A Konami anunciou Castlevania: Belmont's Curse, primeiro jogo original da franquia principal em quase duas décadas, desenvolvido pelos estúdios Motion Twin e Evil Empire. O título une a nostalgia da série clássica — inspirando-se também na série animada da Netflix — a elementos modernos de exploração e a mecânicas de combate influenciadas por sucessos do gênero metroidvania, como Dead Cells e Hollow Knight. Com uma campanha de cerca de 15 horas estrelada por Rose Belmont, o jogo aposta em fluidez de movimentação, alta dificuldade e um visual artístico inspirado em animações.
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Novo ‘Castlevania’ usa nostalgia e Netflix para modernizar série clássica
Belmont's Curse usa estética de série animada, combates renovados e exploração moderna para colocar série da Konami de volta entre grandes aventuras dos games
Nos últimos anos, a Konami tem feito um excelente trabalho de reviver jogos queridos há muito tempo esquecidos. Fez isso com duas excelentes coletâneas de Metal Gear, caprichou ainda mais com excelentes releituras e novos capítulos de Silent Hill e agora traz um capricho extremo com Castlevania.
Belmont’s Curse é o primeiro game original da série em mais de uma década, desde o fim da trilogia Lords of Shadow, considerada um spin-off, e quase vinte anos se considerarmos o último título da linhagem principal da franquia.
Nesse tempo todo de ausência, o estilo de jogo que ajudou a criar, chamado metroidvania, evoluiu de forma impressionante, graças especialmente a games indie como Hollow Knight e Dead Cells. Por outro lado, a paixão dos fãs sempre manteve uma chama de esperança acesa por conta das excelentes séries animadas da Netflix.
Felizmente, tudo isso converge de forma sublime em Belmont’s Curse, resultando em um jogo que resgata e respeita tradições, mas ao mesmo tempo ousa mudar elementos importantes e atualiza Castlevania para os tempos atuais com a promessa de um futuro brilhante.
A história é uma sequência direta do antigo Castlevania 3, um dos episódios mais celebrados e que serviu de inspiração para as produções da Netflix, e tem como protagonista Rose Belmont, filha de Trevor Belmont e Sypha Belnades, casal notório de caça-vampiros que derrotou o vilão Drácula.
Uma nova ameaça surge na Europa e Paris é atacada por diversos monstros, o que motiva o bispo da cidade a pedir ajuda à família Belmont. A trama cresce e toma rumos tanto previsíveis quanto inesperados, entregando o que todo fã de Castlevania espera, mas também com algumas surpresas na manga.
O jogo começa de forma linear e em poucas horas se abre de forma empolgante, uma evolução que espelha a própria transformação da franquia ao longo de 40 anos. São cerca de 15 horas para terminar a aventura, mas é fácil chegar ao dobro disso caso queira mergulhar em todos os segredos que a nova jornada contra Drácula oferece. Porém, enquanto a exploração traz contornos lineares, o sangue que corre nos controles é de outra linhagem.
A movimentação é fluida e de ritmo cadenciado, uma das assinaturas dos estúdios franceses Motion Twin e Evil Empire, responsáveis pelo desenvolvimento de Belmont’s Curse, mas também por Dead Cells, um dos metroidvanias que revitalizaram o gênero de forma marcante. Fãs mais antigos de Castlevania podem estranhar no começo, mas o sistema de controles cresce e envolve, em perfeita sintonia com o mundo ao redor, permitindo explorar os ambientes de forma rápida e elegante – o que acaba também combinando com a estética da série.
A renovação vale também para os combates, em especial as batalhas contra chefões. A dificuldade é alta, mas a liberdade para personalizar seu estilo de jogo também é. Rose conta com um variado arsenal com 7 tipos de armas, cada uma com características próprias.
Espadas são ágeis e fáceis de usar, espadas de duas mãos são mais lentas e poderosas e o catálogo passa ainda por lanças, manoplas e até chicotes, como é tradição na série. Aqui fica muito evidente uma das influências mais fortes de Dead Cells em Belmont’s Curse, já que os equipamentos são bem diferentes e favorecem diferentes maneiras de jogar. Por sua vez, se aliam a outra influência, esta de Hollow Knight, que são relíquias que concedem diferentes tipos de vantagens e permitem aperfeiçoar seu estilo de gameplay.
Por fim, o visual do jogo embrulha tudo isso com um belo laço. É o aspecto que mais difere do passado, quando Castlevania se consolidou com um estilo em pixel art superdetalhado antes de produções em 3D. Belmont’s Curse investe em uma identidade artística que lembra mais desenhos animados, como as produções de sucesso da franquia na Netflix, com linhas mais curvas e uma profusão de cores que dão forma ao mundo.
A princípio, confesso que até me perdi um pouco em alguns cenários, os elementos pareciam se confundir e eu tinha dificuldade em diferenciar o que era apenas um detalhe de enfeite daquilo que eram de fato os inimigos e plataformas. Ainda assim, uma vez que se acostuma a essa linguagem visual, o capricho é extremo e dá identidade única e marcante à odisseia de Rose, amplificada pela trilha sonora absolutamente impactante. Temas de pura nostalgia renascem com notas mais pesadas e graves, aliadas a composições novas e batidas eletrônicas que dão frescor à experiência.
A influência da Netflix vai além da parte gráfica e vejo também um pouco disso na história. Ao vencer alguns inimigos, a heroína Rose os absorve em cartas de tarô que a acompanham, permitindo a ela conversar com esses antigos adversários no decorrer da aventura. É um recurso narrativo muito mais presente do que a média de outros títulos de Castlevania e ajuda a aprofundar as relações entre personagens e o tanto que sabemos sobre eles, algo que também é marcante e recorrente nas temporadas do desenho no streaming. Todos os textos estão em português em mais um excelente trabalho de localização da Konami.
Castlevania: Belmont’s Curse é um game delicioso e envolvente, difícil de largar e ficar pensando nos desafios que oferece. Fãs antigos da série vão encontrar muitas referências e os elementos essenciais da experiência clássica aqui, enquanto quem nunca viveu essa emoção vai encontrar um jogo de aventura 2D que não fica devendo em nada a Dead Cells, Hollow Knight, Metroid Dread, Animal Well, Ori e tantos outros metroidvanias incríveis dos últimos anos.