O controlador financeiro de Nova York, Mark Levine, pediu que a empresa de inteligência artificial Anthropic adie seus planos de IPO nos Estados Unidos até resolver preocupações críticas de segurança, governança e riscos associados a modelos autônomos. A solicitação ocorre enquanto a companhia se prepara para uma oferta pública buscando uma avaliação de US$ 2 trilhões, impulsionada pelo forte crescimento de sua receita. A medida também protege os interesses dos fundos de pensão da cidade, que possuem exposição financeira na empresa.
Tópicos principais:
- Empresa: Anthropic
- Produto/Serviço: Modelos de Inteligência Artificial / Oferta Pública Inicial (IPO)
- Tecnologia/Tendência: Riscos de segurança em IA avançada e regulação do setor
Mark Levine, controlador financeiro da cidade de Nova York, pediu que a Anthropic adie sua oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos até resolver preocupações com segurança, governança e velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial.
Em carta ao CEO Dario Amodei, Levine defendeu que a empresa priorize esses riscos antes de abrir seu capital. A cobrança ocorre em meio ao avanço acelerado da IA, que tem superado o ritmo da regulamentação.
Testes expõem capacidades preocupantes da IA
A própria Anthropic identificou comportamentos potencialmente prejudiciais em testes controlados com modelos cada vez mais autônomos. As pesquisas apontaram capacidades que poderiam ser usadas para:
- Sabotagem de código: comprometer programas de computador de forma deliberada;
- Fraudes: facilitar atividades fraudulentas;
- Manipulação de informações: distorcer conteúdos para influenciar sua interpretação.
Esses resultados ajudam a explicar a preocupação com a segurança dos sistemas. Entre os riscos associados ao avanço da tecnologia estão também as ameaças à cibersegurança e outros usos indevidos.
Na carta, vista pela Reuters nesta quinta-feira (15), Levine foi direto ao defender que a empresa priorize essas questões antes de avançar com a abertura de capital.
“Em vez de avançar de cabeça com sua oferta pública inicial, a empresa deveria concentrar seus esforços em enfrentar esses riscos sem precedentes”, escreveu.
Anthropic mira avaliação de US$ 2 trilhões
A discussão sobre segurança ocorre enquanto a empresa se prepara para uma possível estreia na bolsa. Segundo informações citadas pela Reuters, a Anthropic busca uma avaliação de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 9,96 trilhões).
O interesse dos investidores também acompanha o crescimento da receita. Em reunião com potenciais investidores realizada nesta semana, a Anthropic informou que o faturamento do terceiro trimestre aumentou 45% em relação ao trimestre anterior.
A concorrente OpenAI, criadora do ChatGPT, também é apontada como candidata a abrir capital. A expectativa citada pela agência é que sua oferta pública inicial ocorra em 2027.
Fundos de pensão de Nova York têm exposição à empresa
A cobrança de Levine também envolve recursos públicos. Os fundos de pensão da cidade têm exposição de US$ 7 milhões (aproximadamente R$ 34,86 milhões) à Anthropic por meio de participações em fundos de investimento privado, informou o gabinete do controlador à Reuters.
Levine supervisiona as finanças municipais, administra os fundos de pensão e fiscaliza os gastos públicos. Os fundos sob sua responsabilidade somam mais de US$ 325 bilhões (cerca de R$ 1,64 trilhão) em ativos.
O pedido, porém, não significa que o IPO tenha sido suspenso.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.