A Brazil Potash concluiu testes promissores utilizando inteligência artificial e sensores de raios X para separar minérios de potássio de maior teor no projeto Autazes, no Amazonas. A tecnologia permitiu descartar materiais de baixa qualidade antes do processamento industrial, o que pode ampliar a produção, prolongar a vida útil da mina e reduzir custos. No entanto, a aplicação em larga escala ainda depende de novos estudos técnicos e só deve ocorrer após o início da operação comercial.
Tópicos abordados:
* Empresa: Brazil Potash (Potássio do Brasil) e ERCOSPLAN.
* Produto: Potássio (cloreto de potássio) para fertilizantes.
* Tecnologia: Inteligência artificial aplicada à separação de minérios por sensores de raios X.
* Tendência: Inovação e eficiência de processos na mineração para redução de dependência de importações agrícolas.
Brazil Potash testa IA para aumentar futura produção de potássio no AM
Testes com inteligência artificial permitiram separar minério de maior teor no projeto Autazes; tecnologia ainda depende de estudos para aplicação industrial
A Brazil Potash anunciou nesta terça-feira (13) resultados positivos de testes com inteligência artificial para aumentar a eficiência do processamento de minério no projeto de potássio de Autazes, no Amazonas.
Segundo a companhia, a tecnologia pode permitir a ampliação da produção e o prolongamento da vida útil da futura mina.
Os testes, realizados em parceria com a empresa de engenharia ERCOSPLAN, utilizaram sensores de raios X associados à inteligência artificial para identificar e separar materiais de diferentes teores de potássio.
Em uma das amostras analisadas, o teor de cloreto de potássio (KCl) passou de aproximadamente 13% para 27% após o processo de separação. A empresa informou ainda que a tecnologia permitiu descartar cerca de 20% do material de menor qualidade antes do beneficiamento.
O objetivo é retirar parte do material de baixo teor antes que ele chegue à planta industrial, liberando capacidade de processamento para o minério de maior qualidade.
Segundo a companhia, essa estratégia poderia aumentar a produção sem a necessidade de construir um terceiro poço de mina, além de permitir o aproveitamento de áreas do depósito que atualmente não apresentam viabilidade econômica.
"Esses resultados nos oferecem uma oportunidade interessante de potencialmente ampliar a flexibilidade de produção no futuro, seja por meio de uma taxa de produção maior, de uma vida útil mais longa para a mina ou de ambas as possibilidades", afirmou Matt Simpson, CEO da Brazil Potash.
Como funciona a tecnologia
O sistema utiliza sensores de transmissão de raios X e ferramentas de inteligência artificial para analisar individualmente as partículas de minério e identificar diferenças entre materiais de maior e menor qualidade.
A tecnologia emprega modelos de aprendizado profundo treinados com milhões de imagens para reconhecer características dos materiais, como formato, tamanho e cor.
A partir dessa análise, o equipamento aciona válvulas de alta velocidade que liberam jatos de ar comprimido para retirar as partículas consideradas de menor qualidade.
Apesar dos resultados iniciais, a Brazil Potash ressaltou que as amostras utilizadas foram pequenas e ainda não representam as condições de uma operação industrial.
A companhia pretende realizar testes em escala maior somente após o início da produção comercial da mina. A eventual incorporação da tecnologia dependerá de novas avaliações técnicas, de engenharia e de viabilidade econômica.
Projeto no Amazonas
A Brazil Potash desenvolve o projeto Autazes por meio de sua subsidiária Potássio do Brasil, com o objetivo de ampliar a oferta nacional de um dos principais insumos utilizados na fabricação de fertilizantes agrícolas.
O potássio é um dos três macronutrientes essenciais dos fertilizantes NPK, ao lado do nitrogênio e do fósforo. Apesar da relevância da produção agrícola brasileira, o país depende fortemente de fornecedores internacionais para atender à demanda.
Segundo a companhia, aproximadamente 96% do potássio consumido no Brasil em 2025 foi importado.