Principais Tópicos: Acordo comercial internacional, exportação de veículos e relações econômicas entre China e União Europeia.
Resumo:
China e União Europeia alcançaram um entendimento diplomático para limitar as exportações de veículos híbridos chineses ao mercado europeu, evitando uma guerra comercial iminente. O acordo prevê a redução de cerca de metade dessas remessas nos próximos anos por meio de limites quantitativos, em substituição à aplicação de tarifas alfandegárias. A medida não traz impactos diretos sobre custos de combustíveis, pedágios, fretes, regras da ANTT ou documentação de veículos e motoristas no Brasil.
China e Europa recuam da guerra comercial com limites às exportações de carros chineses
União Europeia afirma que o acordo poderia reduzir pela metade, aproximadamente, as remessas de veículos híbridos provenientes da China nos próximos quatro anos. No entanto, isso também poderia levar a uma indústria automotiva chinesa ainda mais forte
As negociações de alto nível realizadas em Pequim entre a União Europeia e a China terminaram nesta sexta-feira com um acordo inesperado que pode afastar os dois lados de uma iminente guerra comercial.
O aspecto mais importante do acordo envolve o que ambas as partes descreveram como um entendimento sobre as exportações chinesas de carros híbridos, movidos a gasolina e eletricidade, que estão entre os pontos de maior tensão nas relações comerciais entre ambos os lados.
Maros Sefcovic, comissário de Comércio do bloco de 27 países, afirmou que o entendimento pode levar a China a reduzir pela metade o número de carros híbridos a gasolina e eletricidade que envia à União Europeia nos próximos quatro anos. Nenhum dos lados mencionou a imposição de tarifas sobre esses veículos, medida à qual a China se opõe firmemente.
Em comunicado separado, o Ministério do Comércio chinês afirmou que os dois lados “chegaram a um entendimento sobre o comércio de veículos híbridos de maneira compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.
O cumprimento dessas regras dificulta a imposição rápida de tarifas pela Europa. As tarifas também tornam mais difícil prever quantos veículos continuarão chegando da China, mas Sefcovic afirmou que o entendimento permitirá alcançar reduções específicas nas importações de carros.
O compromisso descrito por Sefcovic parece atender à necessidade da União Europeia de estabelecer limites imediatos para o número de carros importados da China. Também contempla o interesse chinês em um acordo que limite a concorrência frequentemente acirrada entre as montadoras do país no mercado europeu, fator que tem contribuído para os elevados prejuízos dessas empresas.
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O acordo sobre os carros híbridos guarda semelhanças com o entendimento firmado entre os dois lados em 2013, quando a China concordou em reduzir o número de painéis solares enviados anualmente à Europa, enquanto os europeus desistiram dos planos de impor tarifas sobre essas importações.
O acordo permitiu que os fabricantes chineses de painéis solares elevassem significativamente os preços na Europa, diante da oferta limitada, obtendo grandes lucros depois de um período em que operavam no vermelho.
Os fabricantes chineses investiram esses lucros em mais pesquisas e em novas fábricas e, hoje, produzem quase todos os painéis solares do mundo.
As exportações chinesas de híbridos plug-in para a Europa conquistaram rapidamente participação de mercado e contribuíram para os planos recentes da Volkswagen de cortar mais 50 mil postos de trabalho até o fim da década, elevando a redução total de seu quadro de funcionários para 100 mil vagas.
Há dois anos, a União Europeia impôs tarifas de 7,8% a 35,3% sobre os carros elétricos chineses, além da tarifa habitual de 10% aplicada pela região aos veículos importados. Na ocasião, porém, o bloco não estabeleceu tarifas adicionais para os híbridos plug-in.
As exportações chinesas de híbridos plug-in dispararam nos últimos três anos, passando de menos de 10 mil para quase 200 mil unidades por mês. Muitos desses veículos têm a Europa como destino.
A China se opõe veementemente às tarifas adicionais impostas pela União Europeia sobre seus carros elétricos para limitar o volume de importações. Pequim defende que essas tarifas sejam substituídas por limites para a quantidade de veículos enviados ao exterior.
Essa alternativa permitiria que os fabricantes chineses de carros elétricos elevassem os preços e melhorassem sua rentabilidade — um modelo semelhante ao que está sendo desenhado agora para os híbridos a gasolina e eletricidade.
Questionado nesta sexta-feira sobre a semelhança entre o acordo atual para os híbridos e o entendimento firmado anteriormente sobre os painéis solares, Sefcovic afirmou que as circunstâncias são diferentes e que a Europa precisa agir imediatamente em relação aos carros híbridos.
— A opinião pública e os líderes realmente esperam uma ação muito rápida de nossa parte — disse ele.
A China argumenta que tarifas unilaterais violam as regras comerciais da OMC, cujo cumprimento tanto Pequim quanto a União Europeia ainda se comprometem a defender. Em contrapartida, o governo Trump tem adotado repetidamente medidas unilaterais que contrariam as normas da organização.
Assessores comerciais do presidente Donald Trump argumentam que a China tem uma economia orientada pelo governo, que não segue os princípios de livre mercado sobre os quais a OMC foi fundada.
O Ministério do Comércio chinês ofereceu à União Europeia uma série de incentivos para viabilizar um compromisso com Pequim. Segundo Sefcovic, a China concordou em reduzir tarifas sobre importações de produtos europeus de categorias como autopeças, azeite de oliva e calçados, cujo valor anual se aproxima de 4 bilhões de euros.
A medida permitirá que os exportadores europeus economizem cerca de 125 milhões de euros (US$ 140 milhões) por ano em tarifas sobre os produtos enviados à China, afirmou ele.
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Um comunicado conjunto divulgado pela China e pela União Europeia foi menos específico e afirmou que “ambos os lados continuarão explorando, dentro da estrutura das regras da OMC, a possibilidade de reduzir ou eliminar tarifas sobre determinados produtos”.
Em seu comunicado, o Ministério do Comércio chinês também afirmou que o país continuará aprovando exportações de terras-raras e ímãs de terras- raras para a Europa. A China restringe as exportações desses materiais desde abril de 2025 e ameaçou impor novas limitações caso a Europa adote medidas contra as exportações chinesas.
O ministério acrescentou que a Europa concordou em ajudar a resolver divergências relacionadas a seus controles de exportação.
Algumas questões permaneceram sem solução. Entre elas, está a possibilidade de a União Europeia abandonar os planos de exigir que componentes essenciais de tecnologias como carros elétricos e turbinas eólicas sejam fabricados na Europa. Também não foi definido se o bloco dará prosseguimento à imposição de tarifas antissubsídios sobre turbinas eólicas.
Sefcovic afirmou que novas negociações estão previstas para o início do próximo ano.