Principais Tópicos: Alta do preço do diesel S10 em setembro de 2026, risco de acionamento do gatilho para revisão do piso mínimo de frete pela ANTT e impactos operacionais e contratuais para o setor de transporte rodoviário.
Resumo Prático:
O preço médio do diesel S10 acumulou alta de 7,3% em setembro, alcançando R$ 7,16 por litro e aproximando-se do limite de 5% que obriga a ANTT a revisar a tabela do piso mínimo do frete. Na prática, transportadoras e frotistas devem atualizar imediatamente suas planilhas de custo operacional por quilômetro rodado e preparar seus sistemas para reajustar contratos e o Código de Identificação da Operação de Transporte (CIOT) assim que a nova tabela for publicada, evitando autuações com base na nova Lei do Frete. Não há alterações diretas em tributos (ICMS, PIS/COFINS) ou documentos fiscais (CT-e, MDF-e) nesta notícia, mas a gestão contábil exige atenção redobrada aos margens e à conformidade do CIOT.
O diesel S10 fechou setembro de 2026 cotado em média a R$ 7,16 por litro no Brasil, acumulando alta de 7,3% nos trinta dias anteriores, segundo levantamento do Painel do Transporte, da Mundo Logística, com dados apurados até 30 de setembro e divulgados no início de outubro. O avanço equivale a R$ 0,49 por litro em relação ao preço médio registrado um mês antes, de R$ 6,67.
O movimento chama atenção porque reaproxima o transporte rodoviário de cargas do mecanismo que obriga a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a revisar automaticamente a tabela do piso mínimo do frete sempre que o preço do diesel varia 5% ou mais em relação à última atualização, regra prevista desde a edição da Medida Provisória 1.343/2026.
A trajetória de preços ao longo de setembro mostrou volatilidade acentuada. O litro partiu de R$ 6,99 em 15 de setembro, chegou ao pico do mês entre os dias 22 e 24, a R$ 7,19, recuou levemente nos dias seguintes e voltou a fechar o período em R$ 7,16.
A última vez em que o gatilho foi oficialmente acionado ocorreu em março deste ano, quando o diesel atingiu média de R$ 7,35 por litro na semana de 15 a 21 de março. Na ocasião, a ANTT recalibrou os coeficientes da tabela do piso mínimo do frete, e o Ministério dos Transportes passou a acompanhar o indicador diariamente, embora o limite de 5% para acionamento automático tenha sido mantido.
Parte da pressão sobre o diesel no mercado interno tem origem externa. O petróleo Brent subiu cerca de 17% em dois meses e chegou a se aproximar de US$ 110 o barril em setembro, encerrando o mês perto de US$ 103. Em meados do mês, a defasagem entre o preço praticado pela Petrobras e a paridade de importação já era estimada em R$ 3,89 por litro, o que sinaliza possibilidade de novos repasses nas próximas semanas.
O impacto da alta também variou fortemente entre estados. Rio Grande do Sul (27,9%) e Santa Catarina (26,5%) lideraram os reajustes em trinta dias, seguidos por Pernambuco (19,5%), Distrito Federal (18,7%), Mato Grosso do Sul (17,9%) e Mato Grosso (16,3%), enquanto estados do Norte, como Roraima (2%) e Acre (7,9%), registraram variações bem mais moderadas.
Com a alta acumulada nacional já próxima do patamar que historicamente leva a agência a agir, cresce no setor a expectativa de que a ANTT publique, nas próximas semanas, nova resolução atualizando os valores mínimos do frete, repetindo o movimento feito em março. Até o momento, a agência não havia anunciado data para uma nova revisão.
Um eventual reajuste tende a afetar diretamente embarcadores e transportadoras, que precisam atualizar contratos e sistemas de emissão do CIOT para refletir os novos valores, sob risco de multas previstas pela Lei 15.485/2026, a chamada nova Lei do Frete.
Para as transportadoras baianas, que dependem fortemente de corredores de longa distância ligando o Nordeste aos polos consumidores do Sudeste e do Centro-Oeste, a alta do diesel eleva de forma imediata o custo por quilômetro rodado, pressionando a margem das empresas enquanto um eventual novo piso mínimo do frete não entra em vigor. O cenário reforça a necessidade de atualização constante das planilhas de custo operacional e de atenção redobrada ao cumprimento das regras do CIOT nas operações que partem ou chegam ao estado.
Fonte: Mundo Logística, com dados do Painel do Transporte