Novo recurso do Firefox no iOS bloqueia anúncios sem apps extras
Por Marcelo Fischer |
A Mozilla começou a testar um bloqueador de anúncios nativo no Firefox para iOS. A ferramenta filtra publicidade diretamente na camada de rede, antes que os anúncios cheguem a carregar na tela, sem exigir a instalação de extensões de terceiros.
O recurso usa listas de filtros baseadas no EasyList, padrão adotado por bloqueadores de anúncios em todo o mundo. Com base nessas listas, o Firefox barra solicitações a redes de anúncios, exchanges publicitárias e seus rastreadores conhecidos.
Pop-ups e overlays em vídeo também entram no escopo do bloqueio. A função é distinta da Enhanced Tracking Protection, recurso de privacidade já existente no navegador e ativado por padrão, focado em rastreadores e não na aparência visual dos anúncios.
Para ativar o bloqueador, é preciso acessar o menu do aplicativo, entrar em Configurações e navegar até Navegação > Conteúdo. Também é possível ligar ou desligar a função para uma aba específica pelo menu do site, sem alterar a configuração geral.
Duas exceções gerem controvérsia
A própria Mozilla reconhece que o bloqueio não é completo, já que diferentes sites usam tecnologias distintas para veicular publicidade. Duas exclusões, porém, foram feitas de forma deliberada e têm gerado debate entre usuários.
Anúncios exibidos em páginas de resultado de buscadores como Google e Bing ficam fora do bloqueio. O mesmo vale para conteúdo patrocinado exibido na página inicial e na aba de nova guia do próprio Firefox.
A empresa não detalhou publicamente o motivo das exceções. Usuários em fóruns como o Hacker News associaram a decisão aos cerca de US$ 585 milhões que a Mozilla recebe anualmente do Google por acordos de parceria em busca, valor que responde pela maior parte da receita da organização, segundo dados citados pelo BigGo Finance.
Recurso ainda é experimental
O lançamento segue em fase de testes e chega a parte dos usuários de forma gradual. A Mozilla não informou uma data para a disponibilização geral e afirma que vai ajustar a compatibilidade com diferentes sites ao longo do processo.
A empresa também não divulgou dados sobre a eficácia do bloqueio em comparação a outras soluções. Aplicativos como Wipr 2, uBlock Origin Lite e o navegador Brave seguem oferecendo bloqueio mais abrangente no iOS, já que operam por caminhos técnicos diferentes do adotado pela Mozilla.
Limitação do sistema da Apple
A extensão do alcance do bloqueador esbarra em uma restrição da própria Apple. Como todos os navegadores no iOS são obrigados a rodar sobre o motor WebKit, o Firefox não pode usar seu motor Gecko nem seu ecossistema de extensões na plataforma, o que reduz a força do bloqueio em comparação à versão de desktop.
União Europeia e Japão já exigiram da Apple a abertura para motores de navegador alternativos, por meio de regulações como a Lei de Mercados Digitais. A implementação prática dessas exigências, no entanto, ainda avança de forma lenta.