VÍDEO: Entregas do Torino 2027 começam já neste ano e empresas que encomendaram a geração atual estão trocando pelo novo, diz diretor da Marcopolo Publicado em: 19 de agosto de 2026 De acordo com Ricardo Portolan, em entrevista a Adamo Bazani, a capacidade de produção do modelo recém-lançado não permite ampliação das entregas, mas, no próximo ano, a produção estará plena ADAMO BAZANI Colaborou Vinícius de Oliveira O Torino 2027, nova geração do tradicional modelo que está desde 1983 no mercado de ônibus urbanos, tende a fazer com que a Marcopolo cresça neste segmento, considerado o mais importante da indústria de transporte coletivo tanto pelo volume como pelo posicionamento e valorização de marca. Pelo menos é o que indicam a receptividade e as encomendas do modelo lançado oficialmente em 11 de agosto de 2026, durante a Lat.Bus 2026, feira especializada no setor de transportes de passageiros, que ocorreu na capital paulista. O Diário do Transporte conheceu o ônibus antes – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/08/11/novo-torino-2027-e-g8-tech-para-alem-mudancas-esteticas-aperfeicoamentos-e-tecnologias-para-reducao-de-consumo-e-tempo-de-parada-e-ampliacao-do-conforto-promete-marcopolo/ De acordo com o diretor comercial da Marcopolo, Ricardo Portolan, em entrevista exclusiva ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, durante a feira, as primeiras entregas do Torino 2027 começam já neste ano de 2026 e empresas que já encomendaram a geração atual estão trocando pelo novo modelo, mesmo havendo fila de espera. Para este ano, a Marcopolo tem capacidade limitada para o modelo, mas, em 2027, a produção será plena. Além do novo design, têm chamado a atenção no Marcopolo Torino 2027, segundo Portolan, mudanças funcionais, como as novas portas mais leves e resistentes, novo sistema de ar-condicionado com eficiência 40% maior, o sistema EVIA de controle e diagnóstico, a central elétrica mais acessível para operação e manutenção, a redução de 30% da aplicação de fibra de vidro, deixando o ônibus mais leve e mais forte, a redução natural de 5 graus da temperatura do ambiente do motorista graças ao novo isolamento do motor, visibilidade melhorada, entre outras melhorias. O Diário do Transporte trouxe uma reportagem especial sobre a história do modelo que é considerado ícone na mobilidade urbana, adotando, ao longo do tempo, diversas configurações, como comum, articulado, biarticulado, trólebus, elétrico a bateria, ônibus de aeroporto e tantos outros papéis. Na entrevista, Portolan também falou a Adamo Bazani que tem sido bem-sucedida a estratégia de ônibus a pronta entrega de diversos segmentos. Foi a estreia da marca com este atendimento na feira, mas a Marcopolo já oferecia ônibus nesta forma de comercialização. A procura tem sido tão grande também que a fabricante gaúcha deve ampliar a oferta. PRINCIPAIS MUDANÇAS E VANTAGENS DO TORINO 2027 Fonte: Marcopolo e informações apresentadas pelo diretor comercial Ricardo Portolan durante a Lat.Bus 2026. Características podem variar de acordo com a configuração encomendada pelo operador. FICHA TÉCNICA – MARCOPOLO TORINO 2027 Fonte: Marcopolo. As dimensões correspondem à configuração de referência divulgada oficialmente pela fabricante. Demais características podem variar de acordo com chassi, configuração, aplicação e especificações do operador. Confira a entrevista na íntegra: ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte está aqui na Lat.Bus, a gente fez uma cobertura especial dos lançamentos da Marcopolo, o G8 Tech, e um dos mais aguardados, não só da Lat.Bus, do mercado e há anos, que é o novo Torino 2027. A gente conversou na apresentação com o Ricardo Portolan, diretor comercial da Marcopolo, na apresentação até antecipada para a gente, inclusive a gente agradece todo o cuidado que a Marcopolo teve e toda a consideração com os jornalistas em fazer com que a gente trouxesse uma informação com mais qualidade. E, Portolan, a expectativa era muito grande. Qual é o retorno que vocês estão tendo dos operadores de transporte? O que mais tem chamado a atenção na solução estética, sim, mas funcional desses veículos? RICARDO PORTOLAN: Bom, é um prazer sempre falar com você. Eu que agradeço você estar com a gente lá no momento inicial, na antecipação da informação para os jornalistas e aqui hoje também. Então, sempre um prazer falar contigo e com o Diário do Transporte. A repercussão é a melhor possível dos lançamentos aqui da nossa presença, do Torino 2027, que é um dos grandes lançamentos aqui da Marcopolo na feira. Os operadores, nós estamos recebendo eles, alguns a gente já tinha mais ou menos falado do veículo, alguns até mostrado, dado uma prévia do que seria o desenho, mas não de forma física, e aqui na feira eles estão vendo realmente o veículo em primeira mão, já construído, e a repercussão é muito positiva. Então, assim, a gente está realmente super feliz. Clientes que nos disseram: eu vou lá na feira e vamos fechar o negócio lá na feira, depois que eu ver o carro, aí eu vou escolher se eu quero o Torino 2027 ou o Torino atual, estão migrando, ou estão decidindo pelo Torino 2027, então isso é de fato aí a confirmação. ADAMO BAZANI: É um termômetro, né? RICARDO PORTOLAN: É um termômetro, é a confirmação. ADAMO BAZANI: Então, já teve gente que viu o Torino e já mudou? RICARDO PORTOLAN: Já teve. Eu não vou falar aqui os nomes ainda das empresas, mas nós vamos depois falar, e você sempre em primeira mão recebe a informação. Mas teve inclusive empresas aqui próximas, aqui de São Paulo, que já disseram: tá, é o Torino, eu vou pro Torino 2027 já, olhando ele aqui hoje fisicamente. Então, super positivo, não poderia ser melhor essa primeira, vamos dizer, essa primeira repercussão, essa primeira chegada aqui do Torino 2027. ADAMO BAZANI: A gente já pode dizer o número parcial de consultas e negócios pré-fechados, qual a estimativa parcial? RICARDO PORTOLAN: Assim, os números, a gente tem pra esse ano um volume limitado do Torino 2027, né? Então, nós já temos mais de 15 clientes que já estão confirmados. ADAMO BAZANI: 15 empresas? RICARDO PORTOLAN: 15 empresas que vão comprar e receber o Torino 2027 até o final do ano, que serão as primeiras 15 empresas, né? Então, o tamanho do volume, tem uma combinação aqui de empresas que compraram o Torino atual e o Torino novo. Então, o volume total aí, eu diria, já passou de 100 unidades já do Torino 2027 nessa composição de 15 empresas. Mas nós estamos aqui apresentando ainda, tem outros clientes que estão vindo pra conhecer o carro e pra decidir se é o Torino atual ou o Torino 2027. ADAMO BAZANI: A gente conversando com vários empresários, quando a gente publicou a matéria, muitos deles também entraram em contato com a gente, né? Que a diferença também de falar com a imprensa é: eles falam com o fabricante e depois querem falar com a gente, que sabe que a gente não vai vender um ônibus. Vocês vão falar as coisas boas dele, mas querem saber a nossa impressão. A questão da economia que ele proporciona. A gente está acompanhando aqui os seminários da NTU, que mostram a situação do transporte urbano. Qualquer redução de custo operacional e ampliação do conforto é um atrativo. Isso da questão da redução do custo. O que você ouviu? RICARDO PORTOLAN: Um dos grandes temas do setor, e eu diria setor de ônibus como um todo. E também, obviamente, aqui do urbano, é a questão da eficiência operacional do ônibus. E o Torino 2027, ele ataca justamente o custo operacional, endereça de forma direta. Como? Com a redução do tempo de manutenção, com isso aumenta a disponibilidade do veículo através das diferentes soluções, não sei se vamos falar agora ou falar depois, enfim, na questão das novidades do produto. Que não é só o desenho, que ficou lindíssimo, mas não é só o desenho. É o novo sistema de climatização, com dutos de ar novos e poltronas novas. Então a questão do conforto, atratividade para o passageiro. A questão do sistema EVIA, que é o sistema eletroeletrônico que reduz muito a necessidade de manutenção. Mantém a interface com o motorista, de maneira física, que é assim que o motorista gosta, mas traz uma redução e até um diagnóstico em relação a eventuais falhas, de maneira muito mais preditiva. ADAMO BAZANI: As folhas da porta também, né. Porta, quem às vezes não está no dia a dia na garagem, não sabe. Porta é um negócio que dá problema, um negócio que dá dor de cabeça e pode ser a melhor que for. Porque está abrindo e fechando toda hora, o vandalismo. Vocês trouxeram uma nova solução estrutural da porta? RICARDO PORTOLAN: Sim, o sistema de porta é totalmente novo. Até as portas foram mais de dois anos de teste, colocadas nos Torinos atuais para testar em vida real, não apenas na bancada. E esse também é um capítulo interessante. Estivemos há pouco com um cliente, um dos grandes clientes nossos de Belo Horizonte, viu o sistema de porta, adorou o sistema de porta. É um dos compradores do Torino 2027, então ele já vai receber esse novo sistema de porta. 30% mais leve, teve uma redução de peso, sistema mais simples, que endereça também a questão da manutenção. Então é um ganho grande para o operador. ADAMO BAZANI: Para ver como o Diário do Transporte fala a linguagem do operador. A gente não conversou muito antes aqui da entrevista, mas essa questão mesmo da porta que nos chegou, a gente não tinha conversado antes do nosso bate-papo e realmente você comprova que foi um dos atrativos. Falando ainda de mercado, a Marcopolo intensificou a pronta entrega. E aqui a gente vê isso na Lat.Bus. São vários veículos que foram colocados, já no primeiro dia teve venda. Qual a receptividade que vocês tiveram da pronta entrega? E é uma demanda de mercado isso também, né? RICARDO PORTOLAN: É uma demanda de mercado. O programa já tem alguns anos. Aqui a inovação que a Marcopolo teve foi trazer para a Lat.Bus também o pronta entrega. E a gente ontem vendeu, hoje ainda não tem o fechamento. Ontem nós vendemos dos carros que estão aqui, foram seis carros. Seis carros que foram vendidos ontem. E aqui nós estamos falando de uma venda efetivada aqui na Lat.Bus. Não é aquela venda que estava programada. Efetivamente os clientes vieram aqui e fecharam. Um dos clientes aqui, estendendo um pouquinho o tempo ontem, mas é bem interessante. O primeiro cliente que comprou o double-decker ali foi o primeiro da pronta entrega. Ele chegou aqui, nós até não sabíamos que ele estava em processo de compra. Acertou, discutimos o preço, fechamos o negócio. Aí ele abriu a mochila dele, tirou o adesivo do nome da empresa dele e colou no para-brisa. Então o cliente aqui, o que eu quero dizer com isso? Nesse exemplo, o cliente, e a gente já viu isso na Lat.Bus anterior, que ele vem aqui para a feira. E se tiver o ônibus, se tiver o ambiente que propicie, ele vai efetivamente fechar o negócio e aproveitar a oportunidade que ele tem, o serviço adicional, enfim, de renovar a frota. Então nesse ponto a gente está vendo a ação de trazer o pronta entrega aqui para a feira como uma ação super positiva. Tem os ônibus que estão aqui, tem os ônibus que são também do pronta entrega, que estão sendo vendidos também. E é claro, tem os negócios aqui que estão sendo gerados na feira no modelo tradicional. ADAMO BAZANI: Esse modelo tradicional, a gente fala com a mídia especializada, a gente fala com o central, mas também a gente fala com o grande público. Você basicamente não compra esse ônibus assim bonitão, montado. Tradicionalmente você compra o chassi, esse chassi vai ser produzido, demora alguns meses, algumas semanas, depende da linha de produção. Aí sai de uma fábrica de chassi, que normalmente estão no ABC Paulista ou no Rio de Janeiro, vai lá, no caso da Marcopolo, vai lá para o sul, encarroça esse chassi, aí ele volta para o cliente, fora que ele tem que colocar uma bilhetagem eletrônica, enfim. Dá uns 3, 4 meses chutando por baixo, dependendo do modelo. Só que o que acontece? Às vezes uma empresa de fretamento fecha o contrato e precisa de ônibus na hora. Ou às vezes, o que está acontecendo muito no urbano, uma empresa desiste do serviço, a outra assume. Hoje no urbano a gente tem muito consórcio. Então uma empresa, determinado consórcio sai da operação, as outras empresas consorciadas têm que cobrir essa operação. Então muitas vezes você tendo ônibus, não que a empresa vai comprar a frota inteira, sem ônibus a pronta entrega, mas você tendo algum ônibus que você possa já sacar, é muito interessante. RICARDO PORTOLAN: É super interessante, exatamente como você falou. E tem também a situação assim, dentro do nosso processo normal da indústria, o cliente compra o chassi e vai precisar esperar um determinado tempo até finalizar o ônibus, e nesse meio-tempo ele está eventualmente já pagando o financiamento do chassi, e nesse caso do pronta entrega ele antecipa. ADAMO BAZANI: Ele está pagando sem receber. Na pronta entrega ele já paga e já está recebendo pelo serviço. RICARDO PORTOLAN: E hoje o custo financeiro, no patamar que está, um mês, dois meses de espera, é muitas vezes aquela discussão da finalização do negócio ali, porque um mês, dois meses é mais de 2% de custo financeiro. Então o pronta entrega realmente, também nesse cenário de juro alto, ele ataca essa questão do valor do capital no tempo. ADAMO BAZANI: Porque você não precisa pagar à vista, você financia o mesmo financiamento que você tem comprando no modelo para você depois encarroçar, só que você já está recebendo pela operação. RICARDO PORTOLAN: E chegou aqui, tem os 20 que estão aqui do pronta entrega, espero que hoje já estejam vendidos quase todos, e tem mais, claro, nós temos mais o programa que é mais amplo, os ônibus que não estão aqui, mas que estão no programa pronta entrega, que é um volume maior. Então, vamos dizer, essa ação, esse programa da Marcopolo, realmente é uma outra ação que direciona, que endereça, uma das questões grandes do mercado dos operadores, que é esse custo de capital no tempo. Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes