Resumo:
A inflação oficial (IPCA) subiu 0,82% em setembro, impulsionada principalmente pelo encarecimento dos combustíveis e da energia elétrica. Para o setor de transporte, o grupo de Transportes registrou alta de 0,89%, destacando-se o aumento nos preços do óleo diesel (1,69%), da gasolina (1,21%) e do etanol (3,16%). Esse cenário eleva diretamente os custos operacionais para frotistas e caminhoneiros independentes.
Principais tópicos:
* Inflação (IPCA de setembro)
* Custos de combustíveis (diesel, gasolina e etanol)
* Custos operacionais do transporte
Inflação sobe 0,82% em setembro, com fim do alívio da conta de luz e alta dos alimentos
Energia elétrica avança 7% após fim do desconto do bônus de Itaipu. Alimentação aumenta após três meses de queda, e IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima da meta
A inflação voltou a acelerar em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, subiu 0,82% no mês, ante queda de 0,32% de agosto. Foi a maior taxa para meses de setembro desde 2021 (1,16%). A alta se deu pelo fim do desconto na conta de luz pelo bônus de Itaipu e por uma pressão dos preços de passagens aéreas, alimentos e combustíveis.
Com o resultado, o indicador acumulou alta de 4,58% em 12 meses, acima dos 4,22% registrados no período imediatamente anterior e do teto da meta de inflação, de 4,5%.
O avanço veio acima do esperado pelo mercado. Analistas projetavam alta de 0,74%, segundo mediana do Valor Data.
Conta de luz volta a subir
O grupo Habitação foi o que mais pressionou a inflação em setembro, com alta de 2,31%. O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,98% com o fim do desconto do bônus de Itaipu, creditado nas contas emitidas em agosto.
O aumento ocorreu em meio à vigência da bandeira tarifária amarela, que acrescenta uma cobrança extra à conta de luz. Também houve reajustes nas tarifas de energia em Belém, São Luís e Vitória.
Os cálculos do IBGE mostram o peso da conta de luz na formação da inflação de setembro. Excluindo a energia elétrica do IPCA, o índice subiria 0,52% no mês, uma alta bem mais modesta do que o registrado.
— Teve pressão dos alimentos, de energia. Só a energia elétrica respondeu por 0,32 ponto percentual, quase metade do avanço do índice no mês — analisa Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.
Alimentos e passagens aéreas pressionam
No grupo Transportes (0,89%), a alta foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram 9,66% mais caras em setembro. Os combustíveis também subiram, com alta média de 1,41%, com destaque para o etanol (3,16%), óleo diesel (1,69%) e gasolina (1,21%).
Já o grupo Alimentação e bebidas subiu 0,83% em setembro, após três meses seguidos de queda. Os alimentos consumidos em casa ficaram, em média, 0,96% mais caros.
O tomate teve alta de 37%, seguido da batata-inglesa (24,07%), da cebola (10,14%), do arroz (4,56%) e das carnes (0,63%). No lado das quedas, os destaques foram o frango inteiro (-1,96%), frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).
A alimentação fora de casa também acelerou, com aumento de 0,48% em setembro, ante 0,36% em agosto. O custo das refeições em restaurantes saiu de uma alta de 0,18% no mês anterior para 0,49%, enquanto os lanches tiveram uma alta mais moderada, desacelerando de 0,62% para 0,47%, no mesmo período.