O cenário contábil e tributário para o setor de transporte rodoviário de cargas destaca-se pela intensificação das exigências operacionais e regulatórias, com foco na conformidade documental e trabalhista. Os temas mais críticos para caminhoneiros, frotistas e transportadoras no período compreendem:
Resolução ANTT nº 6.090/2026 e CIOT: A nova norma impõe o bloqueio automático prévio do CIOT caso o valor do frete contratado fique abaixo do piso mínimo estipulado. Além disso, torna obrigatória a vinculação do CIOT ao MDF-e a partir de novembro de 2026. Impacto prático: Transportadoras e frotistas devem adaptar imediatamente seus sistemas de emissão e gestão para evitar o travamento de viagens e o risco de suspensão ou cancelamento do RNTRC, com penalidades fundamentadas na Lei nº 15.485/2026. Não há alterações diretas em tributos como ICMS ou PIS/COFINS.
Tramitação da PEC 221/2019 (Escala 6x1 e Jornada): A proposta em análise legislativa visa reduzir a jornada de trabalho semanal para 40 horas e extinguir a escala 6x1. Impacto prático: Embora não altere tributos federais ou estaduais, nem documentos fiscais (CT-e e MDF-e), a mudança exigirá das empresas de transporte um planejamento trabalhista e financeiro robusto, visto que projeta-se um incremento de aproximadamente 8,66% nos custos de mão de obra a partir de 2026.
Governança do CGIBS e Reforma Tributária: Foi definida a composição da Diretoria Executiva do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), com destaque para a ausência da Sefaz-SP nos principais cargos. Impacto prático: Trata-se de um tema de monitoramento institucional de médio e longo prazo. No momento, não há alterações em alíquotas, prazos ou obrigações acessórias, mas o CGIBS será o órgão central responsável por definir as regras de operação, fiscalização e arrecadação do novo IBS.
Alta do Diesel S10 e Piso Mínimo de Frete: Registrou-se uma alta expressiva no preço do diesel S10 no decorrer de setembro de 2026. Impacto prático: A oscilação pressiona a contabilidade de frotistas e caminhoneiros autônomos, acionando o gatilho regulatório para a revisão dos valores do piso mínimo de frete pela ANTT. Exige revisão imediata das planilhas de custos operacionais para preservação das margens.
Adicional da CSLL para Grandes Multinacionais: A Receita Federal publicou orientações sobre a aplicação do Adicional da CSLL direcionado a grandes grupos econômicos. Impacto prático: A medida restringe-se a corporações com receita superior a 750 milhões de euros, não gerando quaisquer reflexos tributários, operacionais ou nas obrigações acessórias (como CT-e e MDF-e) para o setor de transporte rodoviário de cargas tradicional.