PATs de SP oferecem 713 vagas no transporte, com 200 para fiscais de coletivos e oportunidades para motoristas de ônibus urbano Publicado em: 17 de agosto de 2026 Postos têm 13 vagas para condução de ônibus urbanos e oportunidades também para despachantes, ajudantes e caminhoneiros; oferta ocorre em momento de escassez de motoristas, problema que o Diário do Transporte vem acompanhando com especialistas e empresas do setor ADAMO BAZANI Os PATs (Postos de Atendimento ao Trabalhador) do Governo do Estado de São Paulo oferecem nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, 713 vagas de emprego somente para atividades ligadas ao setor de transportes. Entre as oportunidades que atingem diretamente o transporte coletivo estão 200 vagas para fiscal de transportes coletivos, 15 para despachante de transportes coletivos e 13 para motorista de ônibus urbano. A abertura das vagas para motoristas ocorre em um momento no qual empresas de ônibus de diferentes regiões do País relatam dificuldades cada vez maiores para contratar e, principalmente, manter profissionais na atividade. O Diário do Transporte mostrou recentemente que a falta de motoristas deixou de ser uma dificuldade pontual. Levantamentos citados na reportagem indicam que 53,4% das empresas de transporte urbano e metropolitano relatam falta desses profissionais. Entre os motivos apontados para o abandono da atividade estão pressão operacional, jornadas desgastantes, trânsito, violência, problemas de saúde, salários, dificuldades de conciliar a profissão com a vida pessoal e falta de perspectivas de crescimento. Relembre: Ajudantes e fiscais concentram maior número de vagas A maior quantidade de oportunidades divulgadas pelo Governo de São Paulo é para ajudante de motorista, com 237 postos disponíveis. Na sequência aparecem justamente os fiscais de transportes coletivos, com 200 vagas. A distribuição por ocupação é a seguinte: - Ajudante de motorista: 237 vagas; - Fiscal de transportes coletivos, exceto trem: 200 vagas; - Motorista de caminhão em rotas regionais e internacionais: 152 vagas; - Motorista de furgão ou veículo similar: 36 vagas; - Agente de trânsito: 21 vagas; - Carregador de veículos de transportes terrestres: 16 vagas; - Despachante de transportes coletivos, exceto trem: 15 vagas; - Motorista de ônibus urbano: 13 vagas; - Motorista operacional de guincho: nove vagas; - Vistoriador veicular: quatro vagas. O total chega às 713 oportunidades divulgadas pelo Estado. As vagas podem ser preenchidas a qualquer momento e, por isso, a quantidade disponível pode variar ao longo do dia. Grande São Paulo concentra 548 das 713 oportunidades A maior parte das vagas está na Região Administrativa de São Paulo. São 548 oportunidades, o equivalente a mais de três quartos do total anunciado para o setor de transportes. Campinas aparece na sequência, com 77 vagas. A distribuição informada é: - São Paulo: 548 vagas; - Campinas: 77; - São José do Rio Preto: 24; - Sorocaba: 23; - Ribeirão Preto: 12; - Marília: sete; - Barretos: seis; - São José dos Campos: seis; - Região Administrativa Central: cinco; - Bauru: três; - Itapeva: uma; - Santos: uma. Itapevi sozinho tem 279 vagas Entre os postos de atendimento, o PAT de Itapevi concentra 279 vagas de transportes. Santana de Parnaíba aparece em seguida, com outras 165. Os dez PATs com maior quantidade de oportunidades no levantamento são: - Itapevi: 279 vagas; - Santana de Parnaíba: 165; - Juquitiba: 34; - Suzano: 21; - Embu: 20; - Valinhos: 16; - Mirassol: 16; - Avaré: 12; - Taboão da Serra: 12; - Araras: 11. Falta de motoristas não é apenas problema de contratação A existência de vagas para motoristas ocorre em meio a uma discussão que envolve não apenas atrair novos trabalhadores, mas impedir que profissionais experientes abandonem a atividade. Em reportagem publicada em 1º de agosto de 2026, o Diário do Transporte mostrou que empresas de ônibus vêm enfrentando alta movimentação de admissões e desligamentos. Segundo a apuração, profissionais têm migrado para aplicativos, logística, transporte de cargas leves e até atividades fora do setor em busca de menor desgaste ou maior flexibilidade. A advogada especializada em gestão de riscos empresariais Liana Variani, que presta consultoria preventiva para empresas, explicou ao Diário do Transporte que a solução não passa somente pela contratação de novos trabalhadores. Para a especialista, salário é um dos fatores relevantes, mas empresas também podem melhorar a retenção com mudanças de gestão, relacionamento e organização interna. Entre as medidas apontadas por Liana estão ouvir os motoristas, melhorar os canais de comunicação, preparar as lideranças, dar maior previsibilidade às escalas e criar perspectivas reais de desenvolvimento profissional. A especialista destacou ainda que algumas ações podem ser realizadas sem aumento significativo dos custos, como treinamento das chefias, reconhecimento de boas práticas, melhoria da comunicação e cumprimento mais organizado das jornadas e períodos de descanso. Para Liana, a estabilidade nas relações trabalhistas também interfere na permanência do profissional. Cumprimento da legislação, intervalos, descanso, procedimentos disciplinares claros e comunicação transparente reduzem conflitos e podem melhorar a relação entre trabalhadores e empresas. Formação interna também virou alternativa Outra consequência da falta de profissionais é que empresas passaram a formar os próprios motoristas. Como mostrou o Diário do Transporte em abril, operadores têm criado programas para aproveitar cobradores, manobristas e outros funcionários que já trabalham nas empresas, além de abrir oportunidades para condutores habilitados que possuem os cursos necessários, mas ainda não têm experiência com ônibus. A Suzantur, por exemplo, desenvolveu em parceria com o Sest Senat de Santo André o programa Aprendiz de Motorista Profissional para pessoas com CNH nas categorias D ou E e curso de transporte coletivo, mas que encontravam dificuldade de ingressar na profissão justamente por falta de experiência. O cenário ajuda a explicar por que uma oferta aparentemente pequena de 13 vagas específicas para motorista de ônibus urbano precisa ser observada dentro de uma questão muito mais ampla de disponibilidade de mão de obra. Empresas estudam contratação de imigrantes e refugiados A dificuldade para preencher vagas também levou executivos do setor a estudar novas fontes de mão de obra. Em 7 de agosto, o Diário do Transporte revelou uma metodologia desenvolvida por profissionais da Suzantur, JCA, Rodonaves e LP Guizilim destinada à contratação, capacitação, acolhimento e retenção de imigrantes e refugiados nos transportes de passageiros e cargas. Relembre: O projeto, denominado Rotas de Inclusão, foi desenvolvido no âmbito de uma especialização em Gestão de Negócios do Programa Avançado de Capacitação do Transporte, coordenado pelo ITL, promovido pelo Sest Senat e ministrado pela Fundação Dom Cabral. A metodologia possui quatro etapas: recrutamento e regularização documental; capacitação técnica e linguística e preparação das equipes; mentoria e integração cultural; e avaliação permanente por indicadores de desempenho. O trabalho foi desenvolvido por Jacqueline Queiroz, da Rodonaves; Carlos Lacerda e Cibele Thais Telles, da JCA; Bruno da Silva Santos, da LP Guizilim; e Wagner Militani da Silva, gerente operacional da Suzantur. Para desenvolver a metodologia, os executivos estudaram experiências já existentes, entre elas as da JSL e da fabricante de ônibus Comil, além de realizarem entrevistas com imigrantes e refugiados. Na Comil, como mostrou o Diário do Transporte, cerca de 600 dos aproximadamente 2.170 trabalhadores eram imigrantes, principalmente venezuelanos, num programa que se tornou referência para outras empresas que também encontram dificuldade de contratar mão de obra. Neste caso, Liana Variani também participou da análise feita pelo Diário do Transporte, chamando atenção para a necessidade de regularização documental e para o princípio de que o trabalhador estrangeiro legalmente habilitado para trabalhar no Brasil deve ter os mesmos direitos trabalhistas aplicáveis ao brasileiro. Como procurar as vagas O Governo de São Paulo possui mais de 200 PATs distribuídos pelo Estado. Para atendimento presencial, o interessado deve apresentar RG, CPF e Carteira de Trabalho. Além da intermediação das vagas, os postos oferecem gratuitamente serviços como habilitação ao seguro-desemprego. Os trabalhadores também podem consultar oportunidades pelo Trampolim, plataforma digital gratuita do Governo do Estado que reúne vagas, cursos de qualificação, testes de habilidades e ferramenta para elaboração de currículo. O sistema permite filtrar as oportunidades por área e localização e possui ainda uma seção voltada a trabalhadores com mais de 60 anos. As 713 vagas anunciadas nesta segunda-feira mostram uma demanda imediata do setor de transportes, mas a oferta ocorre em meio a um desafio que vai além de preencher postos disponíveis. No caso dos motoristas de ônibus, empresas, especialistas e entidades vêm discutindo formação, valorização, condições de trabalho, saúde, remuneração, retenção e abertura da profissão a novos grupos de trabalhadores como questões fundamentais para evitar que a escassez se agrave. Empresas também anunciam vagas diretamente Além das 713 oportunidades contabilizadas pelos PATs, o Diário do Transporte encontrou vagas abertas por empresas do setor na plataforma Trampolim. A Paraty Fretamento, Turismo e Transporte, por exemplo, anuncia 10 vagas para motorista de ônibus em Américo Brasiliense, Araraquara e Santa Lúcia, com salários entre R$ 2.400 e R$ 3.500. São exigidas CNH D ou E com EAR e experiência comprovada com caminhão ou ônibus. Há ainda outras 10 oportunidades exclusivas para pessoas com deficiência. A empresa também oferece vagas para atividades de garagem e manutenção, incluindo manobrista-abastecedor, eletricista de autos, borracheiro e pintor automotivo. Já a City Transporte Urbano Intermodal aparece com oportunidades para motorista de micro-ônibus, auxiliar de tráfego, mecânico, eletricista e limpeza, funções diretamente relacionadas à operação do transporte coletivo. Estas oportunidades servem como exemplos da demanda atual por profissionais no setor, mas não é possível afirmar que façam parte especificamente das 713 vagas divulgadas pelos PATs nesta segunda-feira, já que o levantamento estadual não identifica nominalmente os empregadores. Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes