Especialistas do Ambulim do HC-FMUSP destacaram no programa CNN Sinais Vitais, apresentado pelo Dr. Roberto Kalil, que os transtornos alimentares são causados por uma combinação complexa de fatores biológicos, genéticos e socioculturais. O estudo apontou a predisposição genética e a influência de alterações cerebrais como bases biológicas relevantes para o desenvolvimento desses quadros. No âmbito sociocultural e digital, o impacto dos padrões de beleza ocidentais e o fluxo incessante de conteúdos sobre dietas nas redes sociais foram apontados como gatilhos que promovem extremismos e adoecimento na relação com a comida.
Tópicos abordados:
* Instituição/Empresa: Ambulim do Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) / CNN Brasil (programa CNN Sinais Vitais).
* Especialistas: Dr. Roberto Kalil, Dr. Fábio Salzano e Andrea Vargas.
* Tecnologia/Tendência: Impacto das redes sociais, exposição excessiva a telas desde a infância e disseminação de padrões estéticos e de dietas extremas.
* Saúde/Ciência: Fatores biológicos, genéticos (estudos com gêmeos) e socioculturais nos transtornos alimentares.
Dr. Kalil: Saiba fatores que aumentam as chances de transtornos alimentares
Especialistas do Ambulim do HC-FMUSP explicam ao CNN Sinais Vitais como biologia, genética e redes sociais influenciam o desenvolvimento de transtornos alimentares
Fatores biológicos, genéticos e socioculturais estão entre os principais elementos que contribuem para o desenvolvimento de transtornos alimentares, segundo especialistas do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP.
O tema foi debatido no programa CNN Sinais Vitais de sábado (15), em que o Dr. Roberto Kalil recebeu o psiquiatra Fábio Salzano e a nutricionista Andrea Vargas.
Salzano explicou que a origem dos transtornos alimentares ainda não é completamente compreendida pela ciência, sendo resultado de uma combinação de múltiplos fatores.
Para ilustrar a dimensão genética, ele citou estudos com gêmeos: "Se eu tenho anorexia nervosa, meu irmão gêmeo idêntico também pode vir a ter esse transtorno em uma proporção muito maior do que os gêmeos que não são iguais", destacou.
Além disso, Salzano apontou que alterações no funcionamento cerebral e nos transmissores cerebrais também podem facilitar o aparecimento desses quadros.
Fatores socioculturais
Salzano ressaltou que os fatores socioculturais são igualmente determinantes no desenvolvimento dos transtornos alimentares.
Ele mencionou estudos realizados em diversas culturas e países que demonstram como populações isoladas de padrões de beleza ocidentais passaram a apresentar comportamentos alimentares problemáticos após o contato com esses modelos.
"Você pega, por exemplo, as Ilhas Fiji, no meio do Pacífico, quando elas passaram a ter contato com esses modelos de origem caucasiana", exemplificou.
Segundo ele, a exposição a imagens de mulheres muito magras gerou dificuldades na aceitação do próprio corpo, levando ao surgimento de dietas restritivas, uso de laxantes e prática excessiva de atividade física.
Redes sociais
A nutricionista Andrea Vargas abordou o impacto das redes sociais na relação das pessoas com o corpo e com a alimentação.
Para ela, filtrar o excesso de informações sobre dietas e padrões estéticos é praticamente impossível diante do uso constante do celular. "Qualquer criança de 3, 4 anos já tem um celular na mão", observou.
Segundo Vargas, o fluxo incessante de imagens sobre o "comer perfeito" e o "corpo perfeito" gera grande confusão, levando as pessoas a não saberem mais o que consumir.
"Esse 'ser saudável' está deixando a população cada vez mais doente, porque acaba indo para os extremismos", alertou.
Vargas defendeu ainda a importância de compreender que cuidar da saúde vai além da dieta. "Alimentação é um ponto. Eu preciso cuidar da minha saúde mental, do meu físico, é um conjunto", disse.
A nutricionista sugeriu um retorno a hábitos mais simples, semelhantes aos de gerações anteriores, sem as preocupações excessivas que hoje cercam as escolhas alimentares.
Ela também questionou crenças populares sem embasamento, como a ideia de que o consumo de arroz leva ao ganho de peso. "Não sei de onde tiraram isso", destacou.