Principais tópicos: Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), dependência na importação de diesel e volatilidade nos custos de combustíveis para o transporte rodoviário.
O Plano Decenal de Expansão (PDE 2036) projeta que o Brasil continuará importando cerca de 25% do diesel consumido no país até 2036, mantendo a dependência estrutural desse insumo. A notícia não traz alterações em tributos (ICMS, PIS/COFINS, Simples Nacional), obrigações acessórias ou documentos fiscais (CT-e, MDF-e). Na prática, para transportadoras e caminhoneiros, a novidade sinaliza que o preço do diesel continuará exposto a variações cambiais e oscilações internacionais, exigindo maior rigor na gestão financeira e no controle de custos operacionais da frota na próxima década.
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que o Brasil deve continuar importando cerca de 25% do diesel A consumido no país até 2036, mesmo com a ampliação prevista da capacidade de refino nacional ao longo dos próximos dez anos.
A projeção consta da proposta do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborada em conjunto pelo MME e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e foi divulgada nesta segunda-feira (12) pelo jornal especializado em política e direito JOTA. O documento é o principal instrumento de planejamento do setor energético brasileiro para a década seguinte.
O PDE 2036 teve sua consulta pública aberta na quinta-feira (8), em formato mais enxuto do que edições anteriores: o conteúdo, que em ciclos passados somava mais de 600 páginas, foi condensado em um Relatório Síntese, com dez cadernos temáticos complementares a serem publicados nas próximas semanas, entre eles um dedicado aos mercados de petróleo, gás natural e combustíveis sintéticos. Contribuições da sociedade podem ser enviadas até 6 de novembro, pelo portal do MME e pela plataforma Brasil Participativo.
Segundo o plano, o diesel segue como o derivado de petróleo mais deficitário da matriz brasileira, por causa do uso intenso no transporte rodoviário de cargas, modal predominante no país. A persistência da dependência externa reflete o descompasso entre o crescimento da demanda e os investimentos ainda limitados em novas unidades de refino voltadas especificamente à produção de diesel.
O percentual de 25% repete, em essência, a trajetória já identificada em edições anteriores do plano: o PDE 2034, por exemplo, projetava um déficit líquido de diesel equivalente a 48 mil m³/dia até 2034, também correspondente a cerca de 25% do mercado nacional — sinal de que o problema estrutural do refino brasileiro para esse combustível não deve ser resolvido dentro do horizonte da próxima década.
Em contrapartida, o plano aponta queda na dependência de importação de gasolina, puxada pelo avanço da eletrificação da frota leve e pelo aumento do teor de etanol anidro na mistura, política prevista no programa Combustível do Futuro.
O PDE 2036 também estima investimentos de R$ 3,3 trilhões entre 2027 e 2036 para expandir a oferta de energia e modernizar a infraestrutura do setor no país, incluindo cerca de 31,9 mil km de novas linhas de transmissão. A produção de petróleo deve chegar a 4,9 milhões de barris por dia em 2036, mantendo o Brasil como exportador líquido de óleo cru, ainda que seguindo importador líquido de diesel refinado.
Do lado dos biocombustíveis, o plano projeta crescimento da produção de etanol, de 41,3 bilhões para 52,7 bilhões de litros entre 2026 e 2036, e de biodiesel, de 10,6 bilhões para 14,8 bilhões de litros no mesmo período — além de mencionar o avanço esperado do diesel verde e do biometano como alternativas complementares de suprimento.
Para as transportadoras, a manutenção da dependência externa de diesel por mais uma década reforça um ponto estrutural já conhecido do setor: o custo do principal insumo do transporte rodoviário de cargas continuará exposto a variações cambiais e a oscilações do mercado internacional de combustíveis, fator que já pressionou o preço do diesel em diversos momentos de 2026. Para empresas e caminhoneiros da Bahia, estado que depende fortemente do modal rodoviário para escoar produção agrícola e industrial até os portos de Salvador, Aratu e Ilhéus, a notícia reforça a importância de acompanhar de perto as políticas de preços de combustíveis e os próximos cadernos temáticos do PDE 2036, que devem detalhar melhor as premissas específicas para o mercado de diesel na próxima década.
Fonte: JOTA