Pesquisadores espanhóis do grupo FINDER desenvolveram um nanomaterial polimérico à base de PVDF que utiliza resfriamento radiativo passivo para combater o calor sem consumo de eletricidade. Em testes ao ar livre, a tecnologia reduziu a temperatura de superfícies em até 12,9ºC em comparação a uma estrutura de referência, refletindo a luz solar e liberando calor em formato de radiação infravermelha. No futuro, a inovação poderá ser aplicada em telhados, fachadas, veículos e eletrônicos para reduzir a dependência de sistemas tradicionais de refrigeração.
Tópicos principais:
* Empresa/Instituição: FINDER / IMN-CNM-CSIC (Espanha)
* Produto: Nanomaterial polimérico (PVDF) para revestimento térmico
* Tecnologia: Resfriamento radiativo passivo
* Tendência: Eficiência energética e climatização sustentável sem eletricidade
Adeus, ar-condicionado? Nova tecnologia combate o calor sem eletricidade
Resumo
Pesquisadores espanhóis desenvolveram um nanomaterial capaz de reduzir em até 12,9ºC a temperatura de uma superfície exposta ao sol sem consumir eletricidade. O resultado foi obtido em comparação com uma estrutura de referência usada no experimento.
O que aconteceu
A tecnologia foi criada pelo Functional Nanoscale Devices for Energy (FINDER). O grupo faz parte do Instituto de Micro e Nanotecnologia, ligado ao Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha (IMN-CNM-CSIC).
Ainda em fase de desenvolvimento, o nanomaterial poderá, no futuro, ser usado em telhados, fachadas, veículos e equipamentos eletrônicos. Essas aplicações ainda precisam ser testadas, mas os pesquisadores acreditam que a tecnologia possa ajudar a reduzir o uso de sistemas tradicionais de refrigeração e o consumo de energia. O estudo foi publicado na revista científica Nanophotonics.
Como o nanomaterial funciona?
O material utiliza um fenômeno conhecido como resfriamento radiativo passivo. De forma simplificada, ele reflete grande parte da luz do sol para evitar o aquecimento e, ao mesmo tempo, libera o calor acumulado na forma de radiação infravermelha.
Parte desse calor consegue atravessar uma faixa da atmosfera e escapar para o espaço. Em condições favoráveis, o processo permite resfriar a superfície sem o uso de tomadas, ventiladores ou compressores.
Os cientistas utilizaram o fluoreto de polivinilideno, conhecido como PVDF. O polímero consegue emitir calor com eficiência, resiste à radiação ultravioleta e repele a água.
Esses polímeros de PVDF reúnem uma combinação de propriedades que os torna especialmente adequados, porque emitem muito bem o calor no infravermelho, são resistentes à radiação ultravioleta, têm caráter hidrofóbico, que favorece o efeito autolimpante, mantêm-se estáveis diante da umidade e apresentam durabilidade em ambientes externos Cristina Vicente, pesquisadora do IMN-CNM, em declaração divulgada pelo CSIC
Para melhorar o desempenho, os pesquisadores moldaram o polímero em uma rede tridimensional formada por estruturas extremamente pequenas. O material também recebeu um tratamento com radiação ultravioleta, que o deixou mais branco e aumentou sua capacidade de refletir a luz solar.
Teste registrou redução de 12,9°C
A versão mais eficiente do nanomaterial refletiu, em média, 82,4% da radiação solar. Também alcançou emissividade de 96,7% na faixa do infravermelho usada para liberar calor, segundo o estudo.
Os testes ao ar livre foram realizados entre julho e setembro de 2025, no terraço do instituto, em Tres Cantos, na região de Madri. O melhor desempenho ocorreu em um dia quente, seco e com forte radiação solar.
Nessas condições, a estrutura revestida com o nanomaterial ficou até 12,9 °C mais fria do que uma caixa de poliestireno vazia usada pelos pesquisadores como referência. Portanto, o número representa a diferença entre as duas estruturas do experimento, e não uma redução de 12,9 °C em relação à temperatura do ar. Os pesquisadores ressaltam que fatores como umidade, vento, temperatura ambiente e intensidade da radiação solar podem alterar o desempenho do material.
Os experimentos foram realizados com amostras pequenas e em condições controladas. O estudo demonstra o potencial do nanomaterial, mas ainda não comprova que o mesmo desempenho será obtido em telhados, fachadas ou veículos inteiros.
Antes de chegar ao mercado, a tecnologia precisará passar por testes em áreas maiores e sob diferentes condições climáticas. Os pesquisadores avaliam, porém, que o processo de fabricação pode ser ampliado e adaptado à produção industrial.
Esse método de fabricação é relativamente econômico, pois pode ser adaptado a processos industriais, e abre novos caminhos para projetar materiais que poderiam ser incorporados a coberturas e fachadas de edifícios, dispositivos eletrônicos, veículos ou sistemas de gerenciamento térmico pessoal, contribuindo para reduzir a necessidade de refrigeração ativa e, com isso, o consumo de energia e as emissões associadas ao uso do ar-condicionado Cristina Vicente, em comunicado do CSIC
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