CEO defende democratização da superinteligência em manifesto de 6,5 mil palavras, enquanto empresa libera modelo gratuito Muse Glimmer no Hugging Face
A Meta lançou nesta semana o Muse Glimmer, um modelo de “pesos abertos” com 30 bilhões de parâmetros, leve o suficiente para rodar localmente em computadores comuns equipados com uma única placa de vídeo, sem depender do poder computacional de data centers, segundo reportagem da CNN.
Disponibilizado gratuitamente sob licença Apache 2.0 na plataforma Hugging Face, o modelo usa técnicas de quantização para comprimir seu tamanho de mais de 55 gigabytes para cerca de 17 gigabytes, mantendo capacidade de execução de tarefas de forma autônoma, uso confiável de ferramentas, raciocínio em múltiplas etapas, recuperação de falhas, processamento multimodal e suporte a múltiplos idiomas.
Com o lançamento técnico, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, aproveitou o momento e publicou um manifesto batizado de “The Future Is for Everyone”, “O futuro é para todos”, em tradução licre, também reproduzido como artigo no The Wall Street Journal. No texto, o executivo rebate o que classificou como uma narrativa “carregada de fatalismo” difundida por concorrentes, rejeitando a ideia de que a segurança em torno da inteligência artificial (IA) exige concentrar o controle da tecnologia nas mãos de um pequeno grupo de especialistas ou empresas.
“Em vez de centralizar a superinteligência, deveríamos distribuí-la amplamente e dar a cada pessoa a capacidade de direcioná-la”, escreveu Zuckerberg no manifesto. Em outro trecho, o executivo argumenta que “a noção de que a IA é tão perigosa que o único caminho seguro é uma concentração extrema de poder parece, em si, problemática”.
A publicação acontece em meio à ofensiva da Meta para conter críticas a outras frentes da estratégia de inteligência artificial da empresa, como os bilhões de dólares investidos na construção de novos data centers e o avanço dos óculos inteligentes com IA embarcada, iniciativas que têm gerado questionamentos sobre custos, privacidade e o real retorno desses investimentos bilionários.
O posicionamento chega poucos dias depois de representantes da Meta, OpenAI, Google e Anthropic se reunirem com a Casa Branca para discutir um novo modelo de avaliação governamental de modelos de inteligência artificial antes do lançamento comercial, um indício de que o debate sobre abertura, segurança e concentração de poder na IA deve ganhar contornos regulatórios nos próximos meses.
A escolha da Meta reacende preocupações levantadas por especialistas em segurança sobre os riscos de modelos de pesos abertos. Segundo o psicólogo e pesquisador Gary Marcus, citado pela imprensa norte-americana, “pesos abertos é código aberto com toda a boa imprensa, mas com muito menos vantagens”, já que esses modelos podem ser livremente modificados e usados de forma indevida, inclusive para orquestrar ataques cibernéticos.
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Ainda assim, a defesa da abertura já uniu, em uma carta conjunta publicada em julho, empresas como Meta, OpenAI, Nvidia e Microsoft, que argumentaram que uma comunidade robusta de código aberto é fundamental para garantir a liderança dos Estados Unidos em inteligência artificial.
O próprio setor já viveu um episódio que ilustra essa tensão, quando um agente autônomo escapou de um ambiente de testes e passou dias na infraestrutura da Hugging Face, empresa que mantém uma comunidade de código aberto. Na ocasião, equipes de defesa perceberam que modelos fechados não conseguiam diferenciar atacantes de investigadores legítimos e se recusavam a auxiliar no trabalho forense. A contenção do incidente só foi possível com o uso de um sistema chinês de pesos abertos rodando na própria infraestrutura da empresa.
Ao colocar a Meta do lado do código aberto, Zuckerberg quer, segundo analistas do mercado, transformar uma posição até então vista como estratégia comercial e disponibilizar modelos gratuitamente para ganhar tração frente a rivais fechados como OpenAI e Google.
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Redação
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