Principais tópicos: Retorno ao trabalho de delegada investigada após afastamento, andamento de processo criminal por homicídio decorrente de discussão de trânsito e ameaça a motorista de caminhão de coleta.
A notícia não traz impactos diretos sobre custos de transporte, rodovias, regras da ANTT, fiscalização ou documentos de veículos e motoristas. O caso envolve apenas o andamento judicial do processo contra um empresário réu pela morte de um gari e por ameaçar a motorista de um caminhão de lixo durante uma discussão de trânsito em Belo Horizonte.
Delegada mulher de empresário réu por morte de gari em BH volta ao trabalho após 420 dias
Ana Paula Lamego Balbino retornou à Polícia Civil de Minas Gerais no dia 8 e recebeu ajustamento funcional por 90 dias; ela é investigada por suspeita de prevaricação e porte ilegal de arma
A delegada Ana Paula Lamego Balbino retornou ao trabalho na Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) após 420 dias de afastamento por licenças médicas. Mulher do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes no ano passado, ela retomou as atividades no último dia 8, segundo a corporação.
As investigações apontam que o disparo que matou o Laudemir partiu de uma arma registrada em nome dela. À polícia, Renê isentou Ana Paula de responsabilidade de pelo caso e disse ter pegado o armamento sem a delegada saber.
De acordo com publicação no Diário Oficial do Estado, a delegada recebeu ajustamento funcional pelo prazo de 90 dias, com validade até janeiro de 2027. Em nota, a Polícia Civil informou que a medida foi definida pela Diretoria de Perícias da instituição. No entanto, não detalhou quais funções ela está desempenhando.
Júri popular
Em janeiro deste ano, a Justiça de Minas Gerais decidiu que Renê será submetido a júri popular pelo assassinato do gari, ocorrido em agosto de 2025, em Belo Horizonte. Além do homicídio, o empresário responderá por fraude processual, porte ilegal de arma de fogo e ameaça contra a motorista do caminhão de lixo, Eledias Aparecida Rodrigues. Ainda não há data para julgamento.
Ao determinar que o empresário seja julgado pelo Tribunal do Júri, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza considerou haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. A decisão levou em conta laudos sobre a munição, autos de apreensão, perícias, imagens e depoimentos de testemunhas. A magistrada manteve a prisão preventiva do réu e negou o pedido de sigilo do processo.
Durante a investigação, Renê apresentou diferentes versões para o caso. Inicialmente, negou envolvimento; depois, mencionou um disparo acidental e, posteriormente, voltou a negar a autoria, embora tenha admitido ter confessado o crime na delegacia. O empresário alegou ter sido coagido por policiais a confessar.
Na decisão de pronúncia, a juíza afirmou que as mudanças nas versões reforçavam a necessidade de levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por decidir sobre a credibilidade dos relatos e a intenção do acusado.
Em alegações finais, a defesa sustentou que o processo deveria ser anulado por cerceamento de defesa e quebra da cadeia de custódia. Os advogados também questionaram o reconhecimento pessoal realizado na fase policial, as declarações atribuídas ao réu, a quebra dos sigilos telefônico e telemático e a atuação da Polícia Militar nas investigações, entre outros pontos. A defesa ainda pediu a apuração de possível abuso de autoridade. A juíza rejeitou os argumentos.
Renê se tornou réu pelo homicídio em setembro de 2025. Na denúncia, o Ministério Público sustentou que o empresário agiu por motivo fútil, dificultou a defesa da vítima e atirou em via pública. A acusação também apontou uma tentativa de enganar a perícia após o crime e pediu que o réu pagasse pelo menos R$ 150 mil à família do gari.
Laudemir foi morto com um tiro após uma discussão de trânsito no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte. Segundo relatos de testemunhas, Renê ficou irritado por não conseguir passar com o carro enquanto os trabalhadores faziam a coleta de lixo. Antes do disparo, ele teria ameaçado a motorista do caminhão. O empresário foi preso horas depois, em uma academia da capital mineira.
Mensagens obtidas pela polícia indicaram que Renê orientou a mulher a entregar aos investigadores outra arma, diferente daquela usada no crime. A perícia identificou que a pistola utilizada no disparo pertencia à delegada.
No mesmo dia em que a denúncia contra o empresário foi oferecida, a Corregedoria da Polícia Civil indiciou Ana Paula pelo crime de prevaricação. Ela já respondia por porte ilegal de arma de fogo. Segundo a corporação, a delegada sabia que o marido utilizava suas armas com frequência.
Ana Paula não foi denunciada naquele momento, diante da possibilidade de celebração de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), instrumento previsto na legislação para determinados crimes, desde que cumpridos os requisitos legais.
Investigações também apontaram que Renê publicava vídeos em que aparecia com armas e com o distintivo da mulher. Os investigadores destacaram que o empresário demonstrava fascínio por armamentos e pelo cargo ocupado pela companheira.