Brasil registra 108 mil ocorrências e atrai atenção de atacantes, com destaque para regiões Norte e Nordeste
O Brasil registrou 108.393 ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) em junho de 2026, o maior volume mensal do ano, segundo levantamento da Huge Networks. O número representa crescimento de 121% em relação a maio, quando foram contabilizados 48.979 incidentes, e alta de 27% na comparação com janeiro.
Os dados integram o HugeReport, relatório mensal produzido pela Huge Networks a partir das análises da própria operação. O salto de junho reverte uma tendência de queda registrada entre janeiro e fevereiro e eleva o país ao nível mais alto de ataques DDoS desde dezembro de 2025, quando foram contabilizados 136.389 ocorrências.
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O maior ataque registrado em junho atingiu 2,40 Tbps (terabits por segundo), volumetria capaz de saturar infraestruturas sem proteção adequada. O valor ficou abaixo do pico de maio, quando um ataque chegou a 4,35 Tbps, mas segue em faixa de alto impacto, segundo a empresa.
Na composição dos vetores, o protocolo UDP voltou a liderar, com 37,14% das ocorrências. O UDP-QUIC, que havia respondido por 28,72% dos ataques em maio, recuou para 10,43% em junho. Os demais protocolos distribuíram as ocorrências restantes: IP (8,57%), LOW-UDP (8,05%), TCP (6,38%) e ICMP (5,97%).
São Paulo retomou a liderança no recorte geográfico, concentrando 25,8% dos ataques. O estado havia cedido o primeiro lugar ao Pará em maio. Norte e Nordeste juntos mantiveram mais de um terço das ocorrências, com Bahia (15,33%), Maranhão (11,34%), Pernambuco (4,19%) e Rondônia (3,51%) entre os estados mais afetados. A Huge Networks atribui o peso dessas regiões ao crescimento da infraestrutura digital local, o que atrai a atenção dos atacantes.
O CEO da companhia, Erick Nascimento, relaciona os números à expansão digital do país. “O crescimento dos ataques DDoS acompanha a expansão da infraestrutura digital no Brasil, com destaque para setores como provedores de internet (ISPs), e-commerce, fintechs e plataformas de pagamento”, afirma. “A dispersão observada em junho reflete estratégia comum de atacantes: fragmentar as técnicas entre múltiplos vetores para dificultar a detecção”, explica.
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Redação
Bruna Rocha
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