O ChatGPT só concorda com você? Veja prompts para obter respostas mais críticas Mais do que pedir uma resposta, vale estimular a IA a questionar premissas, apresentar contrapontos e explicar as limitações de suas conclusões; entenda como fazer O ChatGPT é uma inteligência artificial pode concordar com afirmações equivocadas em vez de questioná-las, comportamento conhecido como AI sycophancy ou "IA bajuladora". Um estudo recente da Universidade de Oxford analisou o fenômeno e alertou para o risco de modelos priorizarem a concordância em vez do contraditório. A forma como o usuário formula o pedido também pode influenciar a resposta. Entenda os riscos desse comportamento e veja prompts para obter respostas mais críticas e fundamentadas do ChatGPT. 🔎 Melhores prompts para NotebookLM: 15 comandos para aproveitar a IA do Google 🔎 10 prompts para aprender inglês com ChatGPT; confira como usar 🔎 Organizei minha alimentação com o ChatGPT — 5 prompts para usar agora 📝 É possível criar uma inteligência artificial em casa? Tire dúvidas no Fórum do TechTudo 🔎 Erro “Too Many Concurrent Requests” no ChatGPT: o que é e como resolver Índice - O que é a IA bajuladora e por que ela acontece - Quais os riscos de confiar em respostas que apenas confirmam sua opinião - 7 prompts para fazer o ChatGPT responder de forma mais crítica - Vale a pena sempre pedir uma resposta crítica? O que é a IA bajuladora e por que ela acontece A IA bajuladora, conhecida pelo termo em inglês AI sycophancy, descreve a tendência de alguns chatbots responderem de forma alinhada às expectativas do usuário, mesmo quando elas estão incorretas. O comportamento foi analisado em um estudo recente da Universidade de Oxford, que identificou maior propensão de modelos mais calorosos e empáticos a fornecer respostas equivocadas para agradar quem faz a pergunta. Em vez de apresentar contrapontos ou corrigir um erro, a IA pode reforçar opiniões já expressas durante a conversa. Para João Mano, cofundador da Mogno, traduzir sycophancy apenas como "bajulação" simplifica um fenômeno mais amplo. Segundo ele, trata-se de "uma concordância complacente, que inclui validar sem fundamento e ir ajustando a resposta à opinião de quem pergunta". O especialista explica que não existe um único motivo para esse comportamento. Parte dele está relacionada ao treinamento dos modelos, que aprendem com preferências de avaliadores humanos e de outras IAs. Além disso, fatores como instruções do sistema, memória, personalização e até a forma como o usuário escreve a pergunta também influenciam as respostas. Esse comportamento não é exclusivo do ChatGPT. Outros modelos de linguagem, como Claude e Gemini, também podem priorizar respostas que pareçam mais agradáveis ou coerentes com a expectativa do usuário. Como consequência, fatos relevantes podem ficar de fora e argumentos contrários deixam de aparecer, o que reforça crenças equivocadas e reduz as chances de uma análise mais equilibrada. João Mano destaca que ninguém desenvolve um chatbot com a intenção de fazê-lo "puxa-saco". Na avaliação dele, esse efeito surge porque "a métrica de curto prazo premia resposta agradável, não resposta honesta". Por isso, embora as empresas trabalhem para reduzir esse comportamento, o usuário também precisa interpretar as respostas com senso crítico e evitar tratá-las como uma validação automática de suas opiniões. Quais os riscos de confiar em respostas que apenas confirmam sua opinião Confiar em respostas que apenas confirmam sua opinião pode comprometer decisões pessoais e profissionais. O problema vai além de curiosidades do dia a dia. Em estudos, por exemplo, um aluno pode aceitar uma interpretação incorreta de um tema sem questioná-la. Na programação, um desenvolvedor pode aprovar um código com falhas porque a IA afirmou que ele estava correto. No ambiente de trabalho, esse comportamento pode validar estratégias equivocadas, projeções irreais ou análises incompletas, o que aumenta o risco de prejuízos financeiros, retrabalho e decisões que afetam toda a empresa. O mesmo vale para o planejamento financeiro, a produção de conteúdo e as pesquisas na internet, áreas em que informações incorretas podem gerar perdas ou comprometer a qualidade do resultado final. Segundo João Mano, o maior risco é o usuário "entrar numa sala com eco de uma pessoa só". Para o especialista, a IA pode defender uma ideia frágil melhor do que o próprio usuário, criando a falsa impressão de que existe uma segunda opinião independente. "Na verdade, é a mesma opinião de volta, com verniz", afirma. Ele cita como exemplo um executivo que pergunta se uma projeção de crescimento é razoável e recebe uma resposta positiva, mesmo quando a premissa merece contestação. "Decisão ruim bem redigida convence muito mais gente do que decisão ruim mal escrita", resume. Outro problema é que respostas escritas com muita segurança nem sempre estão corretas. Em alguns casos, o chatbot pode omitir informações relevantes ou deixar de apresentar argumentos contrários para manter uma resposta mais alinhada ao contexto da conversa. Por isso, vale conferir fontes, buscar evidências e incentivar a IA a analisar perspectivas diferentes antes de aceitar uma conclusão. Ao mesmo tempo, João Mano ressalta que nem o extremo oposto é suficiente. "Resposta crítica também não é sinônimo de resposta certa", diz. O modelo pode discordar e, ainda assim, errar ou criar objeções apenas para parecer mais rigoroso. Por esse motivo, decisões importantes devem combinar o uso da IA com análise humana, revisão de informações e validação em fontes confiáveis. 7 prompts para fazer o ChatGPT responder de forma mais crítica Usar prompts específicos pode ajudar o ChatGPT a apresentar respostas mais equilibradas e questionadoras. No entanto, eles não funcionam como uma garantia de imparcialidade. De acordo com João Mano, modelos de IA são probabilísticos e o mesmo comando pode produzir respostas diferentes ao longo do tempo. "Um prompt não instala uma regra na máquina — ele desloca probabilidades", explica. O especialista também alerta que não existe uma "frase mágica" capaz de eliminar a tendência de concordância. Na avaliação dele, o maior ganho está na forma de conduzir a conversa. Em vez de buscar apenas por um prompt perfeito, vale dividir problemas complexos em etapas, testar uma premissa por vez e solicitar evidências para cada afirmação relevante. "Prompt bom é hipótese de partida; o rigor vem da iteração", resume. Os prompts abaixo podem servir como ponto de partida para incentivar análises mais críticas. Cada um funciona melhor em um tipo de situação: 1. Advogado do diabo Quando usar: para testar uma ideia antes de tomar uma decisão. Prompt: Não concorde automaticamente comigo. Analise minha ideia como um especialista crítico e apresente os principais argumentos contrários. 2. Encontrar falhas Quando usar: antes de iniciar um projeto ou colocar uma estratégia em prática. Prompt: Identifique os cinco maiores problemas, riscos ou pontos fracos desta ideia antes de sugerir melhorias. 3. Verificação de fatos Quando usar: em pesquisas, estudos e conteúdos informativos. Prompt: Antes de responder, verifique se existem evidências que contradizem minha afirmação e apresente os dois lados. 4. Grau de confiança Quando usar: em temas complexos ou quando a resposta depender de poucas evidências. Prompt: Informe seu grau de confiança na resposta e explique quais partes dependem de suposições ou podem estar incorretas. 5. Revisão crítica Quando usar: para revisar textos, códigos, apresentações e documentos. Prompt: Revise sua resposta como se fosse outro especialista procurando erros, vieses e informações incompletas. 6. Perspectiva oposta Quando usar: para testar a solidez de uma conclusão. Prompt: Assuma que minha conclusão está errada. Desenvolva a melhor argumentação possível contra ela. 7. Fontes divergentes Quando usar: em temas controversos ou com diferentes interpretações. Prompt: Existem especialistas ou pesquisas que discordam dessa conclusão? Explique quais são os principais argumentos. Os prompts funcionam melhor quando a pergunta é escrita de forma neutra. João Mano explica que um dos erros mais comuns é colocar a resposta desejada dentro do próprio comando. Expressões como "faz sentido, não faz?", "ficou muito bom, certo?" ou "você também não acha que essa é a melhor opção?" acabam funcionando como instruções para que a IA concorde com o usuário. Por isso, sempre que possível, vale apresentar os fatos antes da conclusão e pedir uma análise imparcial. Na avaliação do especialista, a qualidade da resposta depende tanto da forma como a pergunta é construída quanto do prompt utilizado. Vale a pena sempre pedir uma resposta crítica? Nem toda interação com a IA exige uma resposta crítica. Em tarefas criativas, como brainstorming, geração de ideias ou elaboração de um primeiro rascunho, uma abordagem mais colaborativa costuma ser suficiente. Nesses casos, o objetivo é explorar possibilidades, e não validar uma decisão. Por outro lado, vale a pena incentivar uma análise mais rigorosa em situações como: - Tomada de decisões importantes: ajuda a identificar riscos e questionar premissas antes de definir um caminho. - Análises financeiras: incentiva a busca por evidências e reduz o risco de aceitar projeções sem fundamento. - Estudos: favorece a comparação entre diferentes interpretações e evita conclusões precipitadas. - Planejamento de projetos: permite avaliar pontos fracos, cenários alternativos e possíveis falhas antes da execução. - Comparação entre produtos: ajuda a identificar vantagens, limitações e critérios que poderiam passar despercebidos. - Interpretação de informações complexas: estimula a apresentação de contrapontos e diferentes perspectivas sobre um mesmo tema. Mesmo nesses casos, é importante evitar o excesso. João Mano alerta que comandos como "assuma que existe um erro grave e encontre-o" podem apenas trocar um viés por outro. Segundo ele, o modelo pode criar problemas apenas para cumprir a tarefa. Por isso, o especialista prefere perguntas que permitam à IA concluir que não encontrou falhas relevantes quando as evidências apontarem nessa direção. Outra recomendação é abrir uma nova conversa para obter uma segunda análise. Em vez de reutilizar todo o histórico, vale apresentar um resumo neutro dos fatos, o que reduz a influência do contexto anterior. Por fim, João Mano resume a principal boa prática: "Nunca aceite a primeira resposta, questione, interaja, torne a interação mais rica." Com informações de Universidade de Oxford. Veja também: Perigo nas redes; saiba AGORA como se proteger! Perigo nas redes; saiba AGORA como se proteger!