Novo Tesla Roadster usa tecnologia da SpaceX para realizar manobras aéreas
Esportivo elétrico realiza manobras aéreas em demonstração, incluindo saltos e giro no ar; veículo não é aeronave eVTOL
A Tesla apresentou o novo Roadster nessa quinta-feira (15), durante um evento realizado nas instalações de testes da SpaceX no Texas, nos Estados Unidos. O esportivo elétrico é equipado com propulsores de gás comprimido desenvolvidos em parceria com a empresa espacial e realizou manobras aéreas durante a demonstração, incluindo sair do chão, girar no ar e percorrer uma rampa de cabeça para baixo.
A apresentação foi conduzida por Elon Musk, presidente-executivo da Tesla e fundador da SpaceX, quase nove anos após o anúncio original do projeto. Os testes foram realizados sem motorista a bordo; Musk relacionou a decisão à segurança dos participantes.
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Como funcionam os propulsores
O sistema não depende de queima de combustível como os motores de foguetes convencionais. O Roadster utiliza gás armazenado em tanques de altíssima pressão, liberado por dez saídas distribuídas pelo veículo. Dependendo da direção do empuxo, os propulsores podem acelerar, frear, elevar o automóvel ou controlar sua posição durante uma manobra aérea. A quantidade de gás nos reservatórios impõe limites à duração e à frequência dessas manobras.
O veículo também conta com um sistema de sucção instalado sob a carroceria. Ventiladores retiram ar da região inferior para criar uma diferença de pressão, aumentando a aderência contra superfícies, o que foi usado na demonstração com a rampa invertida. A aplicação desse mecanismo fora de condições controladas ainda precisa ser demonstrada.
Apesar das imagens divulgadas, o Roadster não deve ser confundido com aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs). O esportivo demonstrou saltos e manobras de curta duração, não voos sustentados por longas distâncias como os realizados por aeronaves convencionais.
Três versões e aceleração abaixo de um segundo
A Tesla apresentou três configurações do Roadster. Os números divulgados pela empresa representam especificações anunciadas, não resultados de testes independentes.
- Rocket: versão mais extrema, com um assento e propulsores distribuídos ao redor do automóvel. Segundo a Tesla, pode acelerar de zero a aproximadamente 97 km/h em menos de 0,59 segundo, com velocidade máxima superior a 370 km/h. A configuração não está aprovada para circulação em vias públicas e terá acesso restrito por convite.
- Thrust: acrescenta propulsores traseiros de gás comprimido. A montadora afirma que a versão atingirá a mesma velocidade em menos de 0,9 segundo; o uso é mais restrito, voltado ao desempenho em pistas.
- Performance: configuração de entrada, com dois lugares, aerodinâmica ativa e sistema de sucção. A Tesla afirma aceleração de zero a aproximadamente 97 km/h em menos de 1,6 segundo.
A autonomia estimada é superior a 480 quilômetros para o novo Roadster, segundo a fabricante.
Questões regulatórias em aberto
A capacidade de realizar manobras aéreas não garante ao Roadster autorização para voar em vias públicas. Nos Estados Unidos, veículos destinados ao voo precisam atender a regras específicas conforme suas características e o tipo de operação.
Segundo a publicação especializada Electrek, a própria Tesla informa que a versão Rocket não está aprovada para circulação em vias públicas. Em entrevista à CNN, Roger Conner, curador de voo vertical do Museu Nacional do Ar e Espaço do Smithsonian, explica que carros e aeronaves enfrentam exigências de engenharia distintas; enquanto automóveis precisam de estruturas de proteção contra colisões, aeronaves dependem de soluções que controlem o peso e garantam sustentação. Para especialistas ouvidos pela emissora, a demonstração não comprova que o Roadster conseguirá realizar voos prolongados ou transportar passageiros pelo ar como uma aeronave convencional.
Quase nove anos de adiamentos
A segunda geração do Roadster foi anunciada em novembro de 2017, durante a apresentação do caminhão elétrico Semi. Na ocasião, a Tesla prometeu produção para 2020, com aceleração de zero a 96 km/h em 1,9 segundo, e abriu reservas antecipadas com depósitos de US$ 50 mil para a versão convencional.
O cronograma sofreu sucessivos adiamentos enquanto a montadora concentrava recursos na expansão de sua linha de elétricos, incluindo o Model 3, o Model Y e o Cybertruck. O projeto voltou a ganhar atenção com as declarações de Musk sobre a participação da SpaceX no desenvolvimento dos propulsores. A colaboração entre as duas empresas já havia gerado outra demonstração pública em 2018, quando um Roadster foi enviado ao espaço a bordo do foguete Falcon Heavy.
A Tesla reabriu as reservas com depósito inicial de US$ 5 mil, seguido de pagamento adicional de US$ 45 mil em até dez dias, segundo a Electrek. Os preços finais das três versões permanecem indefinidos.
O próximo marco anunciado pela montadora é o início da produção em 2028, oito anos após a previsão original. Até lá, a Tesla ainda precisará demonstrar que as manobras apresentadas no Texas podem ser reproduzidas com segurança nas condições de uso previstas para cada versão.
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