Principais tópicos: Transporte clandestino de passageiros, concorrência desleal, fiscalização e regulação do setor rodoviário.
O artigo discute a facilidade para estruturar operações de transporte clandestino de passageiros e os impactos da concorrência desleal sobre as empresas regulares. Aponta-se que a fiscalização insuficiente permite que operadores irregulares reduzam custos drásticos à margem das exigências técnicas. Por fim, debate-se que o combate à irregularidade exige maior atenção governamental e empresarial à previsibilidade de tarifas, horários e integração de rotas.
(Nota: O texto fornecido aborda exclusivamente o setor de transporte de passageiros/fretamento, não havendo menção a cargas, caminhões ou combustíveis de frete).
Comentários
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É raro ver este tipo de leitura por aí. Até que enfim se chegou a esta conclusão, diga-se.
É compreensível o aumento de preços, ao mesmo tempo que deveria ser compreensível que qualquer aumento significa problemas em cadeia. A oferta de transporte irregular ocorre justamente por causa disto: a margem de ganhos pode ser menor, mas é de certa forma previsível e um operador irregular pode ao menos operar a favor de famílias desfavorecidas, seja a trabalho, migração, encomenda, etc. E lembremos que a oferta irregular pode vir disfarçada de fretamento – o que é bem comum desde antes mesmo da oferta dos (cof cof) “fretamentos colaborativos” (a.k.a. Buser), só lembrar os turismos de compra, as vans para as praias e o turismo religioso, pois todos estes exemplos ou operam fretamento mas com regularidade de horários, ou operam de forma irregular documentado, mas com saídas regulares.
O erro das grandes operadores é esse: não enxergar este tipo de situação. E de partes, até entendo um pouco – o governo (falo de ministérios, deputados, senadores e especialistas da área) deveriam estar mais atentos justamente a esta questão de oferta e demanda, e com isso empresariado e governo sentarem para ver medidas relevantes.
Eu por exemplo sempre cogitei a Buser no começo, mas via dois problemas: a questão da “precificação dinâmica” (que aumenta conforme a data de saída) e as notícias de problemas jurídicos (como a proibição de críticas sobre a empresa, isso principalmente depois da ocorrência na qual a Buser ofertou serviços de transporte para uma torcida, a mesma foi sob os custos desta oferta e ao sofrer problemas, a torcida sofreu problemas jurídicos sobre). Isso me fez acender um alerta, e por isso acabo a evitando (fiz a conta na plataforma, mas depois apaguei).
Já cogitei também ir de operadoras de “turismo de compras” para alguns lugares, mas o preço deles é bem diferente – se parar para pensar, até justo dado o nível dos veículos. Na verdade foi isso que por exemplo fiz a escolha de viajar pela Gadotti quando ela começou a operar a São Paulo – Balneário Camboriú.
Uma coisa a se ater também é a questão do “dumping” por empresas já “regulares”. Noto isso muito no Grupo Comporte / Penha. Os preços são bem inferiores (e não nego que os aproveito), mas ao mesmo tempo já tive problemas de esperar baldear na estrada algumas vezes dado problemas mecânicos nos veículos.
Enfim: para combater o irregular, precisa-se melhorar ainda mais o regular. Ou seja, ter preços e horários previsíveis (precificação dinâmica é problemática para um país que conta moedas), mais opções de locais de saída (pois assim as pessoas podem usufruir de partidas de locais diferentes) – e não só de shoppings e afins, mas também de outras rodoviárias (Grande São Paulo tem várias e muitas subutilizadas até), possibilidades de integração com preços justos, etc…
Ah! e também ficar de olho em um fenômeno que acho pouco comentado: com a precificação dinâmica, isso acaba incentivando comprarem passagens para uma viagem inteira, mas parando no meio do caminho dado que o valor da viagem SP Curitiba é mais barata que SP a Registro, diga-se. A integração de valores e a analise de rotas deveria estar também no fato de verificar linhas tanto Estaduais (entre municípios) quanto Interestaduais.
Senão ficamos muito em uma zona de problemas devido as diferentes tarifações.
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No Brasil, estruturar uma operação de transporte clandestino pode ser assustadoramente simples. Com um investimento relativamente baixo, é possível adquirir um ônibus usado, realizar uma pintura e algumas adaptações e, em pouco tempo, colocá-lo em operação sem atender aos mesmos requisitos técnicos, operacionais e regulatórios exigidos dos grandes operadores.
O problema é agravado pela fiscalização insuficiente. Durante o período em que permanece irregular, o operador clandestino consegue reduzir drasticamente seus custos e competir de forma desleal com empresas que investem em manutenção, treinamento, seguros, inspeções e conformidade regulatória.
O passageiro nem sempre desconhece o risco. Muitas vezes, porém, a diferença significativa de preço acaba sendo um fator decisivo. Essa distorção cria um ambiente no qual o transporte clandestino encontra espaço para crescer.
O resultado é previsível: veículos sem manutenção adequada, componentes em condições desconhecidas e, principalmente, motoristas submetidos a jornadas excessivas, com risco elevado de fadiga.
Enquanto essa combinação de baixa fiscalização, concorrência predatória e busca por redução de custos permanecer, infelizmente, ainda veremos acidentes evitáveis e vidas sendo perdidas nas rodovias brasileiras.