Um ex-engenheiro da OpenAI foi preso pelo FBI sob a acusação de tentar gravar conversas secretamente na sede da empresa em San Francisco usando dispositivos de escuta. A investigação aponta risco de fuga devido a planos de viagem do acusado, que possui passagens por grandes empresas como Meta e Microsoft e laços com organizações da Arábia Saudita. O caso levantou debates sobre a segurança interna e a espionagem em laboratórios de inteligência artificial no Vale do Silício, embora a OpenAI afirme que não houve vazamento de informações sensíveis.
Tópicos abordados:
* Empresa: OpenAI, Meta, Microsoft, Raed Ventures.
* Produto/Tecnologia: Inteligência artificial, dispositivos de gravação clandestina.
* Tendência: Segurança em laboratórios de tecnologia e risco de espionagem corporativa/estatal no Vale do Silício.
Viagem e carreira em big techs: o que se sabe sobre ex-OpenAI preso nos EUA
Resumo
Um ex-engenheiro da OpenAI foi acusado pela Justiça dos EUA de tentar gravar conversas secretamente na sede da empresa, em San Francisco. Documentos revelam que ele tinha planos de viajar para fora dos EUA, e informações do seu currículo mostram carreira passando por grandes empresas de tecnologia.
O que se sabe sobre o engenheiro preso
Procuradores afirmam que o saudita Abdulrahman Alfozan, 35, comprou passagens só de ida para a Arábia Saudita antes de ser preso. Segundo uma petição apresentada em tribunal e citada , ele viajaria em 12 de outubro com a esposa e outro familiar, e o plano foi usado para sustentar que ele teria incentivo para fugir dos EUA.
O FBI prendeu Alfozan em 9 de outubro, após a OpenAI relatar a descoberta de um dispositivo de escuta escondido em uma sala de conferências. De acordo com a acusação, ele responde por "usar ou tentar usar um dispositivo eletrônico, mecânico ou outro para interceptar comunicações orais", crime que pode render até cinco anos de prisão e multa de até US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão).
Defesa diz que vai contestar as acusações e a manutenção da prisão. "Ele é inocente e tem direito a tratamento justo e ao devido processo legal. A ênfase em sua origem nacional e, portanto, as sugestões de falta de confiabilidade ou risco de fuga remetem a capítulos sombrios da história do nosso país, e vamos lutar totalmente contra isso", afirmou o advogado William Pernik, à Al Jazeera.
Antes de trabalhar na OpenAI, Alfozan passou por empresas de tecnologia e por uma firma de investimentos na Arábia Saudita. Ele atuou como engenheiro de sistemas na Meta e fez estágio na Microsoft, segundo informações profissionais atribuídas a ele, e aparece como venture partner (sócio de investimentos) da Raed Ventures, de Riad.
O que se sabe sobre os dispositivos
Investigadores dizem que a equipe de segurança da OpenAI encontrou um gravador do tamanho de um pen drive em 30 de setembro. Segundo documentos do caso, o aparelho estava embrulhado em papel higiênico e conectado atrás de uma TV em uma sala de conferências usada por executivos e para reuniões com autoridades.
Após a descoberta, funcionários instalaram uma câmera e registraram Alfozan checando a parte de trás da TV em 5 de outubro, segundo a acusação. No mesmo dia, a segurança encontrou um segundo dispositivo em uma bolsa deixada por ele em uma sala de impressoras, ainda de acordo com os autos.
A OpenAI diz que não há indícios de que informações sensíveis tenham sido extraídas. Uma porta-voz afirmou que a empresa tem "um programa rigoroso de risco interno para proteger nossos funcionários, nossa propriedade intelectual e os dados de clientes".
Vínculos na Arábia Saudita e alerta sobre segurança
O caso chamou atenção para os vínculos do acusado com organizações sauditas e reacendeu o debate sobre segurança em laboratórios de inteligência artificial. Ao The New York Times, a professora Amy Zegart, de Stanford, disse que "o Vale do Silício é o marco zero da espionagem de uma variedade de países ao redor do mundo".
O The New York Times relata que Alfozan disse, em um podcast em árabe, que ajudou a aconselhar órgãos do governo saudita sobre tecnologia. A reportagem também aponta que a Raed Ventures lista Alfozan como sócio de investimentos ao lado do príncipe Khalid bin Bader Al Saud, integrante da família real saudita.
Em comunicado sobre a nomeação de Alfozan, a Raed Ventures o descreveu como "um profissional experiente, com ampla vivência em startups de tecnologia". A empresa afirmou que o papel dele incluiria "identificar oportunidades promissoras de investimento e apoiar startups em sua jornada rumo ao crescimento e ao sucesso".
*Com informações da Al Jazeera e do New York Times
Veja também
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.