Nelson Leoni, CEO da startup, fala sobre parceria com a Nvidia e planos de crescimento até 2027
A WideLabs, startup brasileira de inteligência artificial (IA), quer priorizar mercados de língua portuguesa e espanhola na expansão internacional que projeta concluir até o final de 2027. O plano foi detalhado pelo cofundador e CEO, Nelson Leoni, em entrevista ao IT Forum durante o SP2B (São Paulo Beyond Business), festival de inovação e negócios que ocupou o Parque Ibirapuera, em São Paulo, entre os dias 9 e 16 de agosto.
A companhia já opera em El Salvador e no Chile e começa a atender um contrato em Portugal. Segundo Leoni, a WideLabs é a única representante latino-americana da coalizão Nemotron, iniciativa estratégica da Nvidia que reúne parceiros de tecnologia em diferentes países. O executivo lembra que o CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresentou um mapa-múndi com os integrantes da coalizão em uma conferência. “Na América Latina, só tinha a gente ali”, afirma.
Para o cofundador, o conceito de soberania tecnológica sustenta esse movimento. “Soberania, por essência, precisa dar independência tecnológica ao país ou à empresa que a adota”, afirma. Na prática, isso significa adaptar a solução às necessidades do cliente, e não o contrário. “Não é o cliente que se adapta à nossa tecnologia. É a nossa tecnologia que se adapta ao que ele precisa”, diz. Na avaliação de Leoni, a lógica proporciona independência tecnológica às organizações e um senso de pertencimento aos países que adotam essas soluções.
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O momento político global também é visto como uma vantagem competitiva para companhias brasileiras de IA. “Ser brasileiro passou a ser um diferencial competitivo. Somos neutros, e isso gera uma escala natural: estamos trazendo uma solução de um país irmão, que enfrenta problemas parecidos e que já resolvemos ou estamos resolvendo”, afirma. Ele descarta, porém, a ideia de uma disputa direta com o Chile pelo posto de polo de IA na região. “É um formato, visão e estratégia diferente. Mas temos capacidade interna para isso”, diz.
Na escolha dos próximos mercados, o critério é principalmente linguístico. “Se o mercado fala espanhol ou português, a chance de estarmos lá é muito maior, porque é algo mais familiar para nós”, afirma, citando francês, alemão e árabe como exemplos de idiomas que exigiriam maior adaptação. “Projetamos uma expansão e um crescimento muito acelerados até o final de 2027”, completa.
Ao falar sobre sua trajetória como líder, Leoni recorre a uma metáfora. “Aprendi que uma empresa é uma engrenagem: por menor que seja a peça, se ela falha, quebra a engrenagem inteira”, afirma. A ideia orienta a gestão atual, baseada no reconhecimento das diferentes funções e na descentralização das decisões. “Procurei me cercar de pessoas mais inteligentes que eu. Descentralizamos, mas, mais do que isso, empoderamos as pessoas para tomar decisões e para brilhar”, diz.
A definição de um propósito é apontada como o segundo pilar da liderança. “A WideLabs tem o propósito de gerar impacto real na vida das pessoas por meio da inteligência artificial”, afirma. O terceiro é o que chama de eficiência de desempenho, que envolve reconhecer erros rapidamente, inclusive em processos de contratação.
Para Leoni, a percepção de liderança pela equipe depende de o gestor se colocar como parte da engrenagem, e não como seu centro. “Nenhum líder é percebido como tal se não entender que está sendo viabilizador para o time executar o que a empresa está fazendo. Sou uma das peças, não a principal”, afirma. “Não há ninguém na empresa acima da WideLabs; ela é o centro da organização e isso precisa ser reconhecido por todos”, completa.
Na formação da companhia, o executivo aponta três elementos como fundamentais: um objetivo comum entre os fundadores, confiança absoluta entre eles e honestidade sobre o que a organização consegue ou não fazer internamente. “Nem todo mundo vai fazer parte da empresa. Tivemos que entender quem tinha o perfil, entender que cada um tem um papel específico, respeitar e valorizar esse papel. Foi assim que fomos formando o grupo e crescendo”, diz.
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