Principais tópicos abordados: Eletrificação de frotas pesadas, tecnologia de troca rápida de baterias (battery swapping) e novos modelos de financiamento e comercialização de caminhões elétricos.
Resumo prático para o setor de transporte:
A introdução do modelo de troca rápida de baterias em caminhões elétricos — onde o componente é alugado separadamente do veículo — reduz drasticamente o alto custo inicial de aquisição da frota para transportadoras e frotistas. Na prática contábil e fiscal, essa separação entre a compra do chassi/veículo e a locação ou consumo do serviço de energia/bateria exigirá atenção na gestão de contratos de longo prazo, créditos tributários e na contabilização do ativo imobilizado versus despesas operacionais. Até o momento, a notícia não detalha impactos específicos sobre ICMS, PIS/COFINS, Reforma Tributária ou emissão de documentos fiscais (CT-e, MDF-e), tratando-se ainda de uma tendência tecnológica e de modelo de negócio em expansão.
Fabricantes chinesas vêm investindo em um modelo alternativo à recarga convencional de caminhões elétricos pesados: a troca rápida de baterias, sistema em que uma unidade descarregada é removida por equipamento automatizado e substituída por outra já carregada, em uma operação que leva poucos minutos, tempo comparável ao de um abastecimento convencional a diesel.
A fabricante de baterias CATL (Contemporary Amperex Technology Co. Limited) é a principal responsável por impulsionar esse modelo no mercado chinês. A empresa lançou em 2023 a solução QIJI Energy voltada a caminhões pesados e, em 2025, anunciou um bloco de bateria padronizado, batizado de 75#, além de uma proposta de rede nacional de pontos de troca.
Os números do mercado chinês ajudam a dimensionar o movimento: segundo a organização de pesquisa ICCT, foram vendidos 68,3 mil caminhões pesados compatíveis com troca de bateria na China em 2025, alta de 131% em relação a 2024. A meta da CATL é cobrir, até 2030, 80% da capacidade de transporte rodoviário de longa distância do país com infraestrutura de troca de baterias.
A Sinotruk, maior fabricante de caminhões pesados da China, está entre as montadoras que adotaram o padrão, que tem como principal atrativo evitar os longos tempos de recarga que ainda limitam a adoção de caminhões elétricos convencionais em operações de longa distância.
O modelo também abre caminho para uma mudança na forma de comercializar os veículos: ao separar a propriedade do caminhão da propriedade da bateria, transportadoras podem comprar o veículo sem precisar arcar com o custo da bateria, pagando apenas uma tarifa de uso pelo serviço de troca, o que reduz o investimento inicial necessário para eletrificar a frota.
As aplicações mais indicadas para o modelo são operações de rota fixa e alta previsibilidade, como mineração, terminais portuários e transporte interno de cargas, cenários em que a infraestrutura de troca pode ser concentrada em poucos pontos estratégicos.
O avanço chinês chega em um momento em que transportadoras brasileiras também começam a testar a eletrificação de frotas pesadas, caso da gaúcha Navarini, que acaba de adquirir 251 caminhões elétricos para rotas de longa distância ligadas ao agronegócio — um indicativo de que, se o modelo de baterias trocáveis amadurecer, ele pode eventualmente chegar também a corredores logísticos brasileiros, incluindo rotas que hoje dependem do transporte rodoviário de cargas agrícolas no oeste da Bahia.
Fonte: Frota&Cia