Fim da escala 6x1: como calcular quantas horas você vai trabalhar por dia Entenda o que muda com o fim da escala 6x1, quantas horas será possível trabalhar por dia e como calcular a nova jornada com ferramentas online gratuitas A proposta que prevê o fim da escala 6x1 foi aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14), em dois turnos, por 75 votos a 1. O texto, que já havia passado pela Câmara dos Deputados, estabelece a substituição da jornada de seis dias de trabalho e um de folga pela escala 5x2, com dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A mudança ainda depende de promulgação pelo Congresso Nacional e será implementada gradualmente: a carga horária máxima passará das atuais 44 horas semanais para 42 horas após 60 dias e, posteriormente, para 40 horas. Mas, com o fim da escala 6x1, quantas horas será possível trabalhar por dia? A resposta depende da carga horária semanal e de como ela será distribuída ao longo dos cinco dias de trabalho. Neste guia, o TechTudo explica como calcular a nova jornada diária com uma calculadora online gratuita ou usando o Excel e o Google Planilhas. Entenda também as diferenças entre as escalas 6x1 e 5x2 e os prazos previstos para a implementação das novas regras. 📝 Inteligência artificial é perigosa? Veja no fórum do TechTudo 🔎 IA nas eleições 2026: veja o que é permitido e proibido nas campanhas Índice - O que muda na jornada de trabalho com o fim da escala 6x1? - Quantas horas por dia serão trabalhadas na escala 5x2? - Como calcular a nova jornada de trabalho online - Como calcular a jornada de 40 horas semanais no Excel ou Google Planilhas - Quando a nova jornada de trabalho começa a valer? 1. O que muda na jornada de trabalho com o fim da escala 6x1? O fim da escala 6x1 prevê mudanças na organização da jornada de trabalho no Brasil, com a ampliação do descanso semanal e a redução gradual do limite de horas trabalhadas. A proposta estabelece a adoção de dois dias de folga remunerada por semana e diminui a carga horária máxima, atualmente fixada em 44 horas semanais, para 42 horas na primeira etapa e, posteriormente, para 40 horas. A principal diferença entre os modelos está na distribuição dos dias de trabalho e de descanso. Na escala 6x1, o trabalhador cumpre seis dias de serviço e tem um dia de folga. Já na escala 5x2, são cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana. A mudança, no entanto, não significa necessariamente que todos os profissionais terão folgas aos sábados e domingos: a organização dos dias de descanso pode variar conforme a atividade e a escala adotada. Outro ponto previsto é a redução da jornada sem corte salarial, incluindo os pisos das categorias profissionais. Assim, a diminuição do limite semanal não deverá resultar em redução proporcional da remuneração dos trabalhadores abrangidos pelas novas regras. A proposta foi aprovada pelo Senado em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário, e prevê uma transição gradual. O primeiro prazo estabelecido é de 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, quando o limite semanal passaria de 44 para 42 horas e os dois dias de descanso remunerado seriam garantidos. Depois de 14 meses da promulgação, o teto cairia para 40 horas semanais. A aprovação, porém, não significa que as novas regras comecem a valer imediatamente. É necessário considerar a etapa de promulgação e publicação oficial, além dos prazos de transição previstos. Por isso, antes de calcular como ficará a rotina de trabalho, é importante identificar qual limite de horas se aplica a cada fase da mudança. 2. Quantas horas por dia serão trabalhadas na escala 5x2? A quantidade de horas trabalhadas por dia na escala 5x2 depende do limite semanal de jornada e da forma como a empresa organiza os horários. Com cinco dias de trabalho e dois de descanso, a média diária é calculada dividindo o total de horas da semana pelos cinco dias trabalhados. Na jornada atual de 44 horas semanais, por exemplo, essa divisão resulta em uma média de 8 horas e 48 minutos por dia. Com a redução para 42 horas, a média passa a ser de 8 horas e 24 minutos. Já no cenário de 40 horas semanais, são oito horas diárias, considerando uma distribuição igual entre os cinco dias. Os números são exemplos ilustrativos, calculados a partir da divisão igual das horas semanais por cinco dias de trabalho. A distribuição efetiva pode variar conforme as regras aplicáveis à categoria, os acordos coletivos e a organização da jornada. Isso significa que a redução da carga horária semanal não determina, por si só, que todos os dias terão exatamente a mesma duração. Uma empresa pode distribuir as horas de maneira diferente ao longo da semana, respeitando os limites e as condições legais aplicáveis. Como fica o intervalo para almoço? Outro ponto importante é diferenciar as horas efetivamente trabalhadas do tempo reservado ao descanso ou à alimentação. Em regra, o intervalo intrajornada não entra no cálculo da jornada de trabalho quando não é computado como tempo de serviço. Assim, em um exemplo de jornada de oito horas trabalhadas por dia, com uma hora de intervalo para almoço, o período total entre a entrada e a saída será de nove horas. Se o expediente começar às 9h, por exemplo, o trabalhador poderá sair às 18h, considerando uma hora de intervalo e sem incluir outros períodos de pausa. Por isso, ao calcular a duração do expediente, é necessário considerar tanto a carga horária efetiva quanto os intervalos previstos para a jornada. A escala 5x2 define a quantidade de dias de trabalho e de descanso, mas não significa que o tempo entre a entrada e a saída será igual ao número de horas trabalhadas. 3. Como calcular a nova jornada de trabalho online Uma calculadora de carga horária pode ajudar a descobrir quantas horas de trabalho por dia correspondem a uma jornada semanal de 42 ou 40 horas. Com a ferramenta gratuita Calc Horas, disponível no navegador e sem necessidade de cadastro, é possível fazer essa simulação sem precisar realizar as contas manualmente. Passo a passo para calcular a jornada 1. Acesse a calculadora Entre na calculadora de carga horária do Ponto Justo. Na página, localize a seção dedicada ao cálculo da jornada e selecione a opção “Pela jornada semanal”. 2. Informe a carga horária da semana A ferramenta apresenta um campo chamado “Jornada semanal (horas)”. É nele que o usuário deve inserir o limite que deseja simular: 42 ou 40 horas. 3. Defina quantos dias serão trabalhados No campo “Dias de trabalho por semana”, informe o número 5 para simular uma escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. 4. Confira o resultado Depois de preencher os campos, consulte o indicador “Carga diária média”. O resultado mostra quantas horas e minutos, em média, deverão ser trabalhados por dia, considerando a divisão igual da jornada semanal. Simulação de 42 horas semanais Para reproduzir o primeiro cenário previsto na proposta, preencha os campos com os seguintes valores: Jornada semanal: 42 horas. Dias de trabalho por semana: 5. O resultado esperado é uma média de 8 horas e 24 minutos de trabalho por dia. Isso corresponde à divisão de 42 horas por cinco dias. Simulação de 40 horas semanais Para conferir o cenário final previsto, altere a jornada semanal para 40 horas e mantenha cinco dias de trabalho. Nesse caso, a média será de 8 horas por dia, totalizando 40 horas ao fim da semana. Os resultados são simulações matemáticas, não uma definição automática dos horários que cada empresa deverá adotar. A distribuição efetiva da jornada poderá variar conforme as regras aplicáveis à categoria e os acordos de trabalho. Também é importante não confundir a média diária com o tempo total de permanência no local de trabalho. O intervalo para almoço ou descanso, quando não computado como tempo de serviço, deve ser considerado separadamente na organização do expediente. 4. Como calcular a jornada de 40 horas semanais no Excel ou Google Planilhas Quem quiser conferir a duração da jornada de trabalho também pode montar uma planilha gratuita no Excel ou no Google Planilhas. Com uma tabela simples, é possível registrar os horários de entrada e saída, descontar o intervalo para almoço e somar as horas trabalhadas ao longo da semana. Para simular uma escala 5x2 com jornada de 40 horas semanais, o exemplo a seguir considera cinco dias de trabalho, oito horas efetivas por dia e dois dias de descanso. 1. Organize os dados da semana Abra uma planilha em branco e crie cinco colunas: dia da semana, entrada, saída para intervalo, retorno do intervalo, saída do trabalho e total de horas. Na prática, serão seis colunas, como mostra o modelo abaixo. Nesse exemplo, o expediente vai das 9h às 18h, com uma hora de intervalo. Embora o período entre entrada e saída seja de nove horas, o tempo efetivamente trabalhado é de oito horas por dia. 2. Insira a fórmula para calcular as horas diárias Na planilha, organize os dados da seguinte maneira: - Coluna A: dia da semana. - Coluna B: horário de entrada. - Coluna C: início do intervalo. - Coluna D: fim do intervalo. - Coluna E: horário de saída. - Coluna F: total de horas trabalhadas. Considerando que a segunda-feira esteja na linha 2, insira a fórmula abaixo na célula F2: =(C2-B2)+(E2-D2) A fórmula soma o período trabalhado antes do intervalo com o período após a pausa. Para o exemplo das 9h às 18h, com intervalo entre 12h e 13h, o resultado será de oito horas. Formate as células das colunas B a E como horário. Na coluna F, utilize o formato personalizado [h]:mm, para que os totais sejam exibidos corretamente em horas e minutos. 3. Copie a fórmula para os demais dias Depois de inserir a fórmula na célula F2, arraste o pequeno quadrado no canto inferior direito da célula até F6. O programa ajustará automaticamente as referências para cada dia da semana. Para sábado e domingo, deixe os horários em branco. Se quiser que a planilha mostre zero nesses dias, poderá inserir =0 nas células F7 e F8 e formatá-las também como [h]:mm. 4. Some as horas trabalhadas na semana Para calcular o total semanal, clique na célula F9 e insira: =SOMA(F2:F8) O resultado será de 40 horas, desde que os horários registrados correspondam ao exemplo. O formato [h]:mm é importante porque permite exibir totais acumulados sem reiniciar a contagem a cada 24 horas. 5. Compare o resultado com a jornada prevista Com a planilha pronta, basta alterar os horários de entrada, saída e intervalo para simular outras rotinas. O total semanal será atualizado automaticamente, facilitando a comparação com o limite de 40 horas. O mesmo modelo também pode ser adaptado para uma jornada de 42 horas semanais. Nesse caso, será necessário distribuir as horas entre os cinco dias de trabalho de forma que a soma semanal alcance 42 horas, respeitando as regras aplicáveis. A planilha funciona como uma ferramenta de conferência e planejamento. Ela não determina, por si só, qual jornada poderá ser adotada em cada categoria, e os resultados dependem dos horários inseridos e das regras de contabilização do tempo de trabalho. 5. Quando a nova jornada de trabalho começa a valer? A mudança na escala de trabalho 6x1 ainda depende da conclusão dos procedimentos oficiais para entrar em vigor. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada pelo Senado Federal em dois turnos, em 14 de outubro de 2026, e seguiu para promulgação pelo Congresso Nacional. Diferentemente de um projeto de lei comum, uma emenda constitucional não precisa ser sancionada pelo presidente da República O cronograma previsto no texto aprovado estabelece duas etapas para reduzir a jornada semanal, com manutenção dos salários e ampliação do descanso remunerado. Os prazos começam a contar a partir da promulgação da emenda, e não da data da votação no Senado. A primeira mudança está prevista para 60 dias após a promulgação. Nessa fase, os trabalhadores abrangidos pelas regras passam a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite máximo de trabalho cai de 44 para 42 horas semanais. A segunda etapa ocorrerá 14 meses após a promulgação, quando o limite semanal será reduzido para 40 horas. A partir daí, a jornada poderá ser organizada em cinco dias de trabalho, com dois dias de descanso, respeitadas as regras específicas de cada categoria. Com informações de Senado Federal e Câmara dos Deputados.