OpenAI avalia construção de data centers no Brasil após início da operação local
Por Marcelo Fischer • Editado por Jones Oliveira |
A OpenAI está aberta a discutir e investigar a construção de data centers no Brasil. A afirmação foi feita por Oliver Jay, vice-presidente de estratégia internacional da empresa, durante entrevista coletiva em São Paulo nesta terça-feira (18), dia em que a companhia abriu seu primeiro escritório na América Latina.
Jay fez questão de deixar claro que não existe anúncio de construção. Segundo ele, a OpenAI apenas está disposta a avaliar essa possibilidade.
A declaração ocorre em um momento de disputa acirrada por capacidade computacional entre as grandes empresas de inteligência artificial. Para a OpenAI, garantir “compute” suficiente para treinar e rodar seus modelos deixou de ser uma questão operacional e passou a ocupar um lugar central na estratégia da companhia.
OpenAI está aberta a discutir data centers no Brasil
Questionado se existe algum plano de construção de data centers no país, Jay respondeu com cautela.
"Estamos definitivamente abertos a ter conversas e investigar o que isso poderia significar em termos de construção de data centers aqui", disse o executivo, sem mencionar prazos, valores ou localizações.
A fala acontece em meio a um movimento do Governo Federal para atrair investimentos em infraestrutura digital. O país também tenta atrair investimentos em infraestrutura digital.
A Medida Provisória 1.318/2025 criou o Redata, regime que previa a suspensão de tributos federais sobre a aquisição e importação de equipamentos destinados a data centers. A MP, porém, perdeu validade em fevereiro deste ano. A continuidade dos incentivos depende agora da aprovação do Projeto de Lei 278/2026, que está em análise no Senado.
Nos primeiros dois meses de vigência da medida, os pedidos de conexão de data centers à rede elétrica analisados pelo Ministério de Minas e Energia saltaram 32%, de 19,8 GW para 26,2 GW, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
O Governo também trabalha na criação de uma Política Nacional de Data Centers, enquanto projetos em tramitação no Congresso tratam essas instalações como infraestrutura crítica.
Hoje, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking global do setor, mas lidera a América Latina, com cerca de 200 projetos e previsão de até R$ 100 bilhões em investimentos até 2030.
Melhor sobrar que faltar
Jay foi enfático ao justificar por que a corrida por infraestrutura se tornou prioridade para a OpenAI:
"Achamos que o risco de não ter computação é muito maior do que o risco de ter computação demais neste momento".
Para ele, assegurar capacidade de processamento é parte da diferenciação competitiva da empresa diante de rivais, como Google e Meta.
A fala reflete o volume de compromissos assumidos recentemente pela companhia. Neste mês de agosto, a NVIDIA anunciou investimento de US$ 1,5 bilhão na SB Energy, desenvolvedora ligada ao SoftBank que constrói um data center em Ohio para a OpenAI. O acordo prevê até 8 GW de capacidade computacional para a OpenAI no local, com capacidade inicial de 4,25 GW no PORTS-Pike Technology Campus.
A NVIDIA também garantiu até US$ 105 bilhões em obrigações condicionais de locação e energia para viabilizar o projeto, segundo documento enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos.
SB Energy e SoftBank planejam construir ao menos 10 GW de nova geração de energia e investir US$ 4,2 bilhões na expansão e modernização da infraestrutura de transmissão elétrica da região.
O caso se soma a outros compromissos da OpenAI em infraestrutura, como o Stargate, projeto anunciado em janeiro de 2025 ao lado do SoftBank e da Oracle para investir US$ 500 bilhões em data centers nos Estados Unidos ao longo de quatro anos.
Brasil pode ajudar a moldar os próximos produtos da OpenAI
A presença física no país também tem uma função de aprendizado, segundo Jay.
"Um dos grandes motivos de estarmos aqui é aprender, e levar esse retorno para as equipes de engenharia e de produto, para construir produtos melhores", disse.
O executivo citou dados internos para sustentar o interesse da empresa pelo comportamento brasileiro. O Brasil está entre os três maiores mercados da OpenAI em uso ativo e ocupa a quinta posição entre os mercados de assinatura do ChatGPT.
A geração de imagens tem no país seu maior volume de uso no mundo, e o recurso de voz também registra forte adesão. O português, oitavo idioma mais falado globalmente, aparece entre os três mais usados na plataforma, segundo Jay.
Para o executivo, esse padrão de adoção representa um fluxo de troca. A empresa observa como os brasileiros usam seus produtos e utiliza esse aprendizado no desenvolvimento de novas funções, embora não tenha prometido lançamentos exclusivos ou prioritários para o mercado brasileiro.