Tópicos principais: Geopolítica internacional, mercado de combustíveis, preço do diesel e impacto nos custos operacionais.
Um ataque com drones ucraniano a um terminal de petróleo na Rússia gerou novos desdobramentos na cadeia de suprimentos de combustíveis, em meio a negociações internacionais sobre a venda de diesel russo. Embora o evento não traga mudanças diretas em regras de trânsito, pedágios, documentos ou leis da ANTT, a volatilidade no mercado internacional de energia pode impactar indiretamente os custos com o diesel para caminhoneiros e frotistas. A instabilidade na infraestrutura energética reforça a atenção do setor de transportes para possíveis oscilações no preço do combustível.
Horas depois de acordo entre Trump e Putin por diesel, Ucrânia incendeia operação de petróleo na Rússia
Fogo teria se espalhado após mais de 50 drones atacarem o terminal Yug Rusi; não há informação de vítimas até o momento
Por O GLOBO, com agências internacionais — São Paulo
Atualizado
Horas depois de os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin firmarem um acordo para a suspensão de sanções americanas sobre o diesel russo que permitirá o fornecimento do combustível para os EUA, a Ucrânia realizou um ataque aéreo a um terminal de carga e descarga de petróleo na Rússia.
A informação foi confirmada na madrugada deste sábado (10) pela rede Al Jazeera.
Mais de 50 drones teriam sido interceptados na região de Rostov, informou o governador. Mesmo assim, o ataque teria sido ao menos parcialmente bem-sucedido, já que um grande incêndio foi detectado no local. Não há feridos até o momento, segundo as autoridades russas.
O local foi identificado como o terminal Yug Rusi, no distrito de Zheleznodorozhny, em Rostov-on-Don, pela agência independente russa Astra. Foram utilizadas filmagens feitas por moradores da região para a análise da publicação.
Outras imagens de grandes chamas e fumaça densa já circulam em canais do Telegram, como o Exilenova+, mas não foram confirmadas por veículos locais. O canal alega que segue monitorando o incêndio, que ainda não teria sido apagado.
Defesas aéreas russas estariam em operação no momento, segundo o jornal ucraniano The Kyiv Independent, mas não confirmaram danos ao terminal Yug Rusi. O Exército da Ucrânia também não assumiu responsabilidade pelo ataque até o momento.
O terminal Yug Rusi opera exportações do petróleo russo, incluindo carregamentos da refinaria Novoshakhtinsk, apesar de sua infraestrutura estar separada do centro de processamento — atacado e consequentemtente incendiado em 25 de setembro, segundo autoridades ucranianas. O Yug Rusi teria capacidade de movimentar 3,5 milhões de toneladas de combustível ao ano.
O ataque aéreo desta madrugada pode ter causado danos ainda a um prédio residencial em Rostov-on-Don, no complexo Donskaya Sloboda, segundo a Astra. Ainda não está claro, no entanto, como o prédio foi atingido, já que haveria operações aéreas russas e ucranianas em andamento.
A Ucrânia tem atacado as refinarias russas e suas cadeias de distribuição nos últimos meses para interromper o fornecimento às Forças Armadas da Rússia — e reduzir os rendimentos de Moscou em energia, importantes para financiar o governo do país.
Donald Trump, o presidente dos EUA, já teria argumentado que os ataques da Ucrânia às refinarias russas contribuem para o aumento do preço global do diesel e pedido a Zelensky que as operações militares fossem interrompidas.
O presidente ucraniano já declarou, segundo o Kyiv Independent, que o país está preparado para deixar de atacar a indústria energética russa, mas apenas se Moscou concordar em suspender seus ataques às mesmas estruturas ucranianas. Zelensky criticou o acordo entre EUA e Rússia em publicação no X (ex-Twitter) nesta sexta.
"Presentes para Putin não trarão paz ou qualquer benefício para o mundo civilizado. Rússia vai pagar pelo diesel com mais terror e perfídia. Permitir que a Rússia venda subprodutos do petróleo é um investimento em uma guerra que precisa ser terminada, não prolongada", argumentou.
Volodymyr Zelensky ainda disse contar com os EUA para que tenham "uma conversa correspondentemente forte com a Rússia" e alfinetou Trump: "Uma conversa forte, não uma fraca".