Resumo:
A Polícia Civil do Rio de Janeiro desвила um esquema criminoso de fraude em taxímetros operado por taxistas ilegais em parceria com o Comando Vermelho no Aeroporto do Galeão. Os veículos utilizavam um dispositivo eletrônico oculto para inflar artificialmente os preços das corridas em até sete vezes o valor oficial, cobrando também taxas ilegais de estacionamento e atuação de criminosos locais. Dezessete táxis foram apreendidos para perícia e dezenas de suspeitos foram investigados.
Tópicos abordados:
* Fraude em taxímetros (dispositivo adulterado)
* Atuação de facção criminosa (Comando Vermelho) no entorno de aeroporto
* Operação policial e apreensão de veículos irregulares
* Aliciamento ilegal de passageiros (jóqueis)
Veja como atuava a máfia de taxistas ligada ao Comando Vermelho que fraudava taxímetros no Galeão
Investigação aponta que motoristas pagavam taxa diária ao tráfico para atuar nas proximidades do aeroporto e usavam dispositivo eletrônico para inflar o preço das corridas; esquema envolvia aliciadores de passageiros no desembarque
Atualizado
Um pequeno aparelho instalado no taxímetro, acionado por um botão escondido sob o tapete do motorista, pode fazer o valor de uma corrida de 22 quilômetros entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, e Copacabana, na Zona Sul, chegar a R$ 900 — sete vezes o preço fixado pela prefeitura em tabela. A fraude foi descoberta pela Polícia Civil após a denúncia de um passageiro. A investigação revelou que taxistas envolvidos no esquema atuam sob o controle do Comando Vermelho, a quem pagam uma taxa de R$ 120.
A cobrança, que seria diária, garantia a cobertura do tráfico aos motoristas e um espaço para estacionar à espera das corridas em ruas perto do Morro do Barbante, a cerca de 500 metros do aeroporto. As vítimas em potencial eram turistas abordados por homens no saguão, na saída do desembarque, conhecidos como “jóqueis”, que trabalham irregularmente no terminal. Ao conquistar o passageiro, eles telefonam para o taxista e levam o cliente até o carro. Para integrar o esquema, pagariam ao tráfico uma taxa diária de R$ 50.
‘Joquéis’ na delegacia
Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) foram ontem ao Galeão e conduziram 18 “jóqueis” para depor. Dezessete táxis que teriam o dispositivo que frauda os valores das corridas foram levados para passar por perícia na Cidade da Polícia, no Jacaré.
— Durante a investigação, verificamos, a partir de um monitoramento de inteligência na região do aeroporto, que existia um grupo coordenado que atuava para cooptar passageiros. Eles são chamados de jóqueis. Conseguimos conduzir um grupo que se passava por pessoas que trabalham regularmente no Galeão. A partir do momento em que um passageiro era cooptado, o jóquei ligava para um taxista que não poderia trabalhar ali para que ele fizesse a corrida — explicou o delegado Victor Tuttman, da DRCPIM.
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Cerca de 200 veículos estariam circulando com esse dispositivo fraudulento. Até agora, mais de 30 taxistas e “jóqueis” foram ouvidos pela DRCPIM. Outros suspeitos já identificados serão chamados a depor.
A operação de ontem teve apoio de policiais das delegacias do Aeroporto Internacional do Rio e Especial de Apoio ao Turismo (Deat). Há mais de dez registros de vítimas em unidades da polícia reclamando do preço superfaturado de corridas só em 2026. De acordo com a investigação, os taxistas envolvidos no golpe não eram cadastrados em cooperativas que trabalham no aeroporto.
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A denúncia que deu origem à operação de ontem foi feita em janeiro de 2026 por um passageiro abordado pela quadrilha no Galeão. Ele embarcou no táxi com destino à Tijuca e observou, durante a corrida, que os valores “pulavam” rapidamente no taxímetro. A vítima reclamou com o motorista, que chegou a oferecer um desconto, mas decidiu anotar a placa do carro e procurar a polícia. Na investigação, o táxi foi localizado.
— Ao verificar o interior do veículo, os agentes encontraram um dispositivo ligado ao taxímetro. Havia um ponto que podia ser acionado a qualquer momento. Ligado, pulsos eletrônicos no taxímetro faziam os valores registrados se multiplicarem — explicou o delegado.
As análises do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro. O dispositivo contava com um chip e podia ser acionado discretamente pelo motorista, acrescentando, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida. O taxista flagrado com o equipamento alegou, em depoimento, que alugava o veículo de uma empresa. Segundo ele, o aparelho foi instalado em uma oficina especializada na manutenção de taxímetros.
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Legalizados na mira
Os policiais também estiveram ontem na locadora de táxis, no Rocha, na Zona Norte, e na oficina de taxímetros, em Piedade, na mesma região, para cumprir mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos celulares e notebooks.
A investigação ainda descobriu que os "jóqueis" são coordenados por um traficante do Morro do Barbante, e que a quadrilha vem tentando impor esse “serviço” aos taxistas regularizados, o que não teria se concretizado. A polícia não sabe se uma briga entre taxistas no último dia 30 no Galeão tem relação com esse esquema de fraude.
Procurada, a Superintendência Executiva de Táxi e Transporte Individual de Passageiros, da Prefeitura do Rio, informou que os taxistas comprovadamente envolvidos nos crimes terão as suas licenças cassadas. Em nota, a concessionária que administra o Galeão disse ter colaborado com a Polícia Civil nas investigações e “orienta os passageiros a utilizarem os guichês oficiais de táxi e a seguirem a sinalização nas saídas dos terminais até os pontos de embarque dos credenciados”.
CV além do tráfico de drogas
Criptomoedas
Uma estrutura clandestina de mineração de criptomoedas foi descoberta em maio no Complexo do Lins, na Zona Norte, durante uma operação contra o CV. Equipamentos utilizados na atividade funcionavam conectados a uma rede improvisada de energia elétrica nos fundos de um mercado, reduzindo os custos de uma operação que exige alto consumo energético.
Internet
A exploração do serviço por traficantes e milicianos já alcança ao menos 37 dos 92 municípios fluminenses, segundo levantamento divulgado em maio deste ano. O CV incorporou o negócio antes concentrado nas mãos da milícia, seja impondo provedores sob seu controle, seja cobrando taxas de empresas que atuam legalmente. Empresas que resistem às exigências são alvo de ameaças e ataques.
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Extorsão
Taxas mensais de até R$ 10 mil passaram a ser exigidas de comerciantes da Gardênia Azul após a tomada da comunidade pelo CV, que expulsou milicianos da região há dois anos. As cobranças, denunciadas em maio de 2025, eram acompanhadas de ameaças e restrições ao funcionamento dos estabelecimentos. A prática também foi identificada em áreas de Jacarepaguá ocupadas pela facção.
Celulares
Uma central clandestina de desbloqueio de aparelhos roubados e furtados foi descoberta em dezembro de 2024 no Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa. Policiais encontraram 200 celulares e equipamentos usados para contornar mecanismos de segurança. Os criminosos usavam programas que testavam automaticamente combinações de senhas e alteravam o número de identificação dos telefones (IMEI), facilitando a revenda.
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Gás de cozinha
A comercialização de botijões também passou a integrar os negócios do CV em Jacarepaguá. A exploração foi identificada em julho de 2024. O controle desse mercado pelo tráfico já havia sido registrado na Rocinha, em 2017.
Mercado imobiliário
A expansão do CV em Jacarepaguá também abriu espaço para a exploração de imóveis. Até julho de 2024, a facção havia tomado 19 comunidades de 14 bairros da região antes dominados por milicianos, incorporando atividades econômicas exploradas pelos antigos ocupantes. Entre elas estava o mercado imobiliário.
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Mototáxis e vans
Pedágios impostos pelo tráfico a profissionais do transporte alternativo já eram registrados na Rocinha em maio de 2018. Na época, mototaxistas relatavam pagamentos de R$ 75 por semana, enquanto motoristas de vans afirmavam desembolsar até R$ 285 semanais, além de R$ 20 por dia trabalhado. A cobrança alcançava ainda motoristas particulares, que precisavam pagar R$ 135 por semana para operar na comunidade, então marcada por disputas entre facções.
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