A notícia trata de um caso policial e judicial sobre o homicídio de uma policial militar, não abordando nenhum assunto relacionado a transporte de cargas, rodovias, custos operacionais, legislação da ANTT ou documentação de veículos e motoristas. Portanto, não há informações relevantes para caminhoneiros, frotistas ou transportadores.
Caso Gisele: Justiça mantém prisão de tenente-coronel acusado de matar esposa com tiro na cabeça
Juíza argumentou que há risco de 'interferência ou constrangimento de testemunhas', já que o próprio réu admitiu ter tentado entrar em contato com uma PM amiga da vítima
A Justiça de São Paulo manteve a prisão do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, réu acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro. A defesa do coronel havia feito o pedido de revogação da prisão no último dia 5, após seu último depoimento antes que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri.
Em decisão proferida nesta terça-feira (13), a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri da capital, refutou a alegação da defesa de que não haveria mais necessidade de manter a prisão preventiva após o encerramento dos depoimentos do réu e das testemunhas. A magistrada destacou que, durante o depoimento, Rosa Neto admitiu que tentou entrar em contato, por telefone, com a PM Sheila Aparecida Magrini, amiga da vítima. A juíza afirma que a soltura do coronel poderia acarretar em "interferência" no processo.
"Tais elementos concretos evidenciam que o risco de interferência, pressão ou constrangimento sobre o ânimo das testemunhas não decorre de mera presunção abstrata, mas de postura ativa demonstrada pelo agente", escreveu a juíza. "O encerramento das audiências de instrução ou a realização do interrogatório judicial perante o juízo singular não esgota a atividade probatória testemunhal nem exaure a necessidade de tutela cautelar da prova oral. Ao contrário, em caso de eventual pronúncia, as testemunhas, inclusive as protegidas, poderão ser reinquiridas diretamente perante os jurados, incumbindo ao Poder Judiciário assegurar que sigam comparecendo despidas de qualquer constrangimento, temor ou ingerência indevida".
Rosa Neto é réu por feminicídio e fraude processual e está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes. Segundo a acusação do Ministério Público, ele matou a soldado e depois alterou a cena para simular um suicídio, incluindo o posicionamento da arma na mão da vítima.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça em seu apartamento, na Rua Domingos Paiva, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas a investigação passou a sustentar a hipótese de feminicídio.
Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, concluído em setembro, mostrou que a soldado não cometeu suicídio e que sua morte envolveu a intervenção de uma segunda pessoa. A perícia afirmou que a hipótese de suicídio foi “falsificada” por incompatibilidades materiais encontradas na cena. O documento é complementar a exames anteriores e foi produzido a pedido da Justiça para responder aos quesitos apresentados pelo assistente técnico da defesa.
Segundo a perícia, o conjunto de padrões de manchas de sangue e os demais elementos objetivos encontrados no local contradizem a hipótese de suicídio. A perícia também afirma que nenhum dos elementos examinados permitiu afastar a hipótese de intervenção de uma segunda pessoa na morte. Já a hipótese de suicídio não resistiu ao teste feito pelos peritos.
Para reconstruir a dinâmica dos acontecimentos, os peritos analisaram diferentes configurações do apartamento: uma baseada na versão apresentada pelo réu, outra relatada pelos socorristas que chegaram primeiro ao local e uma terceira reconstruída a partir das fotografias feitas na época. Essas versões foram confrontadas com os registros e vestígios documentados.