A Tesla se prepara para apresentar a nova geração do esportivo elétrico Roadster, um projeto anunciado originalmente em 2017 que acumula anos de atraso e promete desempenho extremo com tecnologia associada à SpaceX. Embora tenha baixa relevância financeira projetada para a montadora, o veículo chega como um carro-símbolo para demonstrar a capacidade máxima de engenharia da empresa. O lançamento ocorre em um momento de transição estratégica da Tesla, que intensifica seus investimentos em inteligência artificial, direção autônoma e robótica.
Tópicos principais:
* Empresa: Tesla (e SpaceX)
* Produto: Tesla Roadster (segunda geração)
* Tecnologia/Tendência: Veículos elétricos de alto desempenho, inteligência artificial, robótica e direção autônoma.
A Tesla deve apresentar nesta quinta-feira o novo Roadster, esportivo elétrico cuja segunda geração foi anunciada em 2017. Elon Musk promete desempenho extremo, mas o projeto acumula anos de atraso e ainda não tem uma data de entrega confirmada no material divulgado.
A apresentação ocorre enquanto a montadora amplia sua atuação em inteligência artificial, direção autônoma e robótica, áreas que vêm ganhando espaço em sua estratégia.
O que esperar do novo Roadster
Quando revelou o protótipo, em 2017, a Tesla anunciou preço de US$ 200 mil (cerca de R$ 1 milhão) e entregas previstas para 2020. O prazo ficou para trás, mas as reservas continuam abertas por US$ 50 mil (aproximadamente R$ 252 mil).
Em 2024, Musk afirmou no X que o carro havia sido redesenhado. Segundo o executivo, a nova versão aceleraria de zero a 100 km/h em menos de um segundo. Ele também mencionou uma colaboração entre a Tesla e a SpaceX, sua empresa de foguetes, sem detalhar como a parceria se traduziria em recursos para o veículo.
Ao comentar o projeto, Musk escreveu que a aceleração seria “a parte menos interessante” do carro. Em 2017, ele já havia prometido autonomia de mil quilômetros com uma única carga.
A apresentação será realizada em um centro de testes da SpaceX em McGregor, no Texas. O evento também deve chamar atenção para o papel que o esportivo poderá desempenhar na imagem da montadora.
Um carro-símbolo para a Tesla
Em 2023, Musk minimizou a importância financeira do Roadster, classificando o projeto como uma “questão de pouca importância” e afirmando que ele não teria “um impacto financeiro significativo”.
Para Seth Goldstein, analista da Morningstar, o valor do modelo está justamente em sua capacidade de representar o que a empresa consegue fazer no segmento de alto desempenho.
“A Tesla não possui, atualmente, um carro-símbolo, ou seja, um veículo de luxo de alto desempenho projetado para mostrar o que há de melhor em engenharia e tecnologia da montadora. O Roadster será o novo carro-símbolo da Tesla”, afirmou em nota divulgada no mês passado.
Goldstein estima que a Tesla venda cerca de 2 mil unidades por ano, diante de 1,6 milhão de veículos comercializados pela empresa no ano passado.
O primeiro Roadster, vendido entre 2008 e 2012, foi o veículo que inaugurou a trajetória da Tesla no mercado elétrico. Construído sobre um chassi do Lotus Elise, ajudou a mudar a percepção sobre o potencial dos carros movidos a eletricidade.
Tesla amplia aposta em IA e robótica
A nova geração do esportivo chega em meio a uma mudança de foco da montadora. Neste ano, a Tesla interrompeu as vendas dos Model S e Model X para abrir espaço na produção de seus robôs humanoides Optimus. A empresa também lançou o Cybercab, um robotáxi de dois lugares sem volante, pedais ou espelhos.
A apresentação desta quinta-feira poderá esclarecer o estágio atual do projeto e trazer informações sobre os próximos passos de um carro anunciado há quase nove anos.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.