IA impulsiona biotecnologia e física, afirma CEO do TikTok
Shou Zi Chew projeta avanços científicos em 2 a 3 anos; ByteDance investe em modelos de IA para novos fármacos
O diretor-executivo do TikTok, Shou Zi Chew, prevê que a inteligência artificial (IA) vai impulsionar avanços científicos relevantes em até três anos, com impacto em setores como biotecnologia, física, química e ciência dos materiais.
A declaração foi feita nessa segunda-feira (12) durante a conferência DBS Asia Future Forward, em Singapura. Para Chew, o momento atual representa apenas o início do que a IA é capaz de entregar, especialmente no campo científico.
“Nos próximos dois a três anos, teremos avanços científicos reais: física, biotecnologia, química, ciência dos materiais, por causa da IA. É muito, muito, muito possível”, afirma o executivo no evento.
Leia também: Google aposta em agentes de IA que escolhem modelos e executam tarefas entre sistemas
Potencial de longo prazo da IA
Chew observa que a velocidade do desenvolvimento tecnológico tende a ser mal calibrada em diferentes horizontes de tempo. “Acho que no curto prazo provavelmente estamos superestimando a IA, mas no longo prazo provavelmente a estamos subestimando”, diz.
O executivo também fez referência à trajetória de crescimento da tecnologia em áreas científicas. “A tendência é muito, muito clara. Estamos apenas no começo do que a inteligência artificial provavelmente pode fazer. E se você olhar para onde está a tendência, onde está o progresso, especialmente nas áreas da ciência, ele está se movendo em uma curva muito íngreme neste momento”, afirma Chew.
A visão otimista do executivo ocorre em um cenário em que grandes empresas de tecnologia têm investido bilhões de dólares em pesquisa científica baseada em IA. Na semana anterior ao evento, o governo dos Estados Unidos, a Meta e o Google anunciaram a participação em uma iniciativa de US$ 1,8 bilhão para desenvolver modelos de IA capazes de prever o comportamento celular, com foco na aceleração da pesquisa biológica e na descoberta de medicamentos.
ByteDance na corrida científica
A ByteDance, empresa-mãe do TikTok, também se movimenta nessa direção. Em abril de 2026, a equipe de pesquisa Seed da companhia lançou o Protenix-v2, modelo de IA voltado à predição e ao design de estruturas biomoleculares, com aplicações potenciais na descoberta de novos fármacos.
Chew afirma que há esforços em andamento para colaborar com cientistas em projetos de pesquisa. “Há um esforço para ver como podemos colaborar com muitos cientistas para avançar na ciência também. Já fizemos algum trabalho nessa área, e é muito empolgante”, diz.
Riscos de alinhamento e cibersegurança
Ao lado do otimismo, Chew aponta desafios que acompanham o avanço da tecnologia. Com sistemas cada vez mais autônomos, a questão do alinhamento entre as máquinas e valores humanos se torna central. “Se isso acontecer, a pergunta seria: como você alinha os modelos? Como você alinha as máquinas para fazer coisas que são óbvias para nós como seres humanos?”, questiona.
O executivo também alertou para riscos de cibersegurança associados ao uso de agentes de IA. Segundo ele, usuários podem conceder permissões amplas a esses sistemas sem compreender plenamente as consequências. Como exemplo, citou o risco de agentes realizarem compras autônomas além do pretendido pelos usuários.
“Os riscos de cibersegurança são bastante grandes”, diz Chew, acrescentando que modelos de IA cada vez mais sofisticados tornam o custo de ataques a plataformas digitais significativamente mais baixo para agentes mal-intencionados. “É necessário as ferramentas certas para se defender contra o custo em queda rápida de criar problemas para plataformas como a nossa”, afirma.
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