Motoristas da Uber podem pagar taxa por corridas que não aceitaram; entenda
Uber testa "taxa de despacho" em duas cidades da Europa e cobra motoristas mesmo quando eles recusam a corrida; entenda como funciona e se a mudança pode chegar ao Brasil
A Uber começou a cobrar motoristas por cada corrida enviada pelo aplicativo, mesmo quando eles decidem não aceitar a viagem. A chamada "taxa de despacho" está em teste em Malmö, na Suécia, e em Basileia, na Suíça, e cria um novo custo para quem está conectado à plataforma, o que pode sinalizar uma mudança na forma como a empresa tenta equilibrar a oferta de motoristas e o tempo de espera dos passageiros. O TechTudo entrou em contato com a empresa, que confirmou a operação e esclareceu ainda não ter previsão para chegada da mudança no Brasil.Entenda como funciona a cobrança e os valores testados.
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Índice
- O que é a taxa de despacho da Uber?
- Quanto custa a taxa em cada cidade testada?
- Por que a Uber criou essa cobrança?
- Como funciona a devolução do valor aos motoristas?
- O que muda na prática para quem dirige pela Uber?
- A taxa pode chegar ao Brasil?
O que é a taxa de despacho da Uber?
A taxa de despacho é uma cobrança feita ao motorista por cada solicitação de corrida enviada pelo aplicativo, e não apenas pelas viagens que ele efetivamente aceita e realiza. Na prática, isso significa que só o fato de estar online e receber uma chamada já gera um custo, independentemente da decisão do condutor de aceitar ou recusar aquela corrida específica.
Até agora, o motorista podia ficar conectado à plataforma e avaliar cada solicitação sem que uma recusa tivesse custo direto. Com a nova regra, estar disponível para receber corridas passa a ter um preço, o que muda a lógica de uso do aplicativo para quem costuma ficar online por longos períodos apenas esperando a corrida ideal.
Quanto custa a taxa em cada cidade testada?
Os valores cobrados variam conforme a cidade. Em Malmö, na Suécia, a cobrança é de 2 coroas suecas por chamada recebida, o equivalente a cerca de R$ 1,03. Já em Basileia, na Suíça, a taxa é de 0,30 franco suíço por solicitação, aproximadamente R$ 1,88.
Mesmo parecendo valores pequenos isoladamente, o impacto pode ser relevante ao longo de uma jornada de trabalho, já que a cobrança se repete a cada nova corrida enviada ao motorista, independentemente de ele aceitar ou recusar. Por isso, a própria Uber orienta os condutores a ficarem offline quando não estiverem disponíveis para dirigir, já que a taxa não é cobrada nesse período.
Por que a Uber criou essa cobrança?
Segundo a Uber, a medida busca priorizar motoristas mais próximos do passageiro e reduzir o tempo até o embarque. O tempo de espera é, de fato, um dos principais motivos de cancelamento de corridas: levantamento da consultoria de mobilidade Machine mostra que 48,09% das desistências estão relacionadas à espera, enquanto mudanças de planos respondem por 18,8% e casos em que o motorista não aparece representam 4,92% do total.
A maior concentração de cancelamentos ocorre nos primeiros minutos após o pedido, especialmente entre um e quatro minutos de espera. Segundo Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Machine, pequenas variações de segundos logo no início da corrida podem ser decisivas: "Os dados indicam que a experiência inicial do usuário define o sucesso da corrida. Pequenas variações de segundos podem determinar se um passageiro cancela ou permanece, o que impacta diretamente a satisfação e a receita da plataforma”.
Como funciona a devolução do valor aos motoristas?
O impacto financeiro da taxa varia conforme o mercado. Em Malmö, a Uber afirma que vai devolver aos motoristas o valor total arrecadado com a cobrança, redistribuído semanalmente entre eles de acordo com o número de corridas concluídas por cada um. Ou seja, quem aceita e finaliza mais viagens recebe uma fatia maior do valor arrecadado com a taxa paga por todos os motoristas conectados naquela semana.
Já em Basileia, não haverá esse tipo de devolução direta. Como compensação, a empresa reduziu a comissão cobrada sobre as corridas finalizadas, que cai de 25% para 23% nas categorias UberX e UberXL. Isso significa que, apesar de pagar a taxa a cada corrida enviada, o motorista suíço passa a reter uma fatia maior do valor de cada viagem efetivamente concluída.
O que muda na prática para quem dirige pela Uber?
Ao cobrar pela chamada, a Uber cria um incentivo para que permaneçam conectados apenas os motoristas realmente dispostos a aceitar viagens no momento. Isso pode reduzir a prática de manter o aplicativo aberto só para "sondar" corridas sem compromisso de aceitá-las, comportamento que hoje não gera nenhum custo direto ao condutor.
Por outro lado, a mudança também redefine o que significa estar disponível na plataforma. Antes, ficar online era uma decisão sem custo associado; agora, em Malmö e Basileia, essa disponibilidade passa a ter um preço, ainda que baixo por chamada individual. Para motoristas que dependem de ficar conectados por muitas horas à espera de corridas melhores, esse novo custo acumulado ao longo do dia pode pesar na hora de decidir quando vale a pena permanecer online.
A taxa pode chegar ao Brasil?
Até o momento, não há indicação de que o modelo de taxa de despacho será levado ao Brasil. O TechTudo entrou em contato com a empresa, que afirmou: "não temos previsão para testes ou implementação desse modelo no Brasil no momento". A Uber mantém o teste restrito às duas cidades europeias, sem prazo definido para uma possível expansão a outros mercados.
Caso a cobrança seja adotada no país, porém, a discussão deve ir além da criação de uma nova tarifa. Na prática, a Uber estaria definindo quanto custa para um motorista permanecer disponível para receber uma corrida, uma mudança que tende a gerar debate entre categorias de motoristas de aplicativo, que já monitoram de perto testes de cobrança feitos pela empresa em outros países.