Moedas árabes de 1200 anos são encontradas em floresta na Polônia perto de antigo porto viking
Seis dirhams de prata do século IX e dois fragmentos foram localizados durante uma busca legal na região de Młynary; pesquisadores investigam ligação com as rotas comerciais de Truso
Seis moedas de prata cunhadas no mundo islâmico há cerca de 1.200 anos foram encontradas em uma floresta próxima a Elbląg, no norte da Polônia. O achado, divulgado em 26 de setembro, ocorreu na região de Młynary durante uma busca autorizada. As peças são dirhams datados preliminarmente da primeira metade do século IX. Também foram identificados dois fragmentos de moedas de prata. O conjunto pode estar relacionado às rotas comerciais que levavam ao antigo entreposto de Truso, um dos mais importantes centros de comércio da Era Viking no sul do mar Báltico.
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As moedas foram localizadas por um detectorista durante uma busca legal e posteriormente comunicadas às autoridades responsáveis pela preservação do patrimônio arqueológico. O material foi encaminhado ao Museu Arqueológico e Histórico de Elbląg, onde será analisado por especialistas.
Segundo Jakub Jagodziński, do museu, as peças podem ter continuado em circulação por muito tempo depois de sua fabricação. Embora sejam datadas do século IX, existe a possibilidade de que tenham sido utilizadas até o fim do século X ou o início do século XI, período próximo ao encerramento das atividades de Truso.
A análise numismática deverá ajudar a determinar com maior precisão a idade das moedas e os locais onde foram cunhadas. Essas informações podem contribuir para reconstruir as rotas percorridas pela prata até chegar à região do atual norte da Polônia.
Prata do mundo islâmico nas rotas vikings
A presença de dirhams na região não é inédita. Em 1986, um depósito encontrado no próprio sítio arqueológico de Truso continha 11 moedas inteiras e cinco fragmentos. Entre os exemplares estavam peças cunhadas em Bagdá e Damasco.
A descoberta também ajuda a ilustrar uma característica do comércio medieval: as moedas podiam ser utilizadas não apenas como dinheiro, mas pelo valor do próprio metal. Quando uma transação exigia uma quantidade menor de prata, uma moeda podia ser cortada em partes.
Por isso, fragmentos são frequentes em achados arqueológicos ligados às rotas comerciais da época. Segundo o arqueólogo Grzegorz Kurka, moedas inteiras aparecem com menos frequência do que pedaços de prata cortados de acordo com a necessidade de cada pagamento.
Truso ficava às margens do lago Druzno, em uma posição estratégica para as conexões entre o mar Báltico e o interior da Europa. O entreposto fazia parte de uma ampla rede comercial que alcançava a Rus de Kiev, Bizâncio e territórios do mundo islâmico.
A origem dos proprietários das moedas encontradas em Młynary ainda é desconhecida. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que elas tenham pertencido a comerciantes que percorriam as rotas ligadas a Truso. Outra possibilidade é que tenham sido utilizadas por guardas prussianos responsáveis pela cobrança de pedágios nas estradas que levavam ao entreposto.
A localização exata de Truso permaneceu desconhecida durante séculos até ser identificada por arqueólogos nas proximidades de Elbląg no século XX. O assentamento, associado à presença escandinava, funcionou como centro comercial e artesanal e já revelou objetos provenientes de diferentes regiões da Europa e do Oriente.
Os seis dirhams e os fragmentos serão conservados e estudados antes de serem incorporados ao acervo do Museu Arqueológico e Histórico de Elbląg. Arqueólogos também devem retornar ao ponto onde as moedas foram encontradas para verificar se existem outros vestígios que possam esclarecer por que a prata foi deixada naquele local há mais de mil anos.