Resumo:
O governo dos Estados Unidos fechou um acordo com a Rússia para a importação de milhões de toneladas de diesel, com o argumento de tentar reduzir os preços dos combustíveis para caminhoneiros e agricultores americanos. A medida gerou forte reação negativa e revolta entre senadores americanos, incluindo aliados republicanos, que acusam a administração de violar a lei que proíbe a compra de energia russa devido ao conflito na Ucrânia.
Principais tópicos:
* Custos do diesel
* Impacto nos preços de combustíveis para o transporte
* Política internacional e importação de energia
Acordo de Trump com Putin para compra de diesel provoca revolta entre republicanos
Senadores americanos acusam presidente de violar lei que proíbe importação de petróleo russo em meio à guerra na Ucrânia
O acordo firmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o líder russo, Vladimir Putin, para a compra de milhões de toneladas de diesel provocou críticas entre parlamentares americanos, incluindo integrantes do próprio Partido Republicano.
Sete senadores, quatro deles republicanos, pediram no domingo, 11, que o governo abandone imediatamente a medida, classificando-a como uma “tábua de salvação financeira” para um regime assassino e uma violação da lei americana.
“O Congresso proibiu explicitamente as importações de energia da Rússia em 2022 para impedir que dólares americanos financiassem a guerra brutal de Putin contra a Ucrânia”, disseram os senadores em um comunicado liderado por Jeanne Shaheen, a principal democrata na Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Segundo o grupo, a legislação americana estabelece que o país não deve voltar a importar petróleo russo enquanto Moscou mantiver sua ofensiva contra a Ucrânia e suas ameaças aos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A declaração foi assinada pelos democratas Richard Blumenthal e Ron Wyden, além dos republicanos Susan Collins, John Curtis, Lisa Murkowski e Thom Tillis.
A aproximação com Moscou também gerou críticas da imprensa conservadora americana. No domingo, o apresentador Brian Kilmeade, do programa Fox & Friends, da Fox News, afirmou que uma parceria com a Rússia seria “o maior erro” do governo Trump e comparou Putin a Adolf Hitler.
O acordo
Na última sexta-feira, Trump anunciou que Putin concordou em liberar imediatamente 300 mil toneladas de diesel “para o mercado americano e global”, após uma conversa que descreveu como “altamente bem-sucedida”. Além do lote inicial, o ocupante do Salão Oval afirmou que a Rússia forneceria outras 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão de toneladas posteriormente.
+ Trump volta atrás e diz que China e Rússia não estão ajudando Irã na guerra
O republicano argumenta que a retomada das compras de diesel russo ajudaria a reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos, especialmente para agricultores, pecuaristas e caminhoneiros. Analistas do setor energético, no entanto, questionam se a medida terá impacto significativo sobre os valores pagos pelos consumidores.
Os preços do diesel atingiram níveis recordes nos últimos meses, impulsionados pela guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que prejudicou o fornecimento mundial de petróleo. A alta dos combustíveis, somada à inflação, tem pressionado a popularidade de Trump e representa um desafio para os republicanos nas midterms, as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro