Principais Tópicos: Vendas de caminhões em setembro, impacto do programa de crédito Move Brasil, taxa Selic e renovação de frotas.
As vendas de caminhões cresceram 2,51% em setembro em comparação a agosto, impulsionadas pelo esgotamento dos prazos de prestação de contas do programa federal de renovação de frotas Move Brasil. No entanto, o acumulado do ano registra queda de 3,89% e o cenário de juros elevados (Selic restritiva) continua pesando no planejamento financeiro.
O que muda na prática: Não há alterações em tributos (ICMS, PIS/COFINS, Reforma Tributária), documentos fiscais (CT-e, MDF-e) ou obrigações acessórias. Para transportadoras e frotistas, a mudança prática é o encerramento das linhas de crédito subsidiado do Move Brasil, exigindo cautela e maior dependência de futuras quedas da taxa Selic para viabilizar investimentos na renovação de veículos.
As vendas de caminhões no Brasil somaram 9.845 unidades em setembro, volume 2,51% superior aos 9.604 veículos emplacados em agosto. Em relação a setembro de 2025, quando foram vendidas 9.591 unidades, o avanço foi de 2,65%.
Os números foram divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), entidade que reúne mensalmente os dados de emplacamento de veículos novos repassados pelas concessionárias de todo o país.
Apesar da recuperação mensal, o acumulado dos nove primeiros meses do ano ainda está no vermelho: 78.665 caminhões foram vendidos de janeiro a setembro, queda de 3,89% em relação às 81.850 unidades comercializadas no mesmo período de 2025.
Em nota à imprensa, o presidente da Fenabrave atribuiu parte da reação do mercado a linhas especiais de crédito do programa federal Move Brasil, voltado à renovação de frotas, afirmando que, nos veículos pesados, o custo financeiro tem peso relevante porque a decisão de compra está ligada ao ritmo da atividade econômica, mas que as linhas do programa, já esgotadas, ajudaram a reverter o movimento de queda observado nos meses anteriores.
O prazo para adesão ao Move Brasil terminou em 28 de agosto, e o prazo para prestação de contas junto ao BNDES, banco responsável por operacionalizar o financiamento, se encerrou em 28 de setembro — o que ajuda a explicar por que o impulso de vendas se concentrou justamente no mês passado, às vésperas do fechamento das linhas.
O resultado de setembro ocorre em um cenário de custo de crédito ainda elevado, com a Selic mantida em nível restritivo pelo Banco Central e expectativa de cortes apenas graduais nos próximos meses, segundo projeções do mercado financeiro. Para transportadoras que decidem entre renovar a frota agora ou aguardar juros menores, o cálculo financeiro continua apertado.
A renovação de frota é um tema sensível para o transporte rodoviário de cargas também pelo ângulo da segurança e da manutenção: caminhões mais antigos tendem a exigir reparos mais frequentes e apresentam maior custo operacional por quilômetro rodado. Para as transportadoras baianas, que em grande parte operam frotas com idade média superior à de regiões mais industrializadas do país, o fim das linhas de crédito do Move Brasil e a manutenção de juros altos tornam a decisão de troca de veículos ainda mais dependente de uma eventual queda da Selic nas próximas reuniões do Copom.
Fonte: Fenabrave — dados de emplacamento de setembro de 2026