A América do Sul era um lugar muito diferente há mais de 10 milhões de anos. Durante o Mioceno, um enorme lago cobria boa parte do continente e abrigava uma grande variedade de animais, incluindo tartarugas gigantes e crocodilianos. Nas margens, outros predadores também circulavam, como sucuris, mamíferos e aves terrestres gigantes, segundo informações do portal Eurekalert.
Um novo estudo indica que, apesar da diversidade de predadores, os crocodilianos formavam o grupo mais importante entre os caçadores daquele ambiente. A grande quantidade de presas disponíveis permitia a existência de diferentes predadores, mas os crocodilianos se destacavam principalmente pela capacidade de capturar animais de grande porte.
Predadores gigantes ocupavam o topo
As margens do antigo lago eram habitadas por diversos herbívoros. Entre eles estavam preguiças-gigantes, gliptodontes, parentes dos tatus e outros. Alguns desses animais ultrapassavam uma tonelada, oferecendo presas de grande porte para os predadores que viviam na região.
O maior predador daquele ambiente era o Purussaurus neivensis, um crocodiliano relacionado aos atuais jacarés. O animal podia alcançar sete metros de comprimento e pesar cerca de 1.800 quilos. Com esse tamanho, o gigante ocupava o topo da cadeia alimentar e pode até ter influenciado a quantidade de herbívoros existentes na região.
Para quem tem pressa:
- Crocodilianos dominavam os ecossistemas sul-americanos há mais de 10 milhões de anos;
- O Purussaurus neivensis chegava a sete metros de comprimento;
- O gigante podia pesar cerca de 1.800 quilos;
- Marcas de mordidas em fósseis revelam seus hábitos de caça;
- O predador ocupava o topo da cadeia alimentar do antigo lago.
Marcas nos fósseis revelam os ataques de crocodilos
Para entender quais predadores dominavam esses ecossistemas, os pesquisadores analisaram fósseis preservados em coleções de museus. Entre os principais indícios estão marcas de mordidas e de dentes deixadas nos ossos dos herbívoros. Esses sinais representam uma das poucas evidências diretas das interações entre predadores e suas presas no passado.
Os fósseis analisados possuem entre 10,5 milhões e 16 milhões de anos. A frequência de marcas que provavelmente foram produzidas pelo Purussaurus indica que o crocodiliano desempenhava um papel importante nos ecossistemas tropicais. A quantidade de registros sugere que o animal não era apenas um predador ocasional, mas um dos principais responsáveis por caçar grandes herbívoros.
A disponibilidade de presas também ajudava a sustentar a grande diversidade de predadores. Segundo os pesquisadores, havia tantos animais disponíveis que os mamíferos carnívoros não conseguiriam consumir toda essa oferta. Nesse cenário, os crocodilianos se destacavam pela capacidade de explorar especialmente as presas de maior tamanho.
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A presença de um predador como o Purussaurus neivensis mostra como a cadeia alimentar da América do Sul durante o Mioceno era marcada por animais de dimensões impressionantes. Ao analisar as marcas deixadas nos fósseis, os pesquisadores conseguem reconstruir parte dessas relações e identificar o papel que os crocodilianos gigantes desempenhavam nesses antigos ambientes.
Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.