Principais Tópicos: Entretenimento, televisão, cultura e carreira artística.
Esta notícia trata de uma entrevista com a atriz Patrícia França sobre seu retorno à Rede Globo para atuar em uma nova produção do Globoplay. O texto aborda sua trajetória artística, os desafios de interpretar uma obra baseada em Nelson Rodrigues e reflexões sobre maturidade e etarismo na televisão. O conteúdo não apresenta nenhuma informação relacionada a rodovias, custos de transporte, legislação de trânsito, regras da ANTT ou documentação de motoristas e veículos.
Por Anna Luiza Santiago
Patrícia França fala do retorno à Globo em nova novela e da vida aos 55 anos
Após cerca de 11 anos, Patrícia França está de volta à Globo. Ela fará a mãe da personagem de Larissa Bocchino em “Paraíso perdido”, nova novela do Globoplay. Seu papel mais recente na emissora até então foi em “Malhação: Sonhos”. Ela fala sobre o retorno:
— Vi algumas diferenças e estou me adaptando, mas encontrei um ambiente muito acolhedor. Isso me chamou bastante atenção. Quando estamos no acolhimento, nos adaptamos facilmente às mudanças. O novo é sempre um lugar estranho, mas tem sido um processo muito feliz. O elenco é bastante novo para mim, não tem ninguém com quem eu já tenha trabalhado. A atriz que faz a minha filha, Larissa Bocchino, curiosamente, é parecida comigo. Ela é uma ótima atriz e uma ótima colega. Estrear no Globoplay também é muito bom. É tudo como se fosse cinema, as câmeras são de cinema, e fazer cinema é sempre um presente para o ator. Eu não fiz muito cinema na minha carreira. E estar de volta à casa onde eu comecei… Eu era muito nova quando cheguei, tinha 17 anos. Fiquei muitos anos na Globo, depois fui para a Record e, durante esses 10 anos, quase não fiz televisão.
Natural de Recife, onde já tinha uma carreira como atriz, Patrícia chegou ao Rio para estrelar a minissérie “Tereza Batista”, adaptação da obra de Jorge Amado. Agora, ela reestreia na Globo em uma novela baseada em quatro obras de Nelson Rodrigues.
— É um desafio muito grande. Curiosamente, está me remetendo a quando eu tinha 17 anos, que eu vim para fazer “Teresa Batista”. São autores muito diferentes, histórias muito diferentes, mas o fato de ser Nelson Rodrigues me coloca num lugar de desafio, porque eu nunca fiz nada dele. Ele tem uma linguagem muito própria. É novo, para mim, nesse sentido. A novela tem tudo para ser um grande sucesso. E eu acho muito importante falar sobre Nelson Rodrigues. Acho que é salutar incluí-lo na teledramaturgia. O Nelson tem uma leitura do Brasil, do povo brasileiro, muito própria, mas muito realista e que nos leva a muitas reflexões sobre quem nós somos. Ele é muito catártico. E eu acho que poder estar inserida nesse contexto é muito bom. Mas é isso, a expectativa é prima-irmã da frustração. Eu costumo não ter expectativa, eu tenho fé. A fé é prima-irmã da esperança — afirma ela.
Patrícia revela ter feito um teste para o papel:
— O teste é muito democrático, porque não é sobre se você consegue ou não consegue, é sobre se o personagem se adequa a você ou não, se ele te quer ou não. Eu tenho me perguntado por que essa personagem me escolheu. Acho que há um propósito nisso. Acredito que tudo na vida tem um porquê, um propósito que a gente só entende muito depois que acontece. E foi isso que aconteceu.
Aos 55 anos, a atriz é muito elogiada nas redes por sua jovialidade e por manter praticamente a mesma aparência de quando estreou na TV. Ela afirma ficar feliz com os elogios, mas não os deixa subir à cabeça:
—Nunca devemos nos deixar iludir, nem por elogio nem por crítica. Não vou mentir. Eu fico lisonjeada, sim. Eu me dou esse direito. Mas o que as pessoas veem são fotografias. Eu não mudei, eu não pintei o cabelo, meu cabelo mantém a mesma cor. A sobrancelha mudou, claro, porque eu tinha uma sobrancelha mais espessa. Mas as pessoas não estão me vendo pessoalmente. E o que eu quero mesmo, o que eu pretendo, é fazer com que as pessoas me vejam além da minha aparência. E quanto mais o tempo passa, mais eu tenho essa certeza de que não dá para nos valermos da juventude. Nunca deu. Quando eu fui fazer “Tereza Batista”, tinha uma coisa de musa, né? E que bom também, mas eu não me via linda. Às vezes eu vejo coisas de quando eu era muito jovem e falo: “Nossa, eu era bonita”. E pode soar como falsa modéstia, mas não é. É porque eu não me ocupava, eu nunca me ocupei disso. Muito embora, e aí é uma dicotomia, eu sempre tenha sido muito vaidosa.
Ao ser questionada se acredita que há etarismo na televisão, Patrícia reflete:
— Hoje se fala muito sobre etarismo, mas, na verdade, ele sempre existiu, só que não tinha nome. O público que se queixa por ver menos veteranos na TV faz parte de um grupo grande de pessoas que via as novelas de 10, 20 anos atrás e que quer rever aquele ator ou atriz contando novas histórias. O noveleiro raiz, ao meu ver, tem uma sensação de pertencimento quando vê a mesma atriz ou ator, hoje, que via no passado. Assim como no futebol o brasileiro quer escalar o elenco. Eu tenho visto pessoas na minha faixa etária na televisão, pessoas mais velhas também. É muito importante que o audiovisual traga pessoas com mais de 50 anos para a tela.
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A atriz é mãe de Fernanda, de 26 anos, do casamento com Paulo Lins, e de Gabriel, de 16, da união com o empresário Wagner Pontes. Atualmente, ela está solteira. Ela conta que não faz planos de se casar novamente:
— Eu entendi que a felicidade é uma escolha. A gente escolhe. Então, eu escolhi ser feliz sozinha e eu estou muito bem assim. Estou muito confortável. Somos eu e os meus filhos, essa pequena família muito feliz e muito equilibrada. Agora, isso não quer dizer que eu não estou aberta para uma pessoa. Eu estou. Mas eu não posso botar uma pessoa no meio dessa equação, onde ela não possa realmente somar. Eu preciso de alguém que esteja do meu lado para somar, não para dividir. Se entrar uma pessoa na minha vida, eu percebo que ela eventualmente pode perturbar essa paz. E quando a gente perde a paz… A gente sabe o valor que ela tem. Então, eu realmente vou preferir continuar como eu estou. É isso. Mas eu estou aberta.