O setor de serviços registrou recuo de 0,1% em agosto, impulsionado pela queda específica no transporte de cargas, conforme apontou o FGV Ibre. Economistas alertam que a desaceleração generalizada do setor coloca em risco o resultado do PIB do terceiro trimestre, que pode apresentar variação negativa devido aos juros altos e à retração nos investimentos.
Principais tópicos: Economia, setor de serviços, transporte de cargas, PIB do terceiro trimestre, inflação.
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Serviços frustram expectativas e economistas veem PIB do terceiro trimestre sob risco de resultado negativo
Abaixo das expectativas, o resultado do setor de serviços em agosto — recuo de 0,1%, ante uma mediana das projeções de alta de 0,5% — já abre uma discussão entre os economistas sobre a possibilidade de um resultado negativo do PIB no terceiro trimestre, apesar de a estimativa majoritária ainda ser de estabilidade. O setor está praticamente parado desde setembro do ano passado, aponta o Bradesco em seu relatório. Nos últimos 12 meses, a PMS desacelerou de 2,4% para 2,2%, o quarto mês consecutivo de desaceleração e o menor ritmo de crescimento desde agosto de 2024.
Luís Otávio Leal, economista-chefe do G5 Partners, reforça, em sua análise, que, por qualquer ângulo que se observe, há desaceleração, tanto no número agregado quanto nos grandes grupos que o compõem, configurando um cenário em que o PIB do terceiro trimestre tende a entrar no terreno negativo. Para ele, a projeção inicial de estabilidade no trimestre parece cada vez mais otimista. O tracking no momento é negativo em 0,3%, explicou Leal ao blog.
— A PMS de hoje reforça a tendência de que o PIB no terceiro trimestre venha negativo, o que, mais do que mudar na margem a perspectiva de crescimento para 2026, terá impactos importantes para o PIB de 2027 via carrego estatístico. Amanhã tem a PMC e na sexta-feira o IBC-Br que podem confirmar essa tendência — destacou o economista-chefe da G5 Partners.
Carlos André Vieira, pesquisador do FGV Ibre, afirma que, no resultado da PMS de agosto, as maiores surpresas vieram da queda no transporte de cargas e da estabilidade nos serviços de informação e comunicação, segmento para o qual se esperava um repique depois da queda registrada em julho. Já a alta de 2,1% nos serviços prestados às famílias surpreendeu positivamente, mas pode não se repetir. Na avaliação do pesquisador, o resultado está vinculado ao alívio da inflação em agosto, o IPCA teve variação negativa de 0,39%, especialmente no grupo de alimentos.
— Quando a inflação dá alívio, libera parte da renda da família, mas a gente observa que é em um tíquete bem baixo, com reflexo especialmente em serviços ligados à alimentação. Os setores dependentes do crédito, como compras de bens duráveis, e serviços não essenciais não tiveram o mesmo desempenho. A alta da inflação de setembro, de 0,82%, indica que esse comportamento pode não se repetir na próxima PMS. Apesar de termos as menores taxas de desocupação, o Caged já mostra arrefecimento no mercado de trabalho. Com os juros tão altos e a incerteza do período eleitoral, que leva ao adiamento de investimentos, a tendência é que os serviços, assim como toda a economia, continuem desacelerando — reforça Vieira, que não descarta a possibilidade de uma variação negativa do PIB no terceiro trimestre.