Principais Tópicos:
Segurança pública, sistema prisional internacional e procedimentos de execução penal nos Estados Unidos.
Resumo:
A notícia trata de falhas de comunicação e atrasos no socorro médico durante uma tentativa malsucedida de execução por injeção letal em uma prisão no Tennessee, Estados Unidos. O texto aborda exclusivamente um caso do sistema prisional estrangeiro, não contendo nenhuma informação sobre rodovias, custos de transporte, documentação de motoristas ou veículos, regras da ANTT, fiscalização ou trânsito nacional.
Caso Christa Pike: ligações revelam falhas no socorro após tentativa frustrada de execução; atendimento levou mais de meia hora
Christa Pike, de 50 anos, recebeu alta após dez dias internada; execução fracassou em meio a problemas na aplicação do medicamento, e autoridades investigam o procedimento
Por O Globo — Nashville, Tennessee, EUA
Atualizado
Gravações de chamadas de emergência revelaram falhas de comunicação entre funcionários de uma prisão do Tennessee e atendentes durante a tentativa malsucedida de execução de Christa Pike, de 50 anos, em 30 de setembro. A confusão envolveu dúvidas sobre a autenticidade do pedido de socorro e informações contraditórias entre funcionários, atrasando a autorização para a entrada das equipes de emergência na unidade.
- Médico: Christa Pike, que sobreviveu à injeção letal, não se lembra de tentativa de execução
- Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países
- Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Os áudios e as transcrições das ligações foram divulgados pelo Nashville Banner. A emissora BBC solicitou esclarecimentos ao Departamento de Correções do Tennessee, mas o órgão ainda não havia explicado o que provocou o fracasso da execução.
Pedido de socorro foi tratado como falso
Por volta das 20h40, no horário local, uma pessoa aparentemente situada na área da prisão de Riverbend onde as injeções eram aplicadas ligou para os serviços de emergência. O pedido foi inicialmente tratado como falso porque o interlocutor não conseguiu confirmar a própria identidade por meio de um código.
Durante a chamada, a pessoa afirmou que a execução havia sido realizada, mas que Pike continuava viva.
"Estamos realizando uma execução esta noite. Administramos 10 gramas de pentobarbital. A pessoa ainda não está morta. Isso começou há aproximadamente uma hora. E estamos pedindo uma ambulância", disse.
O Departamento de Comunicações de Emergência de Nashville compartilhou os registros do contato com outras agências da região enquanto tentava verificar se o pedido era legítimo.
Às 21h07, funcionários da área de comando central da prisão contradisseram a informação inicial. Eles afirmaram que seriam os responsáveis por fazer aquela ligação e que não haviam telefonado.
Somente por volta das 21h11 os funcionários penitenciários confirmaram que o pedido de socorro, feito cerca de meia hora antes, era verdadeiro. Depois da confirmação, os socorristas receberam autorização para entrar na unidade.
Às 21h34, enquanto Pike era transportada para o hospital, um socorrista pediu a um colega que confirmasse se a prisão sabia para onde ela estava sendo levada. Ele justificou a preocupação “só porque houve tanta confusão”.
Condenada sobreviveu a duas doses de pentobarbital
Pike recebeu duas doses de pentobarbital durante a tentativa de execução, mas não morreu e precisou ser levada ao hospital. A defesa levantou a hipótese de que o medicamento possa ter se espalhado sob a pele, em vez de chegar à corrente sanguínea em quantidade suficiente para provocar a morte. A explicação, porém, ainda não foi confirmada oficialmente.
A detenta já recebeu alta hospitalar. Em atualizações anteriores, seus advogados informaram que ela havia recuperado a capacidade de caminhar e falar, mas alertaram que a recuperação seria demorada.
— Um longo caminho até a recuperação — afirmaram os advogados ao descrever o período após a alta.
A equipe jurídica ainda não se pronunciou sobre as gravações das chamadas de emergência. Pike é apontada como a única pessoa conhecida a sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal depois de receber uma substância durante o procedimento.
Governador suspendeu execuções no Tennessee
Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, cometido em 1995, com a participação de seu então namorado, Tadaryl Shipp. Na época, ela tinha 18 anos e ele, 17. Os dois torturaram e mataram Slemmer, que haviam conhecido em um acampamento de treinamento profissional.
Shipp não recebeu a pena de morte por ser menor de idade na época do crime e continua preso. A mãe de Slemmer defendia a execução de Pike e classificou a tentativa malsucedida como uma “bagunça”.
Após o fracasso do procedimento, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado até o fim do ano e afirmou que pretende esclarecer as circunstâncias do ocorrido. O chefe do Departamento de Correções também está deixando o cargo.
Os advogados de Pike pedem que o governador substitua a pena de morte por prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Alguns republicanos do estado, por outro lado, defenderam a possibilidade de utilizar outro método caso uma nova execução seja autorizada.
Ainda não há definição sobre uma nova tentativa de execução. As autoridades também precisam esclarecer por que as duas doses de pentobarbital não provocaram a morte de Pike e em que medida as falhas de comunicação interferiram no atendimento de emergência.