Resumo:
A transportadora TransJordano inaugura o "Corredor Verde", um eixo de 450 km entre Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão (SP) com infraestrutura de abastecimento de biometano voltada ao transporte de cargas. O projeto inicia com 10 caminhões a gás e prevê frota de 100 veículos até 2026, financiados pelo BNDES. Os postos de abastecimento, operados pela GarageLog, serão abertos para uso de outras transportadoras, oferecendo uma alternativa sustentável ao diesel.
Tópicos abordados:
* Transição energética e combustíveis alternativos (biometano)
* Infraestrutura rodoviária de abastecimento
* Financiamento para renovação de frota (BNDES)
* Sustentabilidade e redução de emissões no transporte rodoviário de cargas
TransJordano inaugura Corredor Verde com pontos de biometano abertos a outras transportadoras
A TransJordano, realiza no dia 7 de outubro, às 9h, a inauguração oficial do Corredor Verde, iniciativa voltada à ampliação do uso do biometano no transporte rodoviário de cargas. O evento acontecerá na unidade da TransJordano, em Sumaré (SP), e terá como marco o primeiro abastecimento oficial a biometano do Corredor Verde.
O momento será considerado o Marco Zero do projeto. A partir do dia seguinte, 8 de outubro, os 10 primeiros caminhões Scania 6×4 movidos a biometano entram em rota. Os demais veículos serão incorporados gradualmente ao longo dos próximos meses, até completar a frota de 100 caminhões em dezembro de 2026.
O Corredor Verde terá um eixo de aproximadamente 450 quilômetros com abastecimento a biometano, ligando Ribeirão Preto, passando por Sumaré e chegando a Cubatão, na região do Porto de Santos. Os três pontos de abastecimento entrarão em operação de forma escalonada: Sumaré em outubro, Ribeirão Preto em novembro e Cubatão em dezembro.
Com autonomia de até 700 quilômetros, os caminhões poderão atender cidades em um raio de até 350 quilômetros a partir de cada ponto de abastecimento, levando o alcance operacional do projeto a cerca de 1.150 quilômetros.
A inauguração integra o projeto anunciado pela TransJordano após a aprovação de R$ 140 milhões em financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O planejamento contempla a aquisição de 100 caminhões movidos a biometano, conjuntos de cilindros adicionais para ampliar a autonomia dos veículos e a implantação da infraestrutura de abastecimento nas regiões citadas. Do total aprovado, R$ 98 milhões são provenientes do Fundo Clima e R$ 42 milhões do programa BNDES Máquinas e Serviços.
Os caminhões são fornecidos pela Scania e o biometano pela Ultragaz. Com a frota completa, a estimativa é que os veículos percorram cerca de 5,5 milhões de quilômetros por ano utilizando biometano em substituição ao diesel, o equivalente a aproximadamente 17% de toda a quilometragem rodada pela TransJordano.
Segundo verificação independente do Bureau Veritas, o projeto deverá evitar 6.486,35 toneladas de CO₂ equivalente por ano, representando uma redução de 96% das emissões em comparação à mesma operação realizada com caminhões a diesel.
A proposta também prevê que a infraestrutura desenvolvida para o projeto possa atender outras transportadoras, ampliando o acesso ao biometano e contribuindo para a criação de uma estrutura capaz de estimular a adoção do combustível por outras operações do setor. Os pontos de abastecimento não serão exclusivos da TransJordano e estarão abertos a outras transportadoras. A falta de infraestrutura é hoje um dos principais obstáculos para ampliar a utilização do biometano nas operações de transporte.
Os pontos serão operados pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano que que já atua com pátio compartilhado e ponto de abastecimento para transportadores. Somente na unidade de Cubatão, a GarageLog recebe mais de 300 veículos por dia.
Para João Bessa, presidente da TransJordano, a abertura da infraestrutura para outras transportadoras é um dos pontos centrais do projeto. “Nenhum embarcador consegue reduzir as emissões do seu transporte se não houver onde abastecer. Por isso, o Corredor Verde nasce aberto: ele não é só da TransJordano, é do setor”, afirma.
O biometano é um combustível renovável produzido a partir do tratamento de resíduos orgânicos e desponta como uma das alternativas para a redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte. A implantação de estruturas de abastecimento é considerada um dos pontos necessários para ampliar sua utilização em escala e dar maior previsibilidade às operações que optam pela tecnologia.
O lançamento em Sumaré marca justamente o início dessa conexão entre veículo, combustível e infraestrutura. A participação conjunta de TransJordano, Scania e Ultragaz busca demonstrar, na prática, como diferentes agentes da cadeia podem atuar de maneira integrada para viabilizar novas soluções energéticas no transporte.
Segundo João Bessa, o projeto também responde a uma demanda direta dos clientes. “Cada frete feito a biometano reduz as emissões de Escopo 3 do embarcador, aquelas geradas no transporte dos seus produtos e que estão entre as mais difíceis de diminuir. E, antes de chegar à estrada, submetemos nossos números a uma verificação independente, porque o mercado precisa de dado, não de promessa”, completa.