam ser aplicados em uma rede eficiente A compensação tarifária cobre a diferença entre a arrecadação do sistema e os custos reconhecidos na remuneração dos serviços contratados. O financiamento público permite distribuir parte desse custo pelo orçamento municipal, em vez de concentrá-lo no passageiro que paga a passagem. Também sustenta políticas como gratuidades e integração tarifária. O transporte beneficia a cidade além das pessoas que utilizam os ônibus. O acesso ao trabalho, à educação, à saúde, ao comércio e aos serviços depende das condições de deslocamento da população. Durante a pandemia, a arrecadação caiu com a redução dos deslocamentos, enquanto o transporte precisava continuar funcionando. Posteriormente, mudanças nas gratuidades e a manutenção da tarifa por vários anos também afetaram a necessidade de recursos públicos. Em 2025, a SPTrans informou arrecadação tarifária de R$ 5,01 bilhões e remuneração das concessionárias, incluindo o Atende+, de R$ 12,28 bilhões. Esses indicadores possuem abrangências próprias e não devem ser subtraídos como se produzissem, automaticamente, o valor exato de uma única rubrica de subsídio. A avaliação da eficiência precisa considerar quanto o sistema entrega pelo dinheiro aplicado: viagens cumpridas, intervalos, velocidade comercial, lotação, disponibilidade da frota, manutenção, acessibilidade e confiabilidade das informações aos passageiros. Corredores e prioridade semafórica também entram nessa conta. Quando um ônibus fica menos tempo preso no trânsito, pode realizar o percurso com maior regularidade e aproveitar melhor veículos e equipes. O ganho depende do planejamento e da operação efetiva da rede. Eficiência também envolve cobertura territorial. Uma linha pouco movimentada pode ser necessária para garantir acesso a bairros afastados ou atender períodos de menor demanda. O planejamento precisa equilibrar produtividade e necessidades sociais. O acompanhamento público deve permitir verificar custos, remuneração contratual e qualidade por operador e região, além da aplicação dos recursos destinados à renovação da frota. A existência de subsídio não elimina a necessidade de fiscalização. Ao contrário, o uso de recursos públicos exige controle da operação, cumprimento dos contratos e demonstração dos benefícios para os passageiros. Ônibus gratuitos aos domingos continuam contemplados no orçamento O texto do projeto estabelece que os custos necessários à manutenção da gratuidade aos domingos estão contemplados na proposta. Isso mantém a previsão orçamentária para a política de tarifa zero dominical. Os R$ 7,35 bilhões das compensações, entretanto, financiam o conjunto do sistema e de suas políticas tarifárias. O projeto não apresenta, nessa rubrica agregada, um valor exclusivo para o programa de domingo. A previsão orçamentária também não estabelece a tarifa dos demais dias de 2027. A definição tarifária exige procedimento próprio. R$ 2,19 bilhões contemplam eletrificação e gestão; biometano tem ação separada de R$ 500 milhões A proposta destina R$ 2.189.344.825 à ação “Eletrificação da Frota e Melhoria da Gestão do Sistema de Transporte Coletivo”. O nome da ação importa: a dotação combina transição da frota e aprimoramento da gestão. Portanto, o orçamento não permite afirmar que todo o valor será utilizado exclusivamente na compra de ônibus elétricos. A rubrica agregada também não apresenta uma divisão suficiente para calcular quantos veículos serão adquiridos ou quanto será destinado a cada componente. Em outra ação, a Prefeitura propõe R$ 500 milhões para “Renovação da Frota por Veículos Movidos a Biometano”. Juntas, as duas dotações chegam a R$ 2.689.344.825, mas possuem finalidades próprias. As duas ações estão classificadas como despesas de capital, na modalidade de auxílio para investimentos, e indicam operações de crédito como fonte de recursos. Sua execução está vinculada à viabilização do financiamento previsto e aos instrumentos necessários para aplicar os recursos. A dotação não equivale a dinheiro já desembolsado nem a encomendas concluídas. Para a eletrificação produzir resultados, a execução precisa compatibilizar veículos, recarga, capacidade das instalações elétricas, operação das garagens e manutenção. No biometano, também é necessário acompanhar abastecimento, fornecimento do combustível e desempenho operacional. A comparação entre tecnologias deve considerar o custo ao longo da vida útil e os resultados ambientais, além do preço inicial de aquisição. BRT Radial Leste tem R$ 484,98 milhões; ações do Aricanduva somam R$ 244,98 milhões O orçamento consolidado reserva R$ 484.979.001 para o BRT Radial Leste. Para o Corredor Aricanduva, os recursos estão distribuídos entre obras, tecnologia, controle operacional, gerenciamento e acompanhamento ambiental e social. A distribuição mostra que a previsão vai além da obra física do corredor. Contempla também os sistemas e serviços necessários ao acompanhamento e à gestão do empreendimento. Sistemas inteligentes de transporte são ferramentas de tecnologia utilizadas para apoiar o monitoramento, o controle e a informação operacional. Já o Centro de Controle Operacional concentra o acompanhamento dos serviços e permite identificar situações que exigem intervenção na operação. As dotações anuais não equivalem ao custo total dos projetos nem garantem, isoladamente, sua conclusão em 2027. Os cronogramas dependem da execução dos contratos e das etapas técnicas de cada intervenção. Outros corredores recebem recursos para construção, acessibilidade, requalificação e manutenção Além dos BRTs identificados nominalmente, o projeto prevê outras ações para a infraestrutura dos ônibus. Fonte: orçamento municipal consolidado. Os valores reúnem dotações distribuídas por diferentes órgãos e fundos. Obras relacionadas ao transporte não estão integralmente concentradas na Secretaria de Mobilidade. A contraprestação da parceria público-privada dos terminais é uma obrigação contratual distinta da construção de novos equipamentos. Por isso, o montante não deve ser apresentado como se fosse integralmente destinado a novos terminais. Para os passageiros, essa infraestrutura interfere nas condições de embarque, transferências, proteção contra o tempo, acessibilidade e circulação dentro dos equipamentos. A manutenção dos corredores também é relevante para a regularidade. Pavimento em condições adequadas, pontos acessíveis e áreas de embarque conservadas fazem parte da qualidade do serviço. Bonde São Paulo tem R$ 1,38 bilhão previsto, com fontes de convênio e empréstimos A ação “Implantação do Bonde São Paulo — Veículo Leve Elétrico” soma R$ 1.380.005.000 no orçamento consolidado. Desse total, R$ 1,38 bilhão está na Secretaria de Mobilidade: R$ 380 milhões com fonte de convênio e R$ 1 bilhão com fonte de operações de crédito. Os R$ 5 mil restantes aparecem em outra dotação. A classificação indica as fontes previstas, mas não demonstra que o município já recebeu os recursos ou concluiu as contratações necessárias. A execução precisa ser acompanhada pelos projetos, contratos e cronogramas específicos do empreendimento, que estabelecerão características técnicas e etapas de implantação. Transporte aquático recebe R$ 29 milhões para operação e R$ 7,14 milhões para implantação A manutenção e operação do transporte público hidroviário têm previsão de R$ 29.004.383. A implantação do modal aparece com R$ 7.143.532 no orçamento consolidado. São finalidades diferentes: uma sustenta a operação; a outra permite intervenções de implantação. A utilidade do transporte aquático depende também da conexão com os ônibus e das condições de acesso aos pontos de embarque. Por isso, a avaliação deve considerar o deslocamento completo: acesso ao atracadouro, espera, travessia e integração com os demais serviços. Bilhete Único, gestão operacional e manutenção do transporte têm dotações próprias Além das compensações tarifárias e da renovação da frota, o orçamento contempla ações de suporte ao funcionamento do transporte. O SMGO é o Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional. Sua utilização pode apoiar a identificação de atrasos, falhas e desequilíbrios na oferta. O resultado precisa ser medido pela capacidade de melhorar a operação e as informações disponíveis à população. As rubricas são distintas das compensações tarifárias. Todo o orçamento do transporte, portanto, não pode ser tratado como pagamento de subsídios às empresas de ônibus. Atende tem R$ 235,55 milhões; transporte escolar soma R$ 996,07 milhões na Educação O transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, na ação do Atende, recebe previsão de R$ 235.545.042. O valor está dividido em R$ 218.416.991 de despesas correntes e R$ 17.128.051 de capital. Já o transporte escolar aparece em ações próprias da Secretaria de Educação, que somam R$ 996.070.910. Esse total é separado dos R$ 103 milhões registrados na Educação para compensações tarifárias do sistema de ônibus. A distinção evita confundir serviços específicos de transporte escolar com benefícios e recursos relacionados ao transporte coletivo regular. São despesas que também integram a mobilidade da cidade, embora estejam contabilizadas fora da Secretaria de Mobilidade. Ciclovias, ciclofaixas e Bike SP recebem recursos para construção, manutenção e lazer A proposta contempla tanto a infraestrutura permanente para bicicletas como as ciclofaixas de lazer. Fonte: orçamento municipal consolidado. A diferença entre os valores evidencia a necessidade de observar cada finalidade. Uma ação com dotação pequena não representa, por si só, um programa de obras de grande alcance. Para avaliar os resultados, é necessário acompanhar conexão entre os trechos, conservação, segurança nos cruzamentos e acesso aos terminais e demais destinos. Trânsito e segurança viária incluem semáforos, sinalização, fiscalização e educação Os serviços de engenharia de tráfego somam R$ 1.338.614.765 no orçamento consolidado. Dentro da Secretaria de Mobilidade, a parcela dessa ação é de R$ 1.093.186.936. Outras dotações aparecem separadamente. Fonte: orçamento municipal consolidado. Essas ações afetam os deslocamentos de pedestres, ciclistas, passageiros e motoristas. Também interferem na regularidade dos ônibus, especialmente nos cruzamentos e trechos sujeitos a congestionamentos. Os resultados devem ser acompanhados por indicadores de segurança, funcionamento dos equipamentos e condições de circulação, além da execução financeira. Calçadas, pavimentação, pontes e intervenções viárias também fazem parte dos recursos relacionados à mobilidade As despesas relacionadas aos deslocamentos incluem obras de infraestrutura distribuídas por outras áreas municipais. Fonte: orçamento municipal consolidado. As duas últimas ações utilizam a denominação técnica “obras de arte especiais”, aplicada a estruturas como pontes e viadutos. Calçadas acessíveis e travessias adequadas são parte do transporte público: o deslocamento começa antes do embarque e continua depois que o passageiro deixa o veículo. As dotações agregadas precisam ser acompanhadas pelos projetos e contratos correspondentes para identificar a localização, o alcance e o cronograma de cada intervenção. Participação municipal em transporte sobre trilhos tem R$ 23,47 milhões A proposta inclui R$ 23.467.443 na ação “Participação no Sistema de Transporte sobre Trilhos”. Trata-se de uma previsão municipal de participação, distinta do orçamento estadual dos sistemas ferroviários e metroviários. A aplicação deverá ser acompanhada pelos instrumentos específicos que identificarem os empreendimentos e a destinação dos recursos. Dotações pequenas mantêm ações no orçamento e exigem atenção ao alcance da execução O projeto contém valores de R$ 5 mil ou R$ 10 mil em determinadas ações. É o caso de R$ 5 mil para construção de faixas exclusivas, R$ 10 mil para sua requalificação e R$ 5 mil para manutenção. A acessibilidade, ampliação, reforma e requalificação de terminais também aparece com R$ 10 mil em uma ação específica. Essas dotações mantêm a identificação da ação no orçamento, mas não sustentam a conclusão de que existe um programa amplo de execução financiado por esses valores. Parte dos serviços relacionados pode estar em contratos e ações mais abrangentes. O acompanhamento precisa identificar a rubrica efetivamente utilizada. Orçamento da Secretaria de Mobilidade reúne projetos, funcionamento dos serviços e despesas administrativas Dos R$ 13.962.128.317 previstos para a Secretaria de Mobilidade, R$ 4.186.015.363 estão classificados como projetos e R$ 9.776.112.954 como atividades. Essa classificação não é idêntica à divisão entre despesas correntes e de capital. Uma atividade também pode conter despesas de capital, como ocorre nas compensações tarifárias. Entre as dotações de suporte estão: O orçamento da secretaria reúne subsídios, infraestrutura, tecnologia, serviços e obrigações administrativas. Não corresponde integralmente à compra de veículos ou à remuneração da operação dos ônibus. Prefeitura propõe autorização para R$ 5,2 bilhões em empréstimos ligados à infraestrutura e ao transporte O projeto propõe autorização para operações de crédito em dois grupos. O segundo grupo contempla implantação, expansão e modernização da infraestrutura do transporte coletivo. Os valores correspondem ao principal proposto. Juros e demais encargos precisam ser considerados na avaliação financeira dos contratos. A autorização não equivale à contratação imediata dos empréstimos nem ao recebimento integral dos recursos. Também não se deve somar automaticamente os R$ 5,2 bilhões ao orçamento da Mobilidade como se fossem investimentos adicionais já garantidos. Operações de crédito podem financiar despesas que já aparecem nas dotações da proposta. Após a votação, execução precisará ser acompanhada por contratos, entregas e qualidade para o passageiro O projeto de orçamento de 2027 tramita na Câmara Municipal como PL 752/2026. A proposta fiscal total do município é de R$ 146,52 bilhões. A análise dos vereadores poderá alterar valores e prioridades. Depois da aprovação e sanção, a execução dependerá das receitas, dos financiamentos e dos procedimentos necessários a cada despesa. No transporte, o acompanhamento precisa alcançar o serviço prestado: regularidade das linhas, acessibilidade, conservação, disponibilidade dos veículos, funcionamento dos terminais e resultados da renovação da frota. Os subsídios ajudam a tornar o transporte acessível e a sustentar benefícios definidos pelo poder público. Sua expansão torna ainda mais necessário demonstrar que os recursos financiam uma rede eficiente, fiscalizada e capaz de atender às necessidades diárias da população. Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes