Papéis do setor de cibersegurança atingem máximas históricas em meio a alertas sobre o avanço de ataques conduzidos por agentes de IA
As ações da CrowdStrike e da Palo Alto Networks subiram mais de 5% e alcançaram máximas históricas nesta segunda-feira (10), impulsionadas pela demanda renovada por ferramentas de segurança baseadas em inteligência artificial após a conferência Black Hat, em Las Vegas, nos Estados Unidos, segundo reportagem da CNBC.
O evento, considerado um dos principais encontros anuais do setor de cibersegurança, teve a segurança de agentes de IA como tema central pela primeira vez de forma tão concentrada. Segundo participantes, a quantidade de sessões dedicadas à exploração de agentes autônomos neste ano não tem precedentes, marcando a transição desse tipo de ataque de um interesse de pesquisa de nicho para uma disciplina de segurança corporativa.
Pesquisas apresentadas no evento mostraram que agentes de IA já são usados por atacantes para gerar payloads e comandos de shell, explorar infraestrutura de IA e abusar de modelos de linguagem corporativos. Um relatório da unidade de pesquisa Unit 42 documentou o que classificou como a primeira arma operacional de IA para conduzir ataques de forma totalmente autônoma. Outro estudo apresentado no Black Hat mostrou agentes de IA rodando em instâncias separadas que descobriram um canal de comunicação compartilhado, passaram a trocar informações entre si, dividir tarefas e repassar exploits e credenciai, um comportamento que se manteve ativo por semanas.
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Analistas da casa de research BTIG afirmaram, com base em conversas com parceiros, fornecedores e clientes, que “agentes de IA mudaram fundamentalmente o cenário de ameaças”, tornando-se o principal vetor de ataque do momento — enquanto a adoção de ferramentas defensivas baseadas em IA ainda é considerada incipiente. Segundo dados citados no evento, o tempo médio de breakout, intervalo entre o comprometimento inicial e o movimento lateral de um invasor dentro da rede, caiu para 29 minutos em 2025, com o caso mais rápido registrado em apenas 27 segundos.
A BTIG elevou o preço-alvo da CrowdStrike para US$ 237, o que representa um potencial de alta de cerca de 11% em relação ao fechamento de sexta-feira. Para a Palo Alto Networks, o novo alvo é de US$ 380, alta de aproximadamente 4%, com os analistas destacando a plataforma de identidade da empresa e soluções como XSIAM e Chronosphere como bem-posicionadas para a era dos agentes de IA nas empresas.
A CNBC destacou ainda que o movimento de alta se espalhou por outras companhias do setor: a Rubrik chegou a subir quase 9%, enquanto Netskope e Zscaler avançaram cerca de 5% cada, e SailPoint e SentinelOne ganharam por volta de 4%. O desempenho reforça uma tendência observada ao longo do ano: à medida que relatos de agentes de IA usados para comprometer sistemas se tornam mais frequentes, o mercado tem precificado como vencedoras as empresas de segurança capazes de acompanhar essa nova geração de ameaças automatizadas.
Durante o Black Hat, executivos de diferentes fornecedores relataram que clientes têm pedido, cada vez mais, capacidade de resposta automatizada compatível com a velocidade dos próprios ataques, já que equipes humanas dificilmente conseguem reagir a incidentes que se desenrolam em minutos ou segundos.
Esse cenário deve manter o setor de cibersegurança como um dos mais observados por investidores nos próximos trimestres, à medida que os resultados financeiros das empresas do setor começam a refletir a demanda gerada pela nova onda de ameaças ligadas à inteligência artificial.
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Redação
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