99 investe R$ 150 milhões em segurança e aposta em IA para proteção de usuários Plataforma foca em prevenção de acidentes e fraude, com expansão de funcionalidades para 2027 O 99Tech Summit estreou nessa quarta-feira (14) com um painel inteiramente dedicado à segurança e abriu suas portas para a mídia nesta primeira edição, para detalhar seus planos de tecnologia. A mensagem do evento foi direta: proteger motoristas e passageiros deixou de ser função acessória do aplicativo para se tornar eixo estrutural de toda a arquitetura tecnológica da plataforma. O evento reuniu representantes da 99, da Trama e da Único para apresentar soluções de segurança física e cibernética desenvolvidas em parceria pelas três empresas. O anúncio de maior destaque foi o “Suporte em tempo real”, solução baseada em inteligência artificial (IA) voltada para motoristas de moto que combina previsão de acidentes, geração de alertas automáticos e acionamento humanizado do suporte, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). IA que prevê, humano que decide A solução coleta sinais durante as corridas para mapear comportamentos que podem indicar risco de acidente. Quando o sistema identifica um padrão de alerta, aciona a equipe de segurança da 99, que entra em contato direto com o motociclista e coordena as medidas necessárias, sejam de remediação ou de prevenção. O processamento leva em conta horário, condição da corrida e localização, mas preserva uma camada de análise humana sobre os dados gerados pela IA. A gerente sênior de prevenção e percepção e segurança da 99, Maria Luiza Marcolan, afirma que a solução foi construída a partir de escuta ativa e pesquisa de experiência do usuário. “Nosso time pensa muito em soluções de segurança que realmente sejam úteis para quem está na ponta”, destaca Maria Luiza. Leia também: Diego Majdalani assume presidência da Lenovo na América Latina O aplicativo já oferece aos motociclistas um relatório de direção com nota individual e conteúdo educativo, mas a 99 entende que a conscientização, isolada, precisa de governança para produzir efeito. A solução está disponível também no México, onde a versão da plataforma inclui proteção contra assédio, importunação e violência sexual. No Brasil, essa funcionalidade adicional é inviável para 2026; os representantes das três empresas confirmaram que existem planos concretos para 2027. A extensão do “Suporte em tempo real” para corridas de carro segue o mesmo horizonte; a estratégia é consolidar os resultados com as motos antes de ampliar o escopo, com 2027 como prazo para ambas as expansões. Segurança de mulheres na plataforma Um bloco relevante, que continua o plano discutido acima, foram as soluções já existentes voltadas para mulheres, como a “Pitia”, que gere a segurança do público feminino na plataforma. A construção dessas funcionalidades parte de um reconhecimento de vulnerabilidade. “A realidade das mulheres na mobilidade é diferente; reconhecendo isso, criam-se camadas mais personalizadas, baseadas no risco real”, afirma Maria Luiza. Na prática, isso se traduz em mudanças no mecanismo de correspondência entre motorista e passageira. Em situações identificadas como de risco para mulheres, o algoritmo filtra automaticamente os motoristas mais bem avaliados na plataforma. Assim que um motorista aceita uma corrida classificada como de risco, a 99 envia as normas de segurança e de conduta contra assédio. O chat do aplicativo também passa por monitoramento, onde a IA avalia o conteúdo das mensagens antes mesmo de o usuário registrar uma denúncia formal. Outro recurso apresentado foi o “modo mulher”, que permite às motoristas aceitar apenas corridas de passageiras. Para ampliar a base de motoristas do gênero feminino, a 99 mantém um programa de indicação em que o valor do incentivo financeiro é maior quando a indicação é feita para uma mulher. Segurança desde início e o risco do excesso de automação Amanda Graciano, fundadora e sócia da Trama, defende o conceito de security by design, que consiste em integrar a segurança ao produto desde a fase de concepção, antes de qualquer linha de código. “O ideal em um produto de tecnologia é analisar a jornada e identificar quem são as pessoas que vão passar por ela; antes da empolgação, é necessário mapear todas as necessidades. Um dos maiores erros no avanço da tecnologia é não estudar o processo; o planejamento pode demorar, mas, quando feito da forma correta, gera uma execução de muito mais cuidado, conforto e sucesso”, explica Amanda. Para ela, a pergunta central não é apenas como reduzir incidentes, mas o que exatamente será reduzido: o número de resoluções, o tempo de recuparção, os erros que chegam ao estágio de incidente ou as informações coletadas desnecessariamente. A relação entre IA e decisão humana é, segundo Amanda, o principal desafio operacional dessa redução. “Se a IA consegue identificar muito mais rapidamente que o olhar humano, um incidente ou um dado, delega-se essa tarefa a ela; o restante fica com o humano. A regra é clara: o que cada um faz de melhor fica sob sua responsabilidade, mas tudo isso com muito treinamento de ambos os lados, além de contexto suficiente para que os padrões planejados sejam identificados”, afirma. O risco que Amanda aponta não é a falha da máquina, mas o atrofiamento do profissional que supervisiona. “Quando se para de executar determinada tarefa, fica em falta o olhar crítico sobre ela. Ao confiar excessivamente na automação, gera um novo risco, principalmente na 99, que é o esquecimento do que está jogo, que nesse caso é uma vida”, enfatiza. Fraudes e identidade digital Vinicius Miranda, gerente de produtos da Único, cuida da identidade digital e da prevenção a fraudes. No primeiro semestre de 2026, a empresa afirma ter evitado três milhões de tentativas de fraude, com impacto estimado em R$ 9 bilhões. “Ao evitar a fraude de um parceiro, todos os demais estão protegidos”, diz Miranda, descrevendo a lógica de rede que sustenta o modelo. Para ele, o combate a fraudes com IA exige uma premissa que muitos sistemas ignoram. “Não é possível identificar os incidentes causados pela inteligência artificial sem usar uma camada própria de IA que se compare ao outro lado; os sistemas da Único são treinados para acompanhar o avanço dos agentes criminosos e entender suas nuances”, explica. Miranda também apresenta o conceito de validação proporcional ao risco, onde soluções exageradas, mesmo que de segurança, geram mais uma vulnerabilidade do que uma proteção. “É necessário trabalhar com proporção e personalização; em um setor em que o usuário é totalmente conhecido, a validação biométrica pode ser desnecessária. O importante é saber exatamente o que se precisa em seu processo”, afirma. Investimento e próximos passos A 99 projeta investir mais de R$ 150 milhões em segurança em 2026. “Segurança é um pilar inegociável na 99”, afirma Maria Luiza. O montante sustenta não apenas as soluções apresentadas no evento, mas toda a infraestrutura de parceria com a Trama e a Único. O que ainda não está definido é a velocidade de expansão das funcionalidades mais complexas. A proteção contra violência sexual para o contexto brasileiro e a extensão do “Suporte em tempo real” para corridas de carro estão previstas para 2027, mas dependem dos resultados que o piloto com motos vai produzir até lá. Amanda resume a postura do ecossistema, onde “por mais que se trabalhe para construir modelos mais robustos, a consciência de que o modelo já nasce falho é importante, porque isso permite a melhoria constante; todo novo caso ou incidente precisa ser registrado para que a solução possa evoluir continuamente”. É essa combinação de automação em escala e revisão humana contínua que a 99 aposta como diferencial competitivo na disputa por novos motoristas. Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias! Notícias relacionadas Ver mais- Notícias Globalweb conquista R$ 300 mi em 11 contratos no Centro-Oeste Redação - Notícias Estudo da Capgemini indica que IA agêntica divide desempenho na indústria automotiva Redação - Notícias Diego Majdalani assume presidência da Lenovo na América Latina Redação - Notícias De segunda a sábado difícil, domingo fácil: 8 lições de Tom Brady sobre alta performance Déborah Oliveira