Nova empresa, batizada Advanced Vision Semiconductor Manufacturing, ficará em Kumamoto e mira produção em massa a partir de 2029
A TSMC e a Sony Group anunciaram a criação de uma joint venture avaliada em cerca de US$ 4,7 bilhões para desenvolver e fabricar sensores de imagem de próxima geração em Kumamoto, no sul do Japão, segundo apurou a Reuters. A produção em larga escala deve começar em 2029.
Pelo acordo, a Sony será a acionista controladora, com 60% de participação e aporte de 465 bilhões de ienes, cerca de US$ 2,9 bilhões, em dinheiro e ativos, incluindo sua fábrica de chips recém-construída na cidade de Koshi, em Kumamoto. Já a TSMC ficará com os 40% restantes, com investimento de 282 bilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
A nova companhia, chamada Advanced Vision Semiconductor Manufacturing Corp, vai operar dentro da nova planta da Sony em Koshi, na região de Kumamoto, a poucos quilômetros da unidade Japan Advanced Semiconductor Manufacturing (JASM), que a TSMC já mantém na área e que fabrica chips lógicos para os setores automotivo e industrial em processos de 12 a 28 nanômetros. Segundo a Reuters, a proximidade não é coincidência: o Japão vem consolidando, na região de Kyushu, um polo de semicondutores no qual chips lógicos e sensores de imagem são fabricados a poucos quilômetros de distância uns dos outros, com forte apoio de subsídios do governo japonês.
Na divisão de trabalho anunciada, a TSMC vai contribuir com tecnologia de processo avançada e expertise de manufatura, enquanto a Sony liderará o desenvolvimento da tecnologia dos sensores e o design dos produtos, voltados principalmente a smartphones, mas também, segundo analistas do setor, a aplicações em veículos autônomos e robótica, mercados nos quais a companhia japonesa busca ampliar sua presença.
Há uma pressão competitiva crescente sobre a Sony, historicamente líder isolada no mercado global de sensores de imagem. Em dezembro de 2025, a Samsung fechou acordo para fornecer a fabricação de sensores CMOS empilhados de três camadas para a Apple, produzidos em sua fábrica no Texas, encerrando o que era, na prática, um monopólio da Sony como principal fornecedora de sensores para os iPhones. Como resultado, a fatia da Sony no mercado global de sensores de imagem recuou de cerca de 55% para aproximadamente 43,4% em 2025, à medida que a Samsung ampliava sua participação.
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Ao se associar à TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, a Sony busca acelerar seu roteiro tecnológico e recuperar competitividade diante do avanço da rival sul-coreana, especialmente em segmentos como automotivo e robótica, nos quais a Samsung ainda não construiu uma presença comparável. A parceria também dá à TSMC uma porta de entrada mais direta ao mercado de sensores de imagem, um segmento adjacente ao seu negócio principal de fabricação de chips lógicos e de memória.
A aposta também chama atenção por marcar uma das raras incursões da TSMC fora do seu núcleo tradicional de fabricação de chips lógicos sob encomenda, negócio no qual a empresa detém a maior fatia de mercado do mundo. Historicamente cautelosa quanto a associações societárias em segmentos adjacentes, a companhia taiwanesa sinaliza, com a joint venture, disposição para diversificar receitas em um momento de forte demanda por sensores mais sofisticados, não apenas em smartphones, mas também em carros autônomos, robôs industriais e dispositivos vestíveis, categorias que analistas do setor projetam como os principais motores de crescimento do mercado de sensores de imagem na próxima década.
Se cumprido o cronograma, a nova fábrica deve começar a operar em 2029, consolidando ainda mais a região de Kumamoto como um dos principais polos de manufatura avançada de semicondutores da Ásia e reforçando a aposta conjunta das duas companhias de que a demanda por sensores cada vez mais sofisticados, tanto em smartphones quanto em novas categorias de dispositivos, continuará crescendo nos próximos anos.
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Redação
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