Briefing Contábil e Tributário — 22/09/2026
Resumo Executivo
O cenário contábil e tributário para caminhoneiros, frotistas e transportadoras de cargas é marcado por importantes decisões em tribunais superiores e atualizações em obrigações acessórias. Os 4 temas mais críticos para o setor neste período envolvem:
- CPRB no PIS/Cofins: O STJ definiu no Tema Repetitivo 1.276 que a Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, vedando sua exclusão e exigindo revisão imediata dos procedimentos fiscais pelas transportadoras.
- Malha Fiscal de PIS/Cofins (PER/DCOMP): A Receita Federal instituiu uma força-tarefa (Portaria Codar nº 361) para auditar 10.156 pedidos de restituição, ressarcimento e compensação de créditos de PIS/Cofins, exigindo rigor na revisão de memórias de cálculo e da EFD-Contribuições.
- Guarda de Documentos Fiscais (CT-e e MDF-e): O Ajuste SINIEF nº 2/2025 padronizou em 132 meses (11 anos) o prazo de guarda de arquivos XML de CT-e, MDF-e e NF-e para as administrações tributárias, reforçando a atenção à conformidade documental.
- Obrigações Acessórias (DeRE): A Receita Federal e o CGIBS atualizaram os arquivos XSD da Declaração de Regimes Específicos (DeRE), ampliando os limites de contas nos eventos D-1011 (para 150 mil) e D-1101 (para 90 mil) para empresas de grande porte em ambiente de Produção Restreta.
Principais Desenvolvimentos e Impactos Práticos
- Decisão do STJ sobre a CPRB (Tema Repetitivo 1.276): O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a CPRB continua compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. Impacto prático: As transportadoras devem ajustar seus softwares e rotinas contábeis para não excluírem o encargo, mitigando riscos de autuações fiscais retroativas.
- Força-Tarefa de Créditos de PIS/Cofins (Portaria Codar nº 361): A Receita Federal iniciou auditoria rigorosa em 10.156 pedidos de PER/DCOMP. Impacto prático: Frotistas e transportadoras que possuem créditos tributários devem auditar urgentemente suas documentações fiscais, memórias de cálculo e a EFD-Contribuições para evitar cair na malha fina.
- Julgamento no STF sobre ICMS e Benefícios: O Supremo Tribunal Federal debateu a base de cálculo do ICMS na energia elétrica e incentivos em Áreas de Livre Comércio. Impacto prático: Possíveis reflexos nos custos de insumos e logística na região Norte, sem alterações diretas na emissão de CT-e ou MDF-e.
- Padronização de Guarda de XMLs (Ajuste SINIEF nº 2/2025): Publicado o ajuste que estipula em 132 meses (11 anos) o armazenamento de XMLs de documentos fiscais eletrônicos (CT-e, MDF-e, NF-e) pelas administrações tributárias a partir de maio de 2025. Impacto prático: Embora o prazo legal para guarda por parte das empresas permaneça alinhado ao Código Tributário Nacional (5 anos), a medida reforça a necessidade de storages seguros e conformidade digital nas frotas.
- Atualização dos Esquemas XSD da DeRE: A Receita Federal e o CGIBS atualizaram o ambiente de Produção Restreta da Declaração de Regimes Específicos. Impacto prático: Grandes transportadoras participantes do projeto piloto precisam atualizar seus sistemas para suportar os novos limites volumétricos (150 mil contas no evento D-1011 e 90 mil no D-1101), evitando a rejeição dos arquivos.
- Prorrogação do Adicional da CSLL (Pilar 2 da OCDE/G20): Regra de transição voltada a grandes grupos multinacionais. Impacto prático: Zero impacto para o transporte rodoviário doméstico, caminhoneiros autônomos e empresas optantes pelo Simples Nacional.
Já apresentadas em briefings anteriores
Fontes