Tópicos principais: Inteligência artificial, mercado de trabalho, educação profissional e juventude brasileira (pesquisa da Fundação Itaú, Datafolha e Instituto Locomotiva).
A pesquisa "Juventude e o Mundo do Trabalho" revela que 90% dos jovens brasileiros temem que a inteligência artificial elimine vagas de emprego, embora a quase totalidade utilize ferramentas digitais para o aprendizado autônomo. Para enfrentar essa ameaça e superar a barreira da falta de experiência, 91% dos entrevistados apostam no ensino técnico como o caminho mais rápido para a empregabilidade. O estudo destaca que a geração jovem vê a tecnologia simultaneamente como risco e aliada, exigindo maior foco em conteúdos práticos e conexão direta com as demandas do mercado.
Jovens veem tecnologia como ameaça e aposta ao mesmo tempo, segundo pesquisa
A pesquisa 'Juventude e o Mundo do Trabalho', realizada pela Fundação Itaú com apoio do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ouviu 1.816 pessoas
Levantamento com 1. 816 jovens brasileiros de 16 a 29 anos mostra que 90% temem que a inteligência artificial elimine vagas de trabalho, mas a maioria aposta no ensino técnico e na experiência prática como caminho para conseguir emprego.
A pesquisa Juventude e o Mundo do Trabalho, realizada pela Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ouviu 1. 816 jovens de todo o país entre 11 e 23 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais. O estudo mapeia como essa geração encara a tecnologia, a qualificação profissional e os principais obstáculos para ingressar e se manter no mercado de trabalho.
Segundo o levantamento, 90% dos entrevistados acreditam que a tecnologia e a inteligência artificial vão eliminar muitas vagas nos próximos anos, e metade teme perder oportunidades de trabalho por causa desses avanços — percentual que sobe para 63% entre os jovens que atualmente não trabalham nem estudam. Apesar do receio, a tecnologia também é vista como aliada: 97% dos jovens usam internet ou ferramentas digitais para aprender de forma autônoma e reconhecem seu papel no crescimento profissional.
Diante desse cenário, o ensino técnico ganha força como alternativa. Para 91% dos entrevistados, cursos técnicos são a forma mais rápida de entrar no mercado, e 88% consideram que esse tipo de formação prepara melhor para o trabalho do que o ensino tradicional. Outros 86% afirmam que essa qualificação é valorizada pelas empresas.
A pesquisa reforça ainda a centralidade da prática na percepção dos jovens: 90% dizem que aprendem mais no dia a dia do trabalho do que na educação formal. Ao serem consultados sobre prioridades para programas de apoio ao emprego jovem, 60% indicaram que as iniciativas deveriam oferecer cursos com conteúdo prático, não apenas teórico.
A experiência profissional também aparece como fator decisivo: 55% dos jovens apontam tê-la como o principal critério para conseguir uma boa vaga, enquanto 49% citam sua ausência como a maior barreira de entrada no mercado. Nesse contexto, programas como estágio e jovem aprendiz têm avaliação positiva: 42% dos entrevistados já participaram de alguma dessas modalidades, e, entre eles, 96% consideram essas experiências boas alternativas para quem não tem vivência profissional, enquanto 94% dizem que contribuíram para o futuro na carreira.
“Na verdade, a pesquisa revela que os jovens não veem a tecnologia apenas como uma ameaça ou como uma oportunidade”, diz Carla Chiamareli, gerente do Observatório Fundação Itaú. “Eles entendem que ela trará mudanças importantes para o mercado de trabalho e também acreditam que pode ser uma aliada para o aprendizado, a qualificação e o crescimento profissional. Isso reforça a percepção de que a formação contínua será cada vez mais importante para navegar pelas mudanças do mundo do trabalho. ”
Os dados indicam que, mesmo reconhecendo os riscos da automação, os jovens não descartam a formação tradicional, mas cobram maior conexão entre o ensino e as demandas concretas do mercado de trabalho — uma pauta que deve seguir no centro do debate sobre políticas de emprego e educação voltadas a essa faixa etária.