A Brasil Game Show 2026 aconteceu no último fim de semana, no Distrito Anhembi, em São Paulo, mas a edição deste ano foi marcada por críticas à estrutura e à redução do espaço dedicado às grandes empresas de games. Nas redes sociais, criadores de conteúdo e visitantes apontaram a falta de atrações e a quantidade de áreas vazias em comparação com anos anteriores.
Apesar de o evento continuar atraindo público, a ausência de marcas tradicionais e o espaço ocupado por uma praça de alimentação gigantesca levantaram questionamentos sobre o futuro da autointitulada “maior feira de games da América Latina”.
A seguir, o VOXL reuniu os principais pontos das críticas e os fatores que podem ajudar a explicar a situação atual da BGS. A organização do evento foi contactada pela redação e confirmou que o evento retorna em 2027.
Segundo a organização, a edição deste ano trouxe 18 games jogáveis antes do lançamento e contou com a participação de grandes empresas do ramo, mas reconheceu que existem desafios. “A maior e mais tradicional feira de games da América Latina sabe que nem sempre é fácil, e que é preciso enfrentar todos os desafios para continuar avançando.”
A Brasil Game Show também garantiu que retornará no ano que vem. “Em 2027, o jogo continua. De 9 a 12 de outubro, a BGS será realizada em São Paulo para levar ao público muitos jogos, atrações de qualidade e novidades pensadas de gamer para gamer.”
BGS 2026 foi a menor edição do pós-pandemia e basicamente um terço do evento era praça de alimentação
Uma das críticas mais recorrentes à BGS 2026 foi a redução da área de exposição. Aproximadamente um terço do pavilhão era ocupado por mesas, cadeiras e espaços vazios, enquanto outras áreas eram destinadas a atrações institucionais da própria feira — como cercadinhos para cosplayers, auditório, loja de produtos e máquinas de arcade.
A estrutura contrastou com a presença reduzida de estandes de grandes empresas, que historicamente costumam concentrar parte do público da BGS. Além disso, o preço da alimentação também virou alvo de reclamações — com um simples cachorro-quente custando na casa dos R$ 60.
Outro ponto destacado foi a quantidade de expositores menos conhecidos e a ausência de marcas tradicionais, como Nvidia, Intel, HyperX, PlayStation e Xbox. Em anos anteriores, essas empresas costumavam levar grandes espaços com demonstrações de hardware, jogos e experiências interativas, mas não estiveram presentes na edição de 2026.
A área indie também recebeu críticas pela falta de visibilidade. Embora reunisse jogos independentes, o espaço ficou em um canto pouco destacado do pavilhão, dificultando que os visitantes encontrassem os projetos de estúdios menores. A feira também contou com lojas e expositores de segmentos distantes do público gamer, incluindo uma loja de panelas.
Em suma, os espaços tradicionalmente ocupados pelas grandes marcas acabaram preenchidos por atrações da própria organização. O criador Ohadesplays destacou a redução dos estandes e os espaços vazios, afirmando que a feira estava “absurdamente estranha” em comparação com as edições anteriores.
PlayStation e Xbox não compareceram na BGS 2026 — enquanto SEGA e Nintendo tiveram que cumprir contratos
A ausência de PlayStation e Xbox foi um dos pontos mais comentados da BGS 2026. Enquanto as duas fabricantes ficaram de fora, Nintendo e SEGA mantiveram os maiores estandes da feira, com jogos e experiências para os visitantes. A Square Enix também participou, mas com uma estrutura bem menor.
A presença de algumas empresas pode estar relacionada a contratos plurianuais, que garantem participação em várias edições do evento. Segundo informações discutidas pelo canal TVPH, esses acordos podem envolver multas elevadas em caso de rompimento antecipado, tornando mais vantajoso para as empresas manterem os estandes até o fim do contrato.
O criador afirmou que o contrato da SEGA terminaria em 2026, enquanto o da Nintendo seguiria até a edição de 2027 — que seria a última antes de uma possível renovação. Essas informações não foram confirmadas oficialmente pelas empresas.
Os valores cobrados pela organização da BGS para a participação dos expositores também não foram divulgados, mas a montagem de grandes estandes como os da PlayStation e do Xbox envolvem gastos significativos com espaço, estrutura e equipe. Considerando o cenário econômico atual, uma abordagem mais contida dessas empresas na BGS já é algo esperado para reduzir custos.
Na feira, a SEGA levou jogos como Stranger Than Heaven e Crazy Taxi World Tour, enquanto Nintendo levou títulos recentes do Switch 2 para os visitantes testarem. Já a Square Enix teve um estande reduzido, com poucas estações para testar a demo de Final Fantasy VII Rebirth, o que provocou filas de até duas horas, segundo relato do TVPH.
Conflito de agendas
A ausência de grandes marcas também coincidiu com a realização de outro evento no mesmo fim de semana. O Pichau Arena 2026, em Joinville, Santa Catarina, reuniu empresas e marcas de tecnologia e periféricos que costumavam marcar presença na BGS, incluindo Nvidia, HyperX e Intel - bem como a própria Pichau.
A realização de duas feiras no mesmo período pode ter contribuído para a divisão dos investimentos e das equipes das empresas. Com a indústria de games e tecnologia mais cautelosa nos gastos, eventos concorrentes disputam não apenas a atenção do público, mas também o orçamento destinado a estandes, demonstrações e ativações de marca.
Além disso, a final do CBLOL 2026 aconteceu no mesmo fim de semana, dividindo ainda mais a atenção de parte do público interessado em games e esports. A combinação de eventos simultâneos pode ter prejudicado a capacidade da BGS de concentrar atrações e expositores, embora não seja possível atribuir a redução da feira a um único fator.
Será o fim da Brasil Game Show?
Nos bastidores, o VOXL ouviu de mais de uma fonte que o contrato da BGS com o Distrito Anhembi termina após a edição de 2027. Até o momento, não está claro se o evento continuará no mesmo local ou se haverá mudanças de estrutura e formato para os próximos anos.
A feira também enfrenta concorrência crescente da Gamescom Latam, versão latino-americana do evento alemão, bem como da CCXP, que acontece no fim do ano. Com propostas e públicos parcialmente semelhantes, essas atrações ampliam as opções para empresas que precisam decidir onde investir em divulgação e experiências presenciais.
A BGS ainda conta com uma base de visitantes interessada em conhecer jogos e participar de atividades presenciais, mas a edição de 2026 reforçou a necessidade de mudanças para manter a relevância no calendário brasileiro. A permanência de grandes marcas e a valorização dos estúdios independentes podem ser pontos importantes nessa discussão.
BGS garante que retorna em 2027 e reconhece desafios
Em comunicado enviado ao VOXL, a assessoria da Brasil Game Show confirmou que o evento retorna de 9 a 12 de outubro de 2027, com ingressos já à venda no site. A organização também reconheceu que existem desafios e mudanças no mercado.
“A BGS 2026 proporcionou aos visitantes deste ano quatro dias de muitos games, com 18 títulos jogáveis antes do lançamento, centenas de estações de jogo e a presença de marcas consagradas do setor”.
De 9 a 12 de outubro, a BGS será realizada em São Paulo para levar ao público muitos jogos, atrações de qualidade e novidades pensadas de gamer para gamer.
A Brasil Game Show ressaltou a presença de parceiras como Nintendo, SEGA, Square Enix e Activision, mas não comentou sobre os contratos com as companhias. “Além disso, estiveram presentes 9 convidados internacionais – como o compositor Shota Nakama com a Video Game Orchestra –, desenvolvedores de sucesso, milhares de cosplayers credenciados e dezenas de personalidades para painéis e sessões de meet & greet.”
“Ao longo de suas 17 edições, o evento vivenciou muitas transformações de mercado, de cenário econômico, de perfil de consumo e de estratégias das marcas. Mesmo assim, levou aos fãs o seu melhor. A maior e mais tradicional feira de games da América Latina sabe que nem sempre é fácil, e que é preciso enfrentar todos os desafios para continuar avançando”, disse a organização.
Você foi à BGS 2026? Conte nas redes sociais do Voxl o que achou da edição deste ano e se pretende voltar em 2027!