Principais tópicos: Geopolítica internacional, conflito entre Rússia e Ucrânia, e impacto no mercado global de combustíveis (diesel).
A notícia aborda o embate político entre os governos da Ucrânia e dos Estados Unidos em torno de ataques ucranianos a refinarias de diesel russas e as divergências sobre trégua no setor energético. O texto não traz informações sobre rodovias, custos de frete ou pedágio no Brasil, legislação da ANTT, documentos de veículos/motoristas ou fiscalização de trânsito rodoviário.
Zelensky agradece apoio de 'líderes de verdade' na Europa, enquanto Trump o classifica como 'mais difícil de lidar' que Putin
Desavença entre presidentes da Ucrânia e dos EUA ocorre em meio a retomada dos ataques de Kiev contra instalações do setor energético russo
Por O Globo, com agências internacionais — Bruxelas, Kiev e Washington
Atualizado
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu nesta sexta-feira ao apoio do que chamou de "líderes políticos de verdade" ao ser recebido por aliados europeus em Bruxelas, em um momento em que as desavenças com o presidente dos EUA, Donald Trump, voltaram a se tornar públicas diante das pressões americanas sobre Kiev. A declaração de Zelensky ocorre horas após o republicano classificar a retomada de ataques ucranianos a refinarias da Rússia como "uma desgraça" e classificar o líder do país como "mais difícil de lidar" do que com o presidente russo, Vladimir Putin. Em Bruxelas, o ucraniano voltou a pedir ajuda financeira da Europa para conter a Rússia — estimando uma necessidade em torno de R$ 400 bilhões.
- Em desafio a Trump: Zelensky ordena retomada de ataques a refinarias russas enquanto Musk pede sua renúncia
- Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
- Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países
— Sou muito grato pelo enorme apoio que recebemos do Conselho da União Europeia, da Comissão Europeia e dos líderes, líderes de verdade, que têm estado ao nosso lado desde o início desta guerra — afirmou Zelensky ao chegar a uma reunião de cúpula com líderes europeus em Bruxelas. — É claro que queremos encerrar esta guerra o mais rápido possível, [mas] no momento, não vemos sinais, por parte da Rússia, de que eles estejam prontos para isso.
A reunião de cúpula na Europa ocorre um dia depois da Ucrânia retomar ataques contra instalações de energia da Rússia, rompendo com o acordo anunciado por Trump no domingo, que previa uma trégua nos ataques diretos ao setor energético. Passados três dias do anúncio dos termos, Kiev denunciou a continuidade de bombardeios direcionados por parte de Moscou, que por sua vez nunca confirmou ter concordado com a suspensão das ações ofensivas. A escalada irritou o presidente americano, que só direcionou críticas a Zelensky.
— Tudo o que ele está fazendo é aumentar o preço global de combustíveis. Eu acho isso uma desgraça — afirmou Trump em uma entrevista na noite de quinta-feira à rede americana Newsmax. — Há muitos alvos que você pode acertar, mas quando você mira em refinarias de diesel (...) que o mundo precisa, você não faz um bom serviço para o mundo.
Analistas apontaram que as medidas anunciadas por Trump no fim de semana — além do acordo de não-agressão energética, o presidente americano também disse ter alcançado um acordo com Putin para liberar a venda de diesel russo ao mercado internacional — visava atender a uma demanda interna por combustível barato nos EUA, antes das eleições de meio de mandato. O acordo sobre o diesel foi criticado por aliados europeus, que consideraram uma posição pró-Rússia, que permitia a Moscou um alívio financeiro, ignorando as sanções pela violação territorial da Ucrânia.
— Não é momento de retirar nosso apoio à Ucrânia. Não é momento de aliviar as sanções contra a Rússia — disse o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, ao receber Zelensky em Bruxelas nesta sexta-feira.
A ruptura entre Trump e Zelensky desde o anúncio do acordo no fim de semana — que, inicialmente, o presidente ucraniano sequer disse reconhecer — já é uma das mais profundas desde o encontro entre ambos na Casa Branca, em fevereiro do ano passado. Após ataques russos contra Kiev, que deixaram dois mortos e mais de 600 mil pessoas sem energia elétrica na quarta, o presidente ucraniano afirmou que os EUA teriam prejudicado as capacidades defensivas, mecionando uma alteração no sistema Starshield — constelação de satélites Starlink de uso militar. Também citou supostas ameaças de negociadores americanos sobre a possibilidade de suspensão do compartilhamento de inteligência com o país, e classificou como "doloroso" ver Trump "escolher um lado, que não é o nosso". Horas depois, na entrevista de quinta, o republicano fez críticas diretas ao ucraniano.
— Eu não sou um grande fã de Zelensky — acrescentou Trump na entrevista de quinta. — Eu acho que, na verdade, ambos gostariam que isso chegasse ao fim, mas considero Zelensky mais difícil de lidar do que Putin.
Reforçar defesas
A situação com as limitações no sistema Starshield também foi tema durante a reunião desta sexta-feira, com autoridades europeias demonstrando preocupação com possíveis cortes ou suspensões — uma vez que a rede de comunicação via satélite é indispensável para detecção de ataques russos e a coordenação de respostas no front.
O magnata da tecnologia Elon Musk afirmou na quinta-feira que sua empresa, a SpaceX, não estava por trás de nenhuma interrupção no sistema Starshield, afirmando que o governo americano controla eventuais limitações de largura de banda ou de uso. Em meio às acusações ucranianas, o homem mais rico do mundo pediu a saída de Zelensky do governo e a convocação de novas eleições.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, avaliou o Starlink como "realmente necessário para a Ucrânia" nesta sexta, e admitiu que a Europa não tem capacidade para "substituir esse sistema a curto prazo". A autoridade acrescentou, porém, que o tema figura como prioridade na pauta do bloco, e que a Agência Europeia de Defesa mapeou todas as "capacidades críticas" que faltam ao continente, ressaltando a necessidade de suprir essas lacunas "o mais breve possível".
Enquanto isso, há debates sobre as capacidades convencionais de defesa. Zelensky voltou a afirmar que mísseis interceptadores eram necessários devido à intensidade dos ataques lançados por Moscou e voltou a pedir ajuda financeira aos aliados europeus — desta vez, no valor de 70 bilhões de euros (cerca de R$ 400 bilhões no câmbio atual) adicionais, para financiar a resistência militar.
— É uma cifra realista. E peço a vocês que busquem esse apoio. Isso nos ajudará a conter a Rússia — disse Zelensky.
Os líderes europeus reconheceram que o apoio financeiro e militar à Ucrânia está garantido até 2026, mas que o financiamento previsto para 2027 está coberto apenas parcialmente. A União Europeia aprovou um empréstimo de 90 bilhões de euros para o período 2026-2027, dos quais cerca de 45 bilhões são destinados ao próximo ano. No entanto, esse montante não será suficiente, e os europeus estudam novas formas de continuar financiando o esforço de guerra ucraniano.
— Teremos que aumentar novamente o financiamento para poder apoiar a Ucrânia de forma sustentável — declarou na quinta-feira o chefe do governo alemão, Friedrich Merz, antes do início da cúpula europeia. (Com AFP)